A competitividade do etanol é favorecida pela maior oferta do biocombustível no mercado brasileiro, enquanto a gasolina permanece em um patamar elevado de preços. A diferença faz com que o combustível vegetal seja uma alternativa mais econômica em grande parte do país. Apenas Amapá, Sergipe e Rio Grande do Norte apresentam uma relação de preços superior a 75%.

A referência tradicional para avaliar a vantagem econômica do etanol é de 70% do preço da gasolina , uma vez que o biocombustível tem menor poder calorífico e, em geral, proporciona menor autonomia por litro. Entretanto, a proporção varia conforme a eficiência do motor. Em veículos flex mais modernos, o etanol pode compensar mesmo quando seu preço corresponde a até 75% do valor da gasolina .

A maior disponibilidade de etanol está relacionada à expansão da produção brasileira de cana-de-açúcar e milho, que está em trajetória de alta após safras recordes. Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a produção nacional do biocombustível deve alcançar 41,88 bilhões de litros na safra 2026/27 , alta de 11,7% em relação ao ciclo anterior.

A gasolina, por sua vez, permanece em um patamar elevado, apesar da relativa estabilidade recente nas bombas, em um cenário de pressão das cotações internacionais do petróleo e dos custos de refino e distribuição.

As diferenças regionais também influenciam a competitividade. Estados próximos aos principais polos produtores de etanol, concentrados no Centro-Sul, tendem a registrar preços mais baixos em razão dos menores custos de transporte e distribuição. Mato Grosso, São Paulo e Goiás apresentam as menores relações entre o preço do etanol e o da gasolina, de 60,3%, 60,7% e 62,1% , respectivamente.

Em regiões mais distantes das usinas, como o Norte e parte do Nordeste, a necessidade de transportar o combustível por trajetos mais longos e as limitações da infraestrutura logística elevam o custo final.

A conta tradicional, porém, pode estar defasada diante do aumento da mistura de etanol anidro na gasolina. Desde 1º de agosto de 2026 , o percentual obrigatório passou de 30% para 32% , conforme decisão do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética). Como o etanol possui menor conteúdo energético, a mudança reduz a energia disponível por litro de gasolina e pode ampliar a vantagem do biocombustível.