# Outubro Rosa: ela venceu um câncer de mama considerado incurável em meio à alta de casos entre jovens

- Seção: Tecnologia
- Fonte: Olhar Digital (https://olhardigital.com.br/2026/10/20/medicina-e-saude/outubro-rosa-ela-venceu-um-cancer-de-mama-considerado-incuravel-em-meio-a-alta-de-casos-entre-jovens/)
- Publicado em: 2026-10-20T17:22:37.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1272514-outubro-rosa-ela-venceu-um-cancer-de-mama-considerado-incuravel-em-meio-a-alta

> Sobrepeso, sedentarismo , tabagismo, consumo de álcool , maternidade depois dos 30 anos, ter mais de 40… Essas são algumas das condições mais comuns entre as pessoas diagnosticadas com câncer de mama, o segundo tipo com maior número de…

No entanto, não se enquadrar no perfil de risco não significa descartar a atenção. A história da influenciadora digital e relações-públicas Leticia Prates mostra que a doença também pode atingir mulheres jovens e fora das estatísticas convencionais.

“Fui diagnosticada aos 25 anos e estou aqui pra dizer que uma em cada oito mulheres tem ou vai ter câncer de mama”, declarou Letícia, que também é professora, em entrevista ao Olhar Digital . “É muita gente, e a doença está cada vez mais comum entre jovens.&#8221;

Letícia Prates aos 25 anos, quando foi diagnosticada com câncer de mama (esquerda). Hoje, aos 38, totalmente livre da doença desde 2019. &#8211; Crédito: Arquivo pessoal

Segundo Letícia, exatamente pela pouca idade com que percebeu uma “bolinha” em seu seio esquerdo, a primeira médica com quem se consultou, sua ginecologista desde a adolescência, não considerou a possibilidade de um tumor. “Pare de ser hipocondríaca”, teria dito, em tom de brincadeira, para acalmar a paciente, que insistia em remover o caroço. “Depois de muita insistência de minha parte, ela concordou em fazer uma cirurgia para remover essa bolinha, que crescia em larga escala. Durante a cirurgia, o patologista já notou que se tratava de um câncer e pediu exames específicos. Em 15 dias, tive o resultado desses exames, que comprovaram que eu tinha um carcinoma invasivo grau 2”.

Ela conta que estava tão ansiosa para retirar logo aquilo de seu corpo, que nem teve tempo de sentir o impacto estético da cirurgia. “Eu estava tão nervosa pra tirar logo o câncer de mim, que achei um alívio”, recorda-se. “Logo, já fiz a reconstrução”.

“Claro que não é o sonho de ninguém perder um pedaço de si, qualquer que seja, na juventude. Principalmente, a mama para uma mulher”, diz Letícia. “Mas é super possível e importante manter o amor próprio e a autoestima, independentemente do seu corpo físico”, acredita. “Afinal, ser &#8216;gostosa&#8217; é um estado de espírito e não um formato de corpo”.

“Graças aos avanços da ciência e ao SUS”

Depois de passar por diversos ciclos de quimioterapia , radioterapia, metástase nos ossos e linfonodos, atualmente Letícia tem 38 anos e está totalmente “zerada”, em suas palavras. “Sigo zerada graças aos avanços da ciência e ao SUS (Sistema Único de Saúde)”.

“Hoje em dia, 95% dos casos de mama são curáveis quando detectados no começo. Sendo assim, hoje você tem 95% de chance de sobreviver ao câncer de mama com os novos tratamentos”, afirma Letícia, ressaltando que o câncer é uma doença crônica, como diabetes, hipertensão ou asma, logo, não tem cura. “Porém, é possível deixar a doença inativa por muitos anos e seguir uma vida completamente saudável. Eu sou muito mais saudável depois do câncer, cuido melhor da minha alimentação e faço exercícios físicos regularmente, por exemplo”.

Letícia alerta sobre a importância do autoexame das mamas. “O autoexame é importantíssimo. Por meio dele, a pessoa passa a conhecer melhor seu próprio corpo, o que permite perceber qualquer alteração o quanto antes. Mas, ele não substitui a mamografia e/ou o ultrassom, que devem ser realizados anualmente, e, diria eu, não espere os 40 para fazer”.

Embora existam fatores de risco, qualquer pessoa (mulher ou homem) pode ter câncer de mama. &#8211; Crédito: Imagem gerada por IA

Por que têm aumentado os casos de câncer entre adultos mais jovens?

O crescimento acelerado nos diagnósticos de câncer entre adultos jovens se tornou um alerta de saúde global. Em diversos países, pessoas no auge de sua fase produtiva e pessoal enfrentam a descoberta prematura de tumores em diferentes órgãos do corpo.

De acordo com o Oncoguia , em apenas 30 anos, houve um aumento de 79% na quantidade de novos casos de câncer descobertos anualmente em pessoas com menos de 50 anos.

Dados do Painel Oncologia do DataSUS refletem essa tendência mundial no Brasil, onde os registros da doença entre jovens de 18 a 50 anos subiram 284% na última década. Segundo projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA) , o país deve registrar 781 mil novos casos anuais, com aumento marcante de casos de tumores de intestino, mama, próstata e estômago nos mais novos.

O avanço desse cenário em escala global tem mobilizado profissionais da saúde e pesquisadores a investigar hábitos modernos, exposições ambientais e mutações genéticas. A prioridade atual das entidades médicas é entender o que mudou na biologia e no ambiente das últimas gerações para antecipar a prevenção.

Letícia na primeira sessão e quimioterapia, em 2014, e hoje, participando de eventos de conscientização da campanha Outubro Rosa. &#8211; Crédito: Arquivo pessoal

Fatores de risco conhecidos e novos hábitos

O aumento dos casos em todo o mundo está fortemente associado às transformações profundas no estilo de vida das últimas décadas. A ampla disponibilidade de alimentos ultraprocessados, o sedentarismo e a epidemia de obesidade geram processos inflamatórios contínuos no organismo, criando um ambiente propício para alterações celulares nocivas.

Segundo Maria Del Pilar Estevez Diz, médica da Oncologia D’Or, uma rede de clínicas e centros especializados no diagnóstico e no tratamento do câncer e de doenças hematológicas, e coordenadora da Oncologia Clínica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), as transformações urbanas registradas no Brasil a partir da década de 1950 alteraram a exposição da população a agentes ambientais nocivos. Ela alerta que esse contato com substâncias químicas e poluentes ocorre desde o nascimento.

&#8220;Do ponto de vista do ambiente, temos a exposição a disruptores endócrinos, que modificam os hormônios naturais e podem estar presentes em plásticos, produtos de higiene corporal, produtos de limpeza e alimentos”, explicou a médica em entrevista ao Olhar Digital . “Os microplásticos causam um processo inflamatório crônico no organismo.&#8221;

Além das interferências no ritmo do sono provocadas pela luz artificial e pelas telas, a má alimentação se consolida como um dos principais motores desse avanço. O consumo excessivo de ultraprocessados ricos em açúcares e gorduras, somado à falta de exercícios físicos, cria um ambiente metabólico propício para a formação de tumores.

Fique atenta aos sinais! &#8211; Crédito: Imagem gerada por IA

Particularidades do câncer em pessoas jovens

Cientistas do mundo todo tentam entender se os tumores que surgem em adultos jovens são mais agressivos ou agem de forma diferente daqueles diagnosticados em pessoas idosas.

Maria Pilar destaca que a manifestação da doença fora da janela etária habitual costuma apresentar características biológicas mais desafiadoras. &#8220;De uma maneira geral, tumores que ocorrem fora da faixa etária esperada têm um comportamento mais agressivo, isso vale para tumores que são típicos de idades mais avançadas e ocorrem em mais jovens. Da mesma forma, um tumor que é típico de crianças, por exemplo, costuma ser mais agressivo quando ocorre no adulto.&#8221;

Em vários tipos de câncer, a resposta a tratamentos tradicionais como a quimioterapia é idêntica, independentemente da idade do paciente no momento do diagnóstico. Por outro lado, no câncer de mama, subtipos mais agressivos e de desenvolvimento rápido surgem com maior frequência em mulheres jovens.

Mudanças no comportamento reprodutivo – como a maternidade após os 35 anos, menor tempo de amamentação e a primeira menstruação em idade cada vez mais precoce – prolongam a exposição ao estrogênio. Segundo a especialista, o consumo de álcool e fatores genéticos, como mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, elevam ainda mais esses riscos.

Mesmo enfrentando um diagnóstico em estágio 4 (quando o câncer sofreu metástase, ou seja, se espalhou para outras partes do corpo), a trajetória de Letícia mostra a evolução da medicina. Ela conta que está em remissão desde fevereiro de 2019, sem qualquer sinal da doença no organismo.

Acompanhada pelo médico Fernando Maluf, diretor do Serviço de Oncologia Clínica do Hospital Beneficência Portuguesa e membro da equipe médica do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, Letícia respondeu com sucesso a tratamentos modernos que reverteram um quadro tido pela literatura médica como incurável.

“Eu faço parte de um grupo muito pequeno de pessoas metastasiadas que estão curadas. Eu estou curada”, comemora. Quem quiser conversar com a Letícia Prates e saber mais sobre essa incrível história de superação, basta procurar pela hashtag #cancerjovem nas redes sociais.

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