Em uma decisão divulgada na segunda-feira e obtida pela Rolling Stone , a juíza Leslie A. Stroth , da Suprema Corte do Estado de Nova York, concluiu que Morgan Carey não conseguiu demonstrar que a irmã agiu com “malícia real” ao fazer as declarações contestadas por ele.

Morgan alegou no processo que a irmã prejudicou sua reputação, que descreveu como “excelente e impecável”, ao retratá-lo como violento, acusá-lo de traficar “doces em pó para festas” — uma referência à cocaína — e dizer que ele tinha “problemas comportamentais” na infância. Ele afirmou que Mariah usou a mãe, já falecida, como fonte de parte do material e se preocupou mais com o sucesso comercial do livro do que em verificar a veracidade das afirmações. Segundo ele, os danos ultrapassariam US$ 20 milhões.

A juíza, porém, concluiu que Morgan não poderia comprovar malícia real apenas apontando para a deterioração da relação com a irmã famosa. Pela lei de Nova York que protege a participação pública contra ações judiciais abusivas, quem move uma ação precisa demonstrar que a pessoa acusada fez uma declaração falsa sabendo que era falsa ou agindo com desconsideração temerária pela verdade.

“O autor não alegou de forma suficiente a existência de malícia real por parte de [ Mariah ]”, escreveu a juíza Stroth . “O autor não apresenta nenhuma prova de que [ Mariah ] tenha feito tais declarações sabendo que eram falsas ou com desconsideração temerária pela falsidade ou pela verdade. Embora o autor alegue que [ Mariah ] demonstra animosidade em relação ao irmão, essa afirmação é insuficiente, e o autor não cumpriu o requisito de alegar a existência de malícia real”.

Em declaração à Rolling Stone , o advogado de Mariah , John Rosenberg , afirmou que a cantora “está satisfeita porque o tribunal reconheceu que sua autobiografia aborda questões importantes de interesse público e rejeitou integralmente as acusações de difamação feitas pelo irmão”.

Rosenberg disse que a artista, vencedora do Grammy, “acredita que a importância da decisão do tribunal vai muito além de seus próprios interesses neste processo específico, pois confirma que autores devem ter ampla proteção quando se manifestam sobre questões de interesse público”.

Morgan abriu o processo em 28 de maio de 2021. Seu advogado disse à Rolling Stone que a disputa ainda não terminou. “Discordamos respeitosamente da decisão de hoje, que é totalmente incompatível com decisões anteriores no caso”, afirmou o advogado Richard Altman em um e-mail. “Pretendemos recorrer muito em breve”.

A vitória judicial chega num momento em que Mariah Carey volta as atenções para o Brasil. A cantora traz pela primeira vez ao país sua turnê natalina Mariah Carey’s Christmas Time — criada para celebrar os 30 anos do álbum Merry Christmas (1994) —, com apresentações marcadas para 17 de novembro no Nubank Parque, em São Paulo, e 21 de novembro na Farmasi Arena, no Rio de Janeiro. Os ingressos estão disponíveis pelo site da Eventim.

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