A possível transferência da área de pousos do Centro Nacional de Paraquedismo (CNP), em Boituva (SP), para dar lugar a um hospital tem gerado divergências entre a prefeitura e representantes do esporte.
A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que o local oferecido pela administração municipal ainda não está liberado para uso.
Segundo a prefeitura, a proposta é transferir o centro para outra área da cidade e destinar o terreno atual à construção de um hospital federal universitário. No entanto, a proposta enfrenta resistência de quem trabalha no ramo do paraquedismo.
A associação que representa o setor é contrária às mudanças nas condições apresentadas e questiona a segurança do novo local oferecido.
Centro Nacional de Paraquedismo
Justiça determina que Itararé tenha leitos de saúde mental na Santa Casa
Conchas e Sarutaiá terão novas eleições para prefeito em dezembro
Justiça condena médico que usava documento falso para exercer profissão e causou morte de paciente em Tatuí
Um parecer técnico aprovado pela associação e por responsáveis técnicos de escolas de paraquedismo de Boituva aponta diferenças entre a área atual e o local proposto para a transferência. Segundo o documento, ao qual a TV TEM teve acesso, o espaço disponível para os pousos seria menor.
O parecer também destaca fatores considerados negativos para a prática do esporte, como a proximidade com o Rio Sorocaba, a presença de cabos de alta tensão e a existência de áreas sujeitas a alagamentos.
A mudança também levanta a discussão sobre o acesso ao novo centro de paraquedismo. Em nota, o Departmamento de Estradas de Rodagem de São Paulo (DER-SP) informou que avalia a viabilidade de elaborar o projeto para a dupliucação e melhorias de um trecho da Rodovia José Sartorelli (SPA-115/280).
Conforme o DER, o projeto deverá prever soluções de engenharia para o tráfego local, com foco na segurança viária e na eficiência logística. No entanto, não há confirmação de que a obra será realmente executada.
A Prefeitura de Boituva defende a transferência do centro, mas a nova área ainda precisa cumprir etapas para poder receber operações aéreas e obter a licença ambiental necessária para começar a funcionar.
Boituva é a capital nacional do paraquedismo
O que dizem os envolvidos
A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), esclareceu que a nova área ainda não pode ser utilizada. Para isso, o operador precisaria solicitar a alteração cadastral à Anac.
A FAB ainda afirma que, após o trâmite, seria necessário a emissão de uma portaria e uma publicação no Diário Oficial da União. Entretanto, seria obrigatória a divulgação do novo local nas publicações aeronáuticas, assim, liberando o espaço para uso.
Já a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou, em nota, que o aeródromo atual está regularmente inscrito no cadastro da agência e aberto ao tráfego aéreo, dentro das especificações operacionais.
A agência disse ainda que não há registro de processos de inscrição ou de alteração cadastral referentes ao Centro Nacional de Paraquedismo.
Quanto às questões ambientais, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou, também via nota, que o novo espaço possui licença prévia e de instalação, emitidas em janeiro deste ano.
A licença prévia atesta a viabilidade ambiental do projeto, enquanto a de instalação permite a execução das obras.
A Cetesb afirma que não há pendências na etapa atual do licenciamento, porém, a de licença de operação ainda deverá ser solicitada pela prefeitura depois da conclusão das obras, passando por análise futura.
Boituva é conhecida como a capital do balonismo e do paraquedismo
A Prefeitura de Boituva diz que protocolou um pedido de estudos de impacto de vizinhança e ambiental em março deste ano, e que a solicitação encontra-se em fase de análise. A gestão pontua que não foram feitas audiências públicas para debater a mudança por não haver exigência legal para isso.
Com relação ao hospital federal, um pedido para a construção foi feito durante uma reunião com o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em 11 de agosto. A gestão afirma que a iniciativa está em fase de articulação e dependerá de análises técnicas, definição de recursos e etapas formais.
Ainda conforme a prefeitura, a área foi escolhida para a construção da unidade hospitalar devido à localização estratégica, às margens da Rodovia Castello Branco (SP-280).
Já a área escolhida para o novo centro, segundo a prefeitura, é a mais viável na operação e na parte aeronáutica.
Initial plugin text
Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região
VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

