# Qual é o risco de a Bolsa cair após o 2º turno? Veja 5 ações para se proteger

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/onde-investir/qual-e-o-risco-de-a-bolsa-cair-apos-o-2o-turno-veja-5-acoes-para-se-proteger/)
- Publicado em: 2026-10-20T17:00:00.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1271645-qual-e-o-risco-de-a-bolsa-cair-apos-o-2-turno-veja-5-acoes-para-se-proteger

> A cinco dias do segundo turno das eleições, o investidor enfrenta um dilema. De um lado, a Bolsa parece precificar apenas um cenário após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Desde…

Diante do risco de correção, o InfoMoney ouviu sete especialistas para entender: como o investidor de Bolsa pode montar uma carteira mais defensiva para atravessar o pleito?

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Para Enrico Cozzolino, sócio e estrategista da Zermatt Partners, o ponto central é a assimetria. Isso porque, apesar do empate técnico nas pesquisas, as plataformas de previsão dão perto de 80% de chance a Flávio. &#8220;Se o resultado confirmar o favoritismo, boa parte da alta já está no preço. Se contrariar, a correção pode ser forte e rápida.&#8221;

Pedro Paulo Silveira, analista de trade da Terra Investimentos, também avalia que o mercado já precifica uma vitória de Flávio. Pelas contas dele, o Ibovespa poderia chegar a 250 mil pontos com a eleição do senador ou cair a 140 mil com a reeleição de Lula, e hoje está mais perto do primeiro patamar. Por isso, o espaço para cair é maior que o espaço para subir. &#8220;Acho que a aposta é assimétrica demais e optaria por uma alocação mais conservadora, com menor risco.&#8221;

Nenhum dos especialistas ouvidos recomenda desmontar a carteira. Maria Carolina Luchesi, especialista de investimentos da Hike Capital, lembra que a alta de quase 29% do Ibovespa no ano deixou a fatia em ações de muitos investidores acima do planejado. &#8220;Rebalancear para a alocação-alvo é uma forma de reduzir risco sem apostar em nenhum resultado.&#8221; João Daronco, analista da Suno Research, acrescenta que a carteira não deveria ter sido montada em função de um resultado que o investidor não controla.

Dois tipos de proteção

Para quem busca proteção, as exportadoras são o caminho mais lembrado. Se as urnas frustrarem o mercado e o real se desvalorizar, a receita em dólar dessas empresas vale mais em reais, enquanto boa parte dos custos segue em reais. A mesma lógica, no sentido inverso, explica por que elas ficaram para trás enquanto as empresas ligadas à economia doméstica passavam por um rali acentuado.

A proteção, no entanto, não é automática. O minério de ferro chegou ao menor nível em 18 meses na semana do primeiro turno, o que pesou sobre a Vale ( VALE3 ) independentemente do câmbio. Por isso, Luchesi e Cozzolino preferem exportadoras menos dependentes de commodities.

A segunda proteção vem de empresas com receita pouco dependente do ciclo econômico, como elétricas, saneamento e telefonia. Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, diz que parte dessas empresas de serviços públicos, as chamadas utilities, ainda negocia com desconto em relação aos títulos do Tesouro IPCA+ e paga bons dividendos . A ressalva, segundo Luchesi, é que as elétricas reagem aos juros longos e também podem cair se a curva abrir. &#8220;A proteção vem da previsibilidade do caixa e dos dividendos, não da imunidade ao preço.&#8221;

As 5 ações defensivas mais recomendadas

Embraer ( EMBJ3 )

Receita majoritariamente em dólar, carteira de pedidos longa e aeronaves isentas das tarifas americanas dão à ação um caráter defensivo diante da volatilidade eleitoral. Cozzolino lembra que a empresa depende mais da aviação global do que do Brasil.

Segundo os analistas, a ação caiu 9,20% na semana após o primeiro turno mesmo sem mudança nos fundamentos, enquanto o Ibovespa subiu 8,82% no mesmo período.

WEG ( WEGE3 )

Mais da metade da receita da companhia vem do exterior, segundo os especialistas, o que dá proteção cambial sem depender de commodities. Cozzolino a define como &#8220;qualidade pura&#8221; e diz que a queda de 7,35% desde o primeiro turno veio do câmbio, não dos fundamentos.

TIM ( TIMS3 )

Receita recorrente de assinaturas, baixa sensibilidade ao ciclo econômico e bons dividendos são as vantagens da ação citadas pelos especialistas. O papel caiu 2,43% na semana posterior ao primeiro turno.

Sabesp ( SBSP3 )

Para os analistas, a prestação de um serviço essencial com demanda estável faz da ação uma opção a considerar antes do segundo turno. Luís Dornela, CEO do Grupo Ludo, pondera que &#8220;a tese envolve ganhos de eficiência e expansão dos serviços, embora dependa da execução de investimentos e das condições regulatórias&#8221;.

Axia Energia ( AXIA3 )

Para Saravalle, é a utility com maior potencial de valorização. Felipe Passero, sócio da Jaguaretê, diz que a empresa gera muito caixa em qualquer governo, mas ressalta a volatilidade. Com a ação em patamar elevado, ele não descarta uma queda forte no curto prazo se Lula vencer.

O que evitar

Os especialistas concordam que os mais expostos a um resultado contrário à expectativa do mercado são os setores que mais subiram com a aposta em juros menores. Segundo Luchesi, na semana posterior ao primeiro turno as ações de locadoras subiram 38,7% e as de educação, 32,6%. Já o Magazine Luiza ( MGLU3 ) acumulou alta de mais de 58% em outubro até o fechamento desta segunda-feira (19).

Cozzolino inclui na lista varejo, locadoras, construtoras de média e alta renda e empresas de mercado de capitais. &#8220;São setores alavancados no juro futuro: se a curva voltar a abrir, eles devolvem rápido.&#8221; Para Daronco, o sinal de alerta é dívida elevada atrelada ao CDI, com geração de caixa instável.

E depois do dia 25?

Para Luchesi, as características das empresas defensivas recomendadas são estruturais, e não eleitorais. Ela lembra que a eleição é só um dos riscos no horizonte, já que em 3 de novembro ocorrem as eleições de meio de mandato nos EUA e começa a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Cozzolino diz que, se o resultado confirmar a aposta do mercado, o caminho é reduzir a parte defensiva e voltar aos cíclicos domésticos. Se frustrar, vale manter a proteção até haver clareza sobre a política fiscal de 2027.

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