Um adolescente de 13 anos diagnosticado com leucemia enfrenta dificuldades para realizar um transplante de medula óssea recomendado pelos médicos em junho.

Segundo a família, o plano de saúde Klini Saúde ainda não autorizou o procedimento. A situação se agravou em agosto, quando a operadora e o sindicato dos servidores de São Gonçalo suspenderam o contrato coletivo que atendia o menino, em meio ao tratamento contra a doença.

A família recorreu à Justiça e conseguiu uma decisão que determina a continuidade da assistência médica. Mesmo assim, o transplante ainda não foi realizado. De acordo com a mãe do adolescente, os exames necessários já foram feitos, e o irmão mais velho dele está apto a ser o doador.

Lucas Mendes Pereira foi diagnosticado com leucemia no início deste ano e passou por sessões de quimioterapia. Durante o tratamento, desenvolveu uma síndrome que comprometeu os movimentos dos braços e das pernas. Ele também perdeu a visão.

“Eu não faço mais as coisas que eu gosto, não porque eu não quero, é porque eu não consigo. E eu quero voltar a fazer essas coisas”, contou Lucas.

Família enfrenta dificuldades para manter o tratamento

Lucas com os pais, Karinna e Leandro

A mãe do adolescente, Karinna Mendes, é servidora da Prefeitura de São Gonçalo e tinha um plano coletivo da Klini Saúde, oferecido por meio do sindicato dos servidores municipais.

Em agosto, o contrato foi suspenso. Segundo Karinna, o novo plano disponibilizado pelo sindicato não aceitou Lucas como dependente, e a família também não conseguiu contratá-lo em outras operadoras na modalidade individual.

Com a interrupção do vínculo, a família passou a enfrentar dificuldades para manter os cuidados médicos do adolescente. A mãe relata que, em outubro, o hospital que acompanha o menino entrou em contato com ela após receber informações da Klini Saúde sobre o prazo para a realização de uma manutenção da quimioterapia.

“Eles estão dificultando tudo. Não sei se querem que eu desista. É desgastante, porque é um direito do meu filho”, afirmou Karinna.

O pedido de transplante de medula óssea foi feito em junho, três meses antes da suspensão do contrato, segundo a mãe. Desde então, a família aguarda uma resposta da operadora.

Karinna afirma que o irmão mais velho de Lucas já realizou os exames para a doação e que os preparativos necessários estão concluídos. A realização do procedimento depende, segundo ela, da liberação pelo plano de saúde.

Diante da falta de resposta, a família acionou a Justiça. Uma decisão determinou que o atendimento de Lucas fosse mantido até o fim do tratamento. Ainda assim, o transplante não foi realizado.

Em uma nova decisão, proferida na segunda-feira (19), a Justiça estabeleceu prazo de 24 horas para que a Klini Saúde reative o plano do adolescente.

Karinna Mendes, mãe de Lucas, aguarda a liberação do transplante de medula óssea do filho

Especialista destaca continuidade da assistência

A professora de Direito Constitucional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Juliana Cesario Alvim explica que a continuidade da assistência é especialmente importante em casos graves, nos quais a interrupção do tratamento pode comprometer a saúde do paciente.

“Casos de risco à vida, casos de risco à integridade física, têm que ser tratados com todo o cuidado, priorizando e privilegiando a continuidade do tratamento. Ainda mais sendo um tratamento essencial, e a jurisprudência reconhece isso em vários julgados”, afirmou.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem decisões sobre a manutenção da assistência a pacientes em tratamento médico durante situações de rescisão ou cancelamento de contratos de planos de saúde. A aplicação dessas regras depende das circunstâncias do caso e das condições previstas na legislação e na jurisprudência.

Família faz rifas para ajudar nas despesas

Lucas Mendes Pereira, de 13 anos, foi diagnosticado com leucemia no início de 2026

Enquanto aguarda a solução para o atendimento, a família tem buscado alternativas para pagar despesas com fisioterapia e outros serviços necessários à recuperação de Lucas. Os parentes também organizam rifas para ajudar a custear as contas da casa e os gastos com o tratamento.

Karinna diz que a situação tem provocado desespero e indignação, principalmente pela incerteza em relação à assistência do filho.

“É brincar com a vida de alguém. Nem é raiva, não é isso. Quem é mãe sabe o que eu estou sentindo”, desabafou.

Procurada, a Klini Saúde foi questionada sobre as dificuldades relatadas pela família e sobre a previsão de autorização do transplante, mas não havia respondido até a última atualização desta reportagem.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) também foi procurada, e o g1 aguardava um posicionamento.

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