Em relatório intitulado “Not Out of the Woods Yet” (“Ainda não está fora de perigo”, em tradução livre), os analistas afirmam que os riscos seguem inclinados para o lado negativo, diante de uma combinação de preços menores do minério, custos mais elevados e incertezas sobre o volume de produção da companhia.
Segundo o UBS BB, a tese mais cautelosa para o minério de ferro defendida pelo banco nos últimos anos começa a se materializar. A instituição avalia que o mercado global está entrando em uma fase de excesso de oferta, impulsionada pelo aumento da produção de grandes mineradoras e pelo avanço do projeto Simandou, na Guiné, enquanto a demanda global por aço segue fraca.
Minério sob pressão
Os analistas destacam que os preços do minério de ferro recuaram para perto de US$ 90 por tonelada em meio ao desequilíbrio entre oferta e demanda. A produção siderúrgica global acumula queda neste ano, enquanto novos volumes continuam chegando ao mercado. Nos próximos anos, o projeto Simandou sozinho deverá adicionar cerca de 80 milhões de toneladas anuais ao comércio marítimo global de minério, equivalente a aproximadamente 5% do mercado transoceânico.
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Embora o UBS BB considere que a queda adicional dos preços do minério seja mais limitada nos níveis atuais, a instituição acredita que o cenário continua desafiador para produtores como a Vale.
Além do cenário externo, o banco vê sinais crescentes de dificuldades operacionais na operação da companhia. O foco das preocupações está no Sistema Norte, especialmente na mina Serra Norte, que vem registrando queda de produção por conta do esgotamento de reservas e restrições operacionais.
Dados analisados pelo banco sugerem que a produção da Vale no terceiro trimestre pode ter somado cerca de 89 milhões de toneladas, queda de 5,4 milhões de toneladas na comparação anual. Com isso, a mineradora precisaria acelerar a produção no quarto trimestre para atingir o piso de seu guidance para 2026.
“Há uma chance não desprezível de a Vale ficar abaixo de sua meta de produção”, afirmam os analistas, destacando que um eventual descumprimento também poderia afetar as metas de custo da companhia.
O UBS BB também alerta para pressões adicionais vindas dos custos. A valorização do real, a inflação e os gastos com combustível devem levar os custos totais da Vale para o topo da faixa projetada pela companhia em 2026. A instituição estima custos totais próximos de US$ 62 por tonelada, em um ambiente de minério ao redor de US$ 90 por tonelada.
Diante desse cenário, o banco revisou para baixo suas projeções. As estimativas de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para 2026 e 2027 foram reduzidas em cerca de 4%, para US$ 14,8 bilhões e US$ 14,7 bilhões, respectivamente. O preço-alvo para os ADRs caiu de US$ 15 para US$ 14,50.
Para o terceiro trimestre de 2026, o UBS BB prevê Ebitda de US$ 3,46 bilhões, queda de 15% em relação ao trimestre anterior, refletindo preços realizados menores, redução da produção e pressão de custos.
Mesmo após o desempenho fraco das ações, o banco entende que a avaliação dos papéis ainda não é suficientemente atrativa para justificar uma visão mais otimista. Em seus cenários para 2027, o UBS projeta geração de fluxo de caixa livre equivalente a algo entre 0% e 5% do valor de mercado, incluindo hipóteses em que a empresa praticamente não geraria caixa livre no próximo ano.
“De uma forma ou de outra, ainda parece cedo para afirmar que a ação encontrou um piso”, conclui o relatório.
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