A Netflix registrou receita de US$ 12,9 bilhões no terceiro trimestre, em linha com as expectativas do mercado, e projetou faturamento de US$ 13,4 bilhões nos últimos três meses do ano, abaixo das estimativas dos analistas. O ritmo de crescimento da receita desacelerou de 17,6% no quarto trimestre do ano passado para uma projeção de 11,5% no quarto trimestre deste ano. A empresa atribuiu a frustração com as vendas ao negócio de publicidade, que deve gerar US$ 300 milhões a menos do que o esperado.
As ações chegaram a cair até 7% após a divulgação dos resultados.
O lucro por ação de 87 centavos de dólar no terceiro trimestre superou a previsão dos analistas, de 82 centavos.
O co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, disse à Bloomberg no mês passado que a empresa não está crescendo tão rápido quanto gostaria e que está “trabalhando para acelerar esse movimento”.
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Na última semana, Sarandos promoveu uma reformulação na liderança da companhia para enfrentar o que considera uma queda na qualidade da programação. A Netflix demitiu a diretora de conteúdo Bela Bajaria e o chefe da divisão de filmes Dan Lin, apenas alguns dias após anunciar cortes de 6% do quadro de funcionários, cerca de 1.000 empregos. A última vez que a companhia realizou uma redução dessa magnitude foi em 2022, quando registrou sua primeira perda trimestral de assinantes em mais de dez anos.
A projeção de margem operacional de 26% para o quarto trimestre também foi impactada pelos custos associados às demissões.
Sarandos e o co-CEO Greg Peters caminham em uma linha tênue, tentando convencer investidores de que a empresa tem um futuro promissor ao mesmo tempo em que reconhecem que os resultados não estão evoluindo tão bem quanto gostariam. A Netflix continua sendo a líder do streaming, com mais de 325 milhões de assinantes, número que, segundo a empresa, equivale a quase 1 bilhão de espectadores. A plataforma responde por mais audiência do que qualquer outro serviço de streaming de Hollywood.
Mas estúdios de Hollywood não reformulam suas equipes de conteúdo quando tudo está indo bem. A Netflix passou meses sem lançar um grande sucesso de cinema ou TV capaz de marcar a cultura popular e tem enfrentado dificuldades para atrair público tanto para novas produções quanto para novas temporadas de séries já estabelecidas. Além disso, o número de prêmios Emmy conquistados pela empresa caiu ao menor nível em dez anos em 2026.
“Com a intensa concorrência e uma explosão de conteúdo disputando a atenção dos consumidores, clareza estratégica e excelência na execução são essenciais”, afirmou a empresa em carta aos acionistas. Embora esteja cumprindo suas prioridades, “vemos espaço para fazer ainda melhor”.
Por muitos anos uma das queridinhas de Wall Street, a Netflix passou a enfrentar maior ceticismo dos investidores desde que tentou adquirir os negócios de estúdios e streaming da Warner Bros. Discovery. Após perder a disputa pela aquisição, a companhia tem dificuldades para convencer o mercado de que possui uma estratégia de crescimento sustentável sem recorrer a compras de grande porte. As ações acumulam queda de cerca de 25% neste ano e de mais de 40% em relação ao mesmo período do ano passado.
Investidores e analistas também vêm pressionando a empresa em relação ao engajamento estagnado. A participação da Netflix no consumo de TV nos Estados Unidos está em 7,8%, segundo a Nielsen, muito abaixo dos cerca de 14% do YouTube. Além disso, os usuários da plataforma assistiram apenas 2% mais conteúdo no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025.
Ao longo de sua trajetória, a Netflix deixou de ser uma pequena plataforma americana focada em séries de prestígio, como House of Cards e The Crown, para se tornar uma gigante global do entretenimento, competindo com canais esportivos, YouTube e outras formas de conteúdo digital.
Bela Bajaria liderou a divisão responsável por sucessos como Round 6 (Squid Game) e Wandinha (Wednesday), além de conduzir a expansão da programação ao vivo da Netflix, incluindo esportes e produções sem roteiro. No entanto, seu histórico de acertos perdeu força ao longo do último ano, e a qualidade da programação da empresa passou a ser questionada.
Para substituí-la, Sarandos e Peters contrataram Peter Rice, veterano da indústria do entretenimento que já comandou a área de entretenimento geral da Walt Disney Co. e anteriormente atuou como presidente da 21st Century Fox.
“Os investidores precisarão ver rapidamente sinais que restaurem a confiança na trajetória de crescimento que essa poderosa plataforma global deveria ser capaz de oferecer”, escreveu o analista David Joyce, da Seaport Research Partners, antes da divulgação dos resultados.
A Netflix busca aumentar o tempo que os usuários passam na plataforma expandindo sua atuação em esportes ao vivo, podcasts e videogames, além de integrar conteúdo de terceiros, como a programação da emissora francesa TF1.
© 2026 Bloomberg L.P.
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