A avaliação é do cientista político Jorge Chaloub, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em entrevista ao Mapa de Risco , programa de política do InfoMoney , nesta segunda-feira (19).

“A gente vai ter um outro bolsonarismo depois dessa eleição, qualquer que seja o resultado no segundo turno da eleição presidencial”, afirmou.

Para Chaloub, a principal diferença em relação a 2018 está na estrutura partidária construída nos últimos anos. Na primeira eleição presidencial de Jair Bolsonaro, o então PSL funcionava como uma plataforma eleitoral para uma candidatura que havia crescido fora das organizações tradicionais.

Flávio Bolsonaro (PL) propõe Bolsa Família por até 2 anos para quem arrumar emprego

Até então, em seus discursos, Flávio abordava a possibilidade, mas não fixava um limite de tempo

Real Time Big Data: Flávio tem 52% dos votos válidos e Lula, 48% no 2º turno

Diferença de quatro pontos está no limite da margem de erro do levantamento, de dois pontos percentuais para cada lado

Agora, o movimento está associado ao PL, partido com uma bancada expressiva no Congresso, recursos financeiros e uma direção nacional com interesses próprios.

“O PL não é só do bolsonarismo. O PL é do bolsonarismo e do Valdemar Costa Neto”, afirmou o professor.

O poder de Valdemar

Na avaliação de Chaloub, o presidente nacional do PL terá influência crescente sobre as decisões do grupo, especialmente na distribuição de recursos e na definição de candidaturas.

O fortalecimento da legenda também altera a relação entre as lideranças bolsonaristas e a estrutura partidária. Se antes Jair Bolsonaro tinha maior liberdade para promover novos nomes, agora precisará considerar os interesses de parlamentares e dirigentes que disputam espaço dentro do PL.

“Não é só a família que decide, o Bolsonaro que aponta”, disse Chaloub, ao destacar que as escolhas políticas passarão por negociações com quem controla a estrutura partidária.

Essa mudança pode ajudar a organizar disputas internas e reduzir conflitos, mas também tende a dificultar a ascensão rápida de novas lideranças.

O professor citou a trajetória de Tarcísio de Freitas como exemplo de um crescimento político que poderia encontrar mais obstáculos em uma legenda com hierarquias consolidadas.

Um bolsonarismo mais internacional

As diferenças, segundo Chaloub, não se limitam à organização partidária. O discurso de Flávio também revela mudanças em relação à campanha de Jair Bolsonaro em 2018.

Naquela eleição, o nacionalismo ocupava um espaço central na comunicação do então candidato. Em 2026, o professor identifica maior aproximação com lideranças internacionais da direita, especialmente Donald Trump, nos Estados Unidos, e Javier Milei, na Argentina.

Essa orientação, avalia, pode ter consequências para a política externa de um eventual governo Flávio, inclusive na relação com empresas de tecnologia e governos ideologicamente próximos.

Chaloub também aponta diferenças na relação com o mercado financeiro. Enquanto Jair Bolsonaro apresentou Paulo Guedes como principal referência econômica ainda durante a campanha de 2018, Flávio não conta com uma figura de protagonismo equivalente.

Para o cientista político, a combinação de uma estrutura partidária mais forte, novas alianças internacionais e disputas internas tende a produzir um movimento diferente daquele que levou Jair Bolsonaro à Presidência.

A reorganização, contudo, não depende necessariamente de uma vitória de Flávio. O resultado das urnas poderá definir a força de cada liderança, mas o PL já ocupa uma posição central nas negociações sobre o futuro da direita brasileira.

Nesta reta final da eleição, o Mapa de Risco terá edições especiais ao vivo, de segunda a sexta-feira, às 18h, no canal do YouTube do InfoMoney .

The post Bolsonarismo será diferente após eleição, com ou sem vitória de Flávio, diz cientista appeared first on InfoMoney .