# Entre China, tarifaço e guerra: o que espera Lula ou Flávio no comércio exterior

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/economia/comercio-exterior-brasil-exportacoes-commodities-eleicoes-2026/)
- Publicado em: 2026-10-21T08:00:00.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1281379-entre-china-tarifaco-e-guerra-o-que-espera-lula-ou-flavio-no-comercio-exterior

> O próximo candidato eleito ou reeleito à presidência deverá comandar o país em um cenário de forte desempenho externo do setor exportador, mas com uma economia ainda relativamente fechada e focada em commodities.

As exportações representam cerca de 27% do Produto Interno Bruto (PIB). Dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que no acumulado de janeiro a outubro de 2026 as exportações brasileiras alcançaram US$ 305,69 bilhões, uma alta de 12% em comparação ao mesmo período de 2025.

As importações somaram US$ 237,34 bilhões (+6,5%), gerando um superávit comercial de US$ 68,35 bilhões — um crescimento de 36,8% — e uma corrente de comércio de US$ 543,03 bilhões (+9,5%). O resultado reflete uma posição confortável no saldo comercial, mas ainda distante de uma maior integração às cadeias globais de valor.

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Supremacia das commodities

O comércio exterior brasileiro segue amplamente consolidado na exportação de commodities, e concentrado em cinco produtos, como petróleo, soja, minério de ferro, milho e proteína animal. Juntos, eles correspondem a mais de 65% das exportações nacionais, analisa Lívio Ribeiro, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e sócio da BRCG Consultoria.

A China é o principal parceiro comercial e, além de liderar a lista, mantém vantagem ante os demais países tanto em valor quanto em toneladas. A lista dos 10 primeiros países inclui também, na ordem, Estados Unidos, Argentina, Países Baixos (Holanda), Índia, Espanha, México, Canadá, Singapura e Chile.

Volume de exportação em 2026 entre os 10 principais parceiros comerciais Ranking Países Valor (US$) Peso (Kg) 1 China 84.677.382.774 342.382.491.127 2 Estados Unidos 27.462.418.858 25.074.168.828 3 Argentina 11.583.551.423 6.472.028.120 4 Países Baixos (Holanda) 10.022.134.790 18.163.256.950 5 Índia 8.228.451.498 16.698.982.306 6 Espanha 7.537.971.908 13.526.549.233 7 México 6.606.490.885 6.302.693.677 8 Canadá 5.693.723.017 5.551.326.941 9 Singapura 5.693.108.157 7.725.145.085 10 Chile 5.406.339.536 3.653.922.873

Petróleo supera a soja na pauta exportadora

Neste ano, o petróleo superou a soja como o principal produto de exportação brasileiro, reflexo do conflito no Oriente Médio, destaca Carlos Primo Braga, ex-diretor de Política Econômica e Dívida do Banco Mundial e professor associado da Fundação Dom Cabral (FDC).

Para ele, as tensões geopolíticas devem manter, em 2027, a cotação internacional do barril do Brent entre US$ 100 e US$ 110, o que beneficia as contas externas, mas também pressiona os subsídios aos combustíveis para segurar o preço da gasolina.

Apesar da crítica à concentração da exportação em commodities, que traz menor valor agregado, Ribeiro afirma que essa concentração não é demérito ou falha de política pública, mas sim reflexo da expansão da China, difícil de replicar em outras nações.

Ribeiro ressalva, contudo, que a dependência de poucos parceiros e produtos embute riscos estruturais e deixa o país suscetível a eventuais desacelerações ou choques nos mercados compradores, que pode gerar impactos desproporcionais sobre a economia brasileira.

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Geopolítica e eleições podem afetar exportações?

A dinâmica das relações comerciais não deve ser abalada no curto prazo caso, caso o candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, vença o candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva.

Apesar de Flávio ter um discurso mais alinhado aos Estados Unidos, a solidez dos contratos com a China não poderá ser desfeita de uma hora para a outra, avaliam os especialistas, nem o tamanho do comércio com o país asiático poderá ser substituído por outros parceiros rapidamente.

&#8220;Comércio não é ideologia. Comércio é contrato, comércio é produto, comércio é complementariedade de pauta&#8221;, diz Ribeiro, destacando que a diplomacia brasileira tem tradição na neutralidade. &#8220;Na verdade, há quase um desalinhamento com todos. Está alinhado e desalinhado com todo mundo. Essa é a tradição do Itamaraty&#8221;, diz.

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Impactos do &#8216;tarifaço&#8217; e abertura de mercados

As restrições comerciais norte-americanas impostas nos últimos anos trouxeram desdobramentos distintos para a indústria e o agronegócio. Para o setor manufatureiro, a imposição de uma tarifa de 25% com base na Seção 301, somada aos 12,5% relativos às normas de trabalho, gerou uma alíquota combinada de 37,5% sobre máquinas e equipamentos exportados do Brasil para os Estados Unidos.

Para Alexandre Mendonça de Barros, sócio de agronegócio da EY, a postura protecionista e o fechamento do mercado norte-americano geraram, indiretamente, novas oportunidades globais para o agronegócio brasileiro.

“Eu vejo que o tarifaço está facilitando o nosso acesso a novos mercados. Pega o Oriente Médio, por exemplo, eles estão muito incomodados com a tarifa, e a guerra agora, então vai facilitar para as exportações brasileiras”, avalia Barros.

Além disso, os incentivos do governo americano à produção de biodiesel elevam o esmagamento interno de soja nos EUA, diminuindo a oferta do grão americano no mercado global e mantendo os compradores chineses dependentes da safra brasileira.

É nessa onda favorável que o próximo governo poderá surfar para melhorar o desempenho do setor. Nas propostas dos candidatos, as estratégias para isso diferem.

O que dizem as propostas dos candidatos

Nas propostas para o comércio exterior de Flávio Bolsonaro (PL), disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato foca na abertura comercial e atração de investimentos privados.

O plano de governo fala em priorizar a entrada do Brasil na OCDE, com a eliminação gradual do IOF sobre operações de câmbio, convergência normativa aos padrões internacionais e facilitação da importação de bens de capital e insumos tecnológicos.

Ele também propõe implementar um plano para integrar a produção nacional a cadeias globais em áreas estratégicas como agroindústria avançada, minerais críticos, saúde e economia digital, além de apoiar a internacionalização de multinacionais brasileiras. O candidato do PL cita também o apoio direto à internacionalização de pequenas e médias empresas por meio da Apex-Brasil e do BNDES, além da desoneração tributária das exportações e dos investimentos.

Em relação à diplomacia, fala em rejeitar alinhamentos ideológicos com regimes autoritários.

Já o programa do PT estrutura o comércio exterior como motor de desenvolvimento soberano, buscando diversificar mercados e elevar o valor agregado da pauta exportadora

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propõe foco no multilateralismo, fortalecimento do Mercosul e do Sul Global, e na articulação do comércio exterior com a política industrial (Nova Indústria Brasil) para agregar valor às exportações. Cita também a aproximação geopolítica com o BRICS, o G20 e o continente africano.

Em relação à diplomacia comercial, as propostas de Lula falam em fortalecer a imagem do agronegócio no exterior e expandir a rede de adidos agrícolas para abrir novos mercados, acompanhado pelo estímulo à inserção de micro, pequenas e médias empresas no comércio internacional. O plano de governo cita também reformas em organismos internacionais (OMC, FMI e Banco Mundial) para garantir tratamento justo aos países em desenvolvimento.

Lula também pretende projetar o Brasil em agendas globais como o combate à fome (Aliança Global) e a transição ecológica (Fundo Florestas Tropicais para Sempre/COP30), além do fomento à exportação de produtos audiovisuais e culturais.

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