É um estilo de liderança que até mesmo Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, admite admirar.

“Eu adoro Ted Lasso”, disse Dimon recentemente ao Wall Street Journal. “Ele chega sem saber nada sobre futebol e simplesmente demonstra generosidade. Trabalha com as pessoas, suas inseguranças, seus maus comportamentos, sua ética de trabalho, e consegue fazer com que funcionem como uma equipe.”

O executivo, de 70 anos, acrescentou que Lasso toca em um ponto que muitos líderes corporativos têm dificuldade de equilibrar: combinar humildade e empatia com uma determinação inabalável para vencer.

“A maioria dessas empresas tem enormes capacidades, propriedade intelectual e ótimos profissionais. Mas muitas grandes companhias são políticas e burocráticas”, afirmou Dimon. “As pessoas gostariam de sair desse ambiente, a maioria delas. Mas alguns dos indivíduos problemáticos querem manter tudo assim, como autocratas, porque se beneficiam disso.”

Segundo o CEO do JPMorgan, isso costuma aparecer quando empresas precisam contratar um novo executivo para corrigir problemas culturais. Para ele, muitas organizações se beneficiariam ao agir mais como Lasso desde o início e incentivar que os problemas sejam discutidos abertamente, mesmo quando isso é desconfortável.

“Um bom líder, com o tempo, entende o que está acontecendo, afasta algumas dessas pessoas e o lugar começa a prosperar”, acrescentou. “Pode levar tempo porque esses ‘enroladores’ fazem isso há 25 anos e normalmente são muito bons nisso. É difícil perceber em tempo real.”

CEO da Chevron concorda: os melhores líderes fazem perguntas

Dimon não é o único executivo a enxergar lições de liderança na série, atualmente em sua quarta temporada e estrelada por Jason Sudeikis e Hannah Waddingham.

O CEO da Chevron, Mike Wirth, também elogiou a abordagem de Lasso, especialmente sua disposição de ouvir antes de tirar conclusões.

“No nosso trabalho, é fácil presumir que já sabemos a resposta”, disse Wirth ao Wall Street Journal. “É fácil achar que sabemos o que causou um problema, o que um cliente quer ou qual é a melhor opção. Mas os melhores líderes com quem trabalhei fazem algo diferente. Eles fazem perguntas. Eles escutam. Buscam compreender antes de decidir.”

Essa filosofia está no centro da trajetória improvável de Ted Lasso. Contratado para comandar um clube inglês mesmo tendo experiência apenas no futebol americano, ele precisou aprender um novo esporte enquanto conquistava a confiança de jogadores que inicialmente desconfiavam dele. Em vez de fingir que sabia tudo, manteve a curiosidade, apoiou-se nos outros e foi se adaptando ao longo do caminho.

Wirth afirma que essa mesma disposição para aprender com pessoas de diferentes origens o ajudou durante toda sua carreira na Chevron.

“Algumas das lições mais importantes que aprendi vieram de conversas com pessoas que tinham experiências diferentes das minhas, em uma sala de controle de refinaria, em um campo de perfuração ou em uma mesa de operações”, disse. “A curiosidade gera aprendizado. E o aprendizado leva a decisões melhores.”

A lição de uma palavra: “Believe”

Há também uma explicação mais acadêmica para o sucesso da abordagem de Lasso entre líderes empresariais.

Para Bruce Avolio, professor de gestão da Universidade de Washington, o treinador fictício é um exemplo de líder que prioriza aprendizado, humildade e desenvolvimento das pessoas.

“Ted Lasso encara cada situação com curiosidade e encantamento quase infantis”, afirmou Avolio em uma entrevista à universidade. “Ele procura oportunidades para desenvolvimento e desempenho, ao mesmo tempo em que adia julgamentos. Transmite uma humildade genuína, permitindo que aqueles que sabem mais contribuam para o potencial coletivo.”

Segundo o professor, essa abordagem coloca as pessoas à frente dos indicadores de desempenho. Lasso concentra seus esforços nas dinâmicas humanas, que costumam ser uma das partes mais difíceis da liderança.

Para Avolio, a essência da boa liderança está na capacidade de criar um ambiente em que as pessoas possam crescer, tomar suas próprias decisões e continuar tendo sucesso mesmo depois que o líder deixa o cargo.

A famosa placa com a palavra “Believe” (“Acredite”), pendurada no vestiário do AFC Richmond, resume essa filosofia em uma única mensagem. O símbolo chegou até mesmo ao mundo corporativo: segundo relatos, Dimon levou uma versão da placa para os escritórios do JPMorgan, como um lembrete de que construir equipes vencedoras começa por acreditar nas pessoas que as compõem.

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