O formato difere do de Lula. O presidente concentra grandes atos no Nordeste e no Sudeste. Geralmente fala com quem já vota nele. O vice circula por reuniões com prefeitos, encontros com empresários e religiosos e plenárias menores. Sem a liturgia de candidato à Presidência, Alckmin consegue reduzir a distância entre o palanque e o público, com encontros mais próximos e conversas diretas com lideranças locais e diferentes grupos sociais.
A mudança é política. Aliados avaliam que o vice, que ficou escondido no 1º turno, pode atrair o eleitorado de centro e paulista, em um Estado que governou 4 vezes. Ele foi adversário de Lula na eleição de 2006. Perdeu o 2º turno com 39% dos votos.
Com trânsito entre prefeitos e lideranças de centro e centro-direita, a estratégia retoma a lógica que levou o ex-tucano a compor a chapa em 2022: formar uma frente ampla contra o “bolsonarismo” . A estratégia é repetida na disputa deste ano, agora contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), e inclui ser interlocutor de diferentes grupos religiosos.
Também há um componente de governo. A campanha ainda cogita sinalizar que Alckmin seria o ministro da Fazenda numa reeleição, em uma tentativa de acalmar o mercado e sinalizar responsabilidade fiscal.
ALCKMIN “ON THE ROAD”
Na 2ª feira (19.out.2026), em São Bernardo do Campo (SP), Alckmin vestiu uma jaqueta vermelha e discursou para metalúrgicos antes de uma caminhada.
Instagram/@geraldoalckmin_ – 19.out.2026
Vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) participou de caminhada em São Bernardo do Campo (SP) e discursou para metalúrgicos; ele estava acompanhado de Luiz Marinho, ministro do Trabalho, e Marina Silva (Rede), vista na foto
No sábado (10.out), Alckmin participou de um ato na Casa do Povo , em São Paulo, que reuniu mais de 300 integrantes do movimento Judeus e Judias pela Democracia em apoio à chapa Lula-Alckmin. O vice agradeceu o apoio e defendeu o respeito a todas as religiões e o combate ao antissemitismo.
No domingo (11.out), na Marcha pela Democracia, na avenida Paulista, Alckmin subiu ao palanque ao lado de Lula, Fernando Haddad , Simone Tebet , Marina Silva e Guilherme Boulos .
Durante o ato, defendeu o fim da escala 6 X 1 e a soberania. “Não é vender mineral sem nenhuma agregação de valor e a riqueza ir para fora. Mas fazer a riqueza gerar bem-estar, emprego de qualidade no Brasil. Essa é a nossa missão” , declarou. Foi ovacionado, e sua presença foi destacada na estratégia de falar com indecisos.
Da esquerda para a direita, Ana Estela, mulher de Haddad; Fernando Haddad; Geraldo Alckmin, vice-presidente; e Lu Alckmin, mulher de Alckmin
No dia seguinte (12.out), Alckmin esteve no Santuário Nacional de Aparecida (SP), onde defendeu a liberdade religiosa e o respeito às diferentes crenças. A visita foi realizada durante a polêmica eleitoral sobre Nossa Senhora Aparecida, depois que Flávio Bolsonaro declarou que, se eleito, decretaria que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo . A fala foi seguida pela circulação de um boato de que o senador pretendia retirar da santa o título de padroeira do país .
Na 6ª feira (16.out), em Hortolândia (SP), reuniu 58 prefeitos de 10 partidos. A ideia partiu do ministro do Trabalho, Luiz Marinho. Alckmin decidiu dar ao evento caráter municipalista, e não partidário. Havia representantes do PL e do PP que apoiam Flávio Bolsonaro (PL) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Alckmin disse que um novo governo Lula será municipalista e não discriminará prefeitos de partidos fora do arco do PT. O ex-prefeito de Araraquara Marcelo Barbieri (PDT), um dos organizadores, descreveu o vice no evento como o único nome das duas chapas com ligação histórica com o interior paulista.
Instagram/@geraldoalckmin_ – 16.out.2026
O vice-presidente Geraldo Alckmin em encontro com 58 prefeitos de 10 partidos em Hortolândia (SP), na 6ª feira (16.out). Em publicação nas redes sociais, escreveu que mais de 50 prefeitos do interior paulista se uniram à “onda da virada” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
A oposição também disputa essas lideranças. No domingo (11.out), Flávio reuniu prefeitos da região metropolitana de São Paulo em encontro organizado por Ricardo Nunes (MDB), com a presença de Tarcísio.
Na 3ª feira (20.out), Alckmin levou o roteiro a Curitiba. Passou pelo ato “Paraná pela Virada”, reuniu-se com empresários do agronegócio e se encontrou com o arcebispo Dom José Antônio Peruzzo. Lula não deve voltar à capital paranaense no 2º turno, e a tarefa ficou com o vice. No Paraná, o petista teve pouco mais de 30% dos votos no 1º turno.
Nesta 4ª feira (21.out), Alckmin faz o “Ato da Virada” com Haddad, no Largo do Pará, em Campinas (SP), às 9h30. Na 5ª feira (22.out), vai a São Carlos (SP). Terá encontro com lideranças às 10h e comício às 10h30, na praça do Mercado Municipal.

