Moradores das comunidades de Alto Jari e Jari do Socorro, do Canal do Jari, uma área de várzea localizada no distrito de Arapixuna, no município de Santarém, no oeste do estado do Pará, pedem ajuda para instalar uma rede de abastecimento de água que atenda às famílias durante a estiagem. Com a dificuldade de acesso ao poço utilizado pelos moradores, a população busca apoio do poder público ou de doadores para conseguir mangueiras e canos e levar água até as residências.

Dulce Oliveira, representante da comunidade, explica que Alto Jari tem um poço equipado com um microssistema de energia solar, utilizado para acionar a bomba e abastecer caixas de água. Durante a cheia, os moradores utilizavam pequenas embarcações, conhecidas como rabetas, para buscar água no local. Com a estiagem, porém, o acesso ficou comprometido.

A proposta é instalar uma rede central de distribuição que permita levar a água do poço às duas comunidades. Depois, cada família ficaria responsável por fazer a ligação até a própria casa.

Comunidades do Alto Jari e Jari do Socorro pedem ajuda para levar água potável às famílias

“Dentro das duas comunidades temos os nossos idosos, temos as crianças que estudam aqui na escola. Então, eu acho que é necessário para a sobrevivência das pessoas termos uma água de boa qualidade”, afirma Dulce.

Segundo ela, a iniciativa também pretende garantir água para os idosos com dificuldade de locomoção e para as crianças que frequentam a escola da região.

O pedido é por doações de mangueiras ou canos, além de apoio para viabilizar a instalação da rede.

Canal do Jari está entre as prioridades da Defesa Civil

De acordo com Darlisson Maia, coordenador da Defesa Civil de Santarém, as comunidades de Alto Jari e Jari do Socorro estão entre as localidades prioritárias para receber assistência durante a estiagem, justamente pelas dificuldades de acesso.

O município já decretou situação de emergência em razão da estiagem e aguarda o reconhecimento do Governo Federal. Após essa etapa, será possível avançar no plano de trabalho para solicitar recursos destinados ao atendimento das comunidades afetadas.

Entre as medidas previstas estão a distribuição de água potável e cestas básicas. O planejamento também considera as dificuldades de transporte nas regiões mais isoladas.

Segundo Darlisson, a Defesa Civil precisa atender 171 comunidades. A logística depende das condições dos rios e da possibilidade de chegar às localidades por embarcações ou por outros meios de transporte.

“São 171 comunidades para a gente atender”, explicou o coordenador.

Baixo nível dos rios dificulta assistência

Baixo nível dos rios dificulta assistência

O coordenador destacou que o nível dos rios influencia diretamente o deslocamento das equipes e a entrega de ajuda às famílias. Em algumas localidades, as embarcações maiores não conseguem chegar perto das comunidades, obrigando os moradores a utilizar barcos menores para buscar os materiais e transportá-los até as residências.

Darlisson lembrou que, em 2024, a assistência às comunidades chegou a levar três meses devido às dificuldades de acesso. Segundo ele, embora o nível do rio ainda esteja acima do registrado naquele período, a estiagem continua impondo obstáculos ao atendimento.

Na região do Arapixuna, Alto Jari e Jari do Socorro estão entre os locais que exigem atenção especial. O coordenador também citou comunidades do centro de Marimarituba e da Costa de Marimarituba.

Enquanto aguarda a definição sobre os recursos federais, a Defesa Civil mantém contato com os moradores para informar sobre o andamento do processo e organizar as entregas quando houver condições para iniciar o atendimento.

Para as famílias do Alto Jari e do Jari do Socorro, a instalação da rede de abastecimento é uma alternativa para reduzir a dependência das condições do rio e garantir água de qualidade nas casas durante a estiagem.

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