Antes de atender um paciente, estudantes de Medicina podem treinar procedimentos em simuladores capazes de reproduzir diferentes cenários clínicos. No estudo da anatomia, recursos digitais ajudam a visualizar estruturas do corpo humano, enquanto tecnologias relacionadas à inteligência artificial, ciência de dados e saúde digital começam a integrar as competências necessárias para a formação dos novos profissionais. Essa transformação na forma de ensinar Medicina também está presente no Agreste pernambucano, onde a Afya Garanhuns combina tecnologia, simulação realística, metodologias ativas e experiências práticas ao longo da graduação.
A proposta vai além da presença de equipamentos modernos em laboratórios. A tecnologia passa a ser utilizada como parte do processo de aprendizagem, permitindo que os estudantes pratiquem habilidades, discutam casos, tomem decisões e enfrentem situações próximas da realidade médica antes do contato com pacientes.
Para o coordenador do curso de Medicina da Afya Garanhuns, Almir Penaforte Júnior, a incorporação desses recursos é uma adaptação às transformações da própria profissão. “A formação médica precisa acompanhar as mudanças que acontecem na sociedade e nos serviços de saúde. A tecnologia não substitui a relação humana nem a prática com o paciente, mas amplia as possibilidades de aprendizagem e permite que o estudante desenvolva habilidades em diferentes cenários antes de assumir responsabilidades cada vez maiores na sua atuação profissional”, afirma.
Vivências clínicas em ambiente controlado
Um dos exemplos mais visíveis dessa mudança está no Centro de Simulação Realística e Habilidades da instituição. O espaço permite que os estudantes vivenciem situações clínicas e pratiquem procedimentos em um ambiente controlado, utilizando manequins e simuladores capazes de reproduzir diferentes condições reais encontradas na rotina médica.
Segundo Almir Penaforte Júnior, esse tipo de experiência ajuda a transformar o conhecimento teórico em habilidade prática. “O estudante não aprende Medicina apenas ouvindo uma explicação. Ele precisa observar, discutir, testar seus conhecimentos e entender como agir diante de situações que encontrará ao longo da carreira. A simulação cria um ambiente seguro para esse processo e permite uma aprendizagem mais ativa”, explica.
Novas formas de explorar o conhecimento
Outro detalhe é a forma como conteúdos tradicionalmente associados a livros, peças anatômicas e aulas expositivas podem ser explorados. Recursos digitais, telas e outras ferramentas tecnológicas ajudam a complementar o estudo da Anatomia e permitem diferentes formas de visualização e interação com os conteúdos.
Estudantes participam de atividades práticas em grupos / Divulgação/Afya Garanhuns.
A tecnologia, nesse caso, complementa os métodos tradicionais e amplia as possibilidades de aprendizagem. O estudante pode combinar diferentes recursos para compreender estruturas, funções e relações do corpo humano, construindo uma base de conhecimento que será aplicada posteriormente nos cenários de prática.
A coordenadora do Núcleo de Apoio Pedagógico e Experiência Docente, Giani Cavalcante, destaca que a transformação envolve não apenas os equipamentos disponíveis, mas a maneira como eles são inseridos no processo educacional. “O recurso tecnológico, sozinho, não garante uma aprendizagem melhor. O mais importante é como ele é utilizado para estimular a participação do estudante, a reflexão e a construção do conhecimento. A tecnologia precisa fazer sentido dentro da metodologia e contribuir para aproximar o aluno das situações que ele encontrará na sua futura atuação”, afirma.
Recursos que aproximam teoria e prática
A presença da tecnologia também acompanha uma mudança na própria dinâmica das aulas. Além dos laboratórios e simuladores, os estudantes participam de atividades em pequenos grupos, discussões de casos e situações que exigem análise e resolução de problemas.
Nesse modelo, o estudante é estimulado a participar ativamente do processo de aprendizagem, analisando situações, discutindo possibilidades e buscando soluções para os problemas apresentados.
O objetivo não é preparar médicos para depender exclusivamente da tecnologia, mas formar profissionais capazes de compreender as mudanças que já fazem parte do setor e utilizar esses recursos de maneira crítica e responsável.
“Os futuros médicos vão atuar em um cenário muito diferente daquele encontrado por gerações anteriores. A digitalização dos serviços, o uso crescente de dados e o avanço da inteligência artificial já fazem parte dessa realidade. Por isso, a formação precisa preparar o estudante não apenas para utilizar novas ferramentas, mas também para entender seus limites, suas possibilidades e a responsabilidade envolvida em cada decisão”, afirma Almir Penaforte Júnior.
Da simulação ao cenário real
Mesmo com todo esse avanço, a formação médica continua dependendo da experiência prática. Os recursos tecnológicos utilizados durante a graduação contribuem para preparar o estudante para situações que, posteriormente, serão vivenciadas em ambulatórios e outros serviços de saúde.
Para a diretora geral da Afya Garanhuns, Adriene Jacinto Pereira, oferecer esse conjunto de experiências no interior também ajuda a ampliar o acesso a uma formação conectada às transformações da Medicina. “Estudar no Agreste não significa estar distante das transformações que acontecem na educação e na saúde. Pelo contrário: nosso compromisso é oferecer aos estudantes e futuros profissionais uma formação que combine estrutura, inovação, experiências práticas e conexão com a realidade da região onde esses futuros médicos estão sendo preparados”, destaca.
A combinação entre tecnologia e experiência prática contribui para preparar profissionais capazes de atuar em um sistema de saúde cada vez mais complexo, digital e conectado. Ao mesmo tempo, essa formação trabalha com os estudantes a importância de manter a humanização no centro do cuidado, valorizando a escuta, o olhar atento e a relação próxima entre médico e paciente.
CONTATO: (87) 9 7604-4148

