Uma jiboia escolheu um sítio em Orindiúva, no interior de São Paulo, para "morar", recebeu um cantinho especial e ainda foi batizada de Margarida pelos moradores.
A cobra estava no quintal quando foi vista pela primeira vez. Na ocasião, os moradores, a dona de casa Célia Ferreira Borges da Silva e o agricultor Edivaldo Borges da Silveira, ficaram assustados, mas conseguiram levar o animal para outra área que não representasse risco.
O que a família não imaginava era que o réptil retornaria à propriedade rural após alguns dias.
“Quando ela veio pela primeira vez, era novinha, sabe? E aí ela apareceu na frente do quintal. Nós pegamos ela e soltamos lá no fundo, mas ela voltou, depois de umas duas semanas. Levamos ela de novo, aí ela voltou de novo, agora ela está aqui”, explicou a dona de casa em entrevista à TV TEM.
Jiboia faz morada no fundo de quintal de moradora do noroeste de SP
Acostumada a receber a visita de amigos e familiares acompanhada de café com bolo, Célia não hesitou quando notou que o animal estava de volta. Como uma típica “boa anfitriã, ela e o esposo reservaram um lugar com tapumes onde a cobra costuma repousar no quintal.
"Então, acho que o cantinho dela é aqui, e ela veio para ficar", diz a dona de casa.
Dona Célia é a típica dona de casa que adora receber as visitas com uma boa mesa de café no interior de SP
Batizada de Margarida
A convivência diária com a jiboia trouxe naturalidade para Célia e Edivaldo. O casal até batizou a "nova inquilina" de Margarida. Segundo a família, a cobra passa a maior parte do dia dormindo e raramente passeia durante os períodos de sol.
No local, também existem outros animais, que nunca foram incomodados pela cobra. "Ela [réptil] nunca atacou as galinhas nem os pintinhos, porque elas gostam de comer pintinhos[...] E eu tenho quatro cachorros, mas ela nunca pegou, nunca atacou, nada", explica a dona de casa.
Célia Borges ganha cobra companheira em seu sítio no interior de SP
Célia contou à reportagem que poucas pessoas sabiam da presença da cobra nos fundos de sua casa e que só havia mostrado o réptil uma única vez ao enviar uma foto para um grupo de amigos por meio de um aplicativo de conversas. A reação foi imediata: “Ficaram todos loucos e com medo de ela [Margarida] entrar dentro de casa, mas, graças a Deus, nunca entrou. Muito educada. Mais educada que qualquer ser humano”, brincou Célia.
A mulher diz inclusive que deixa a janela aberta em um dos cômodos localizado perto de onde a cobra tem o hábito de buscar abrigo e nunca teve surpresas com algum tipo de invasão às dependências do sítio.
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Existe algum risco?
A ideia de ter uma cobra por perto é no mínimo assustadora para a maioria das pessoas. Todavia, a bióloga Laira Rafaela Ribeiro explica que a hóspede inusitada não oferece riscos, pois a jiboia não é venenosa.
“A cobra não é peçonhenta. A Dona Célia está com uma inquilina maravilhosa, não oferece perigo nenhum", explica.
Bióloga Layra Rafaela explica sobre jiboia no fundo de quintal de casa de idosa
Laira explica também que os tapumes colocados no quintal são essenciais para o bem-estar do réptil.
"O animal tem hábito noturno. Então, sempre vai procurar ambientes com boa ventilação, frescos e escondidos. Aqui é um lugar propício para ele, debaixo de entulho e onde não bate sol”, explicou a especialista.
Após a tentativa de "se livrar" da cobra por duas vezes, Edivaldo agora brinca com a situação. Ele passa o dia trabalhando no cultivo de hortaliças e diz que sente inveja da vida boa que Margarida leva.
"Ela [cobra] fica ali à vontade, dorme o dia inteirinho. Ela deve ser 'bem aposentada, né?', porque dorme o dia inteirinho, tranquila", brinca o agricultor.
Edivaldo Borges da Silveira fala sobre jiboia no quintal de sua casa em Orindiúva (SP)
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