Entre julho e setembro, a companhia obteve lucro líquido de US$ 4,4 bilhões (R$ 23,8 bilhões), revertendo o prejuízo de US$ 1,1 bilhão (R$ 5,9 bilhões) registrado um ano antes. O resultado também superou as expectativas de analistas de Wall Street, segundo informações divulgadas pela empresa.
O desempenho marca nova etapa para a SpaceX, que deixou de depender principalmente de lançamentos espaciais e serviços de conectividade para ampliar sua atuação no mercado de infraestrutura computacional. A companhia vem alugando capacidade de seus centros de dados para empresas que precisam de poder de processamento para desenvolver e executar modelos de IA.
IA responde por mais da metade da receita
A divisão de IA, chamada Super Intelligence pela SpaceX, gerou US$ 7,6 bilhões (R$ 41 bilhões) no terceiro trimestre. O valor representa mais da metade da receita total da companhia e é quase dez vezes superior aos US$ 813 milhões (R$ 4,4 bilhões) registrados no mesmo período de 2025;
O resultado também representa avanço expressivo em relação ao trimestre anterior, quando a divisão faturou US$ 2,56 bilhões (R$ 13,8 bilhões);
O crescimento está relacionado, em grande parte, aos contratos de fornecimento de infraestrutura computacional para outras empresas. Entre os clientes mencionados nos relatos sobre o balanço estão a Anthropic e o Google, que utilizam capacidade de processamento para treinar e operar seus sistemas de IA;
A SpaceX também incorporou a Cursor, startup especializada em ferramentas de programação com IA, em operação avaliada em US$ 60 bilhões (R$ 324 bilhões), concluída durante o trimestre;
A expansão mostra como Musk vem aproveitando a demanda crescente por capacidade computacional para criar nova fonte de receita. Em vez de utilizar toda a infraestrutura exclusivamente em seus próprios projetos, a empresa também comercializa acesso aos recursos para companhias que disputam espaço no mercado de IA.
Starlink continua crescendo
Apesar da ascensão da IA, os negócios de conectividade permanecem importantes para a SpaceX. A divisão, que reúne serviços da Starlink para consumidores, empresas e governos, apresentou crescimento anual de 69% na receita e de 99% no resultado operacional.
A empresa atribui o desempenho à expansão da base de assinantes da internet via satélite e ao aumento da adoção dos serviços por clientes corporativos e governamentais.
A companhia também está ampliando seus planos para levar conectividade diretamente a dispositivos móveis. Entre as iniciativas estão a aquisição de 800 MHz de espectro de baixa frequência e projeto de constelação de até 15 mil satélites, medidas que podem colocar o Starlink Mobile em concorrência mais direta com operadoras tradicionais.
A expansão, entretanto, exige novos investimentos e depende da implantação de satélites adicionais e da construção de infraestrutura capaz de atender a número maior de usuários.
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SpaceX investe R$ 105,8 bilhões em três meses
O crescimento da receita veio acompanhado de aumento expressivo nos investimentos. A SpaceX registrou despesas de capital de US$ 19,6 bilhões (R$ 105,8 bilhões) no terceiro trimestre, ante US$ 6,9 bilhões (R$ 37,3 bilhões) no mesmo período de 2025.
Desse total, aproximadamente US$ 16,44 bilhões (R$ 88,8 bilhões) foram destinados à divisão de Super Intelligence, segundo dados divulgados durante a cobertura dos resultados. Os recursos estão associados principalmente à expansão da infraestrutura computacional e dos centros de dados para serviços de IA.
O volume de investimentos evidencia o custo de disputar espaço no mercado de IA. A empresa precisa ampliar sua capacidade de processamento para atender aos contratos existentes e aproveitar a demanda por recursos computacionais, ao mesmo tempo em que financia projetos espaciais de longo prazo.
Mesmo com os gastos elevados, a SpaceX informou lucro operacional de US$ 2,8 bilhões (R$ 15,1 bilhões) e EBITDA ajustado de US$ 8,8 bilhões (R$ 47,5 bilhões) no trimestre. O EBITDA ajustado é um indicador financeiro que busca medir o desempenho operacional antes de determinados custos financeiros, impostos, depreciação e amortização, conforme os critérios de ajuste adotados pela empresa.
Starship realiza missão comercial com satélites Starlink
A divisão espacial também teve marco operacional no trimestre. A SpaceX informou que realizou sua primeira missão geradora de receita com a Starship, utilizando o foguete para colocar 26 satélites Starlink V3 em operação.
Segundo a empresa, a missão adicionou à constelação aproximadamente dez vezes a capacidade de transmissão de dados que um lançamento de satélites Starlink com o Falcon 9 acrescentaria.
A Starship é peça central dos planos de expansão da companhia. Além de ampliar a capacidade de lançamento de satélites, o veículo é importante para projetos espaciais e para a estratégia de longo prazo de Musk, que inclui a possibilidade de instalar infraestrutura computacional fora da Terra.
A empresa, porém, ainda precisa conciliar o desenvolvimento desses projetos com os investimentos necessários para sustentar o crescimento da divisão de IA e dos serviços de conectividade.
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