Segundo o Ministério da Saúde , os medicamentos atendem a 13 indicações terapêuticas e podem beneficiar mais de 116 mil pacientes. Inicialmente, a distribuição ocorre em 20 centros oncológicos de 17 estados brasileiros.

A previsão é ampliar a oferta aos demais serviços especializados até dezembro de 2026. Para isso, o governo federal destinará R$ 155,4 milhões por ano à compra dos nove medicamentos.

Parte dos tratamentos já havia sido incorporada ao SUS há mais de dez anos. Entretanto, os pacientes ainda enfrentavam dificuldades para receber os remédios na rede pública.

Entre as novidades está o abemaciclibe, indicado para determinados casos de câncer de mama. Na rede privada, o tratamento pode custar até R$ 366 mil, segundo o governo federal.

Quais são os nove medicamentos contra o câncer no SUS?

Os novos tratamentos atendem a diferentes tipos e estágios da doença. No entanto, cada medicamento possui critérios específicos de indicação.

Confira a lista e saiba quem pode receber:

Trastuzumabe: indicado para determinados casos de câncer de estômago ou da junção entre o esôfago e o estômago. O medicamento já atende pacientes com câncer de mama no SUS.

Abemaciclibe: destinado a pacientes com câncer de mama inicial, receptores hormonais positivos (RH+) e HER2 negativo. Também exige características específicas, como comprometimento de linfonodos.

Acetato de lanreotida: utilizado em determinados tumores neuroendócrinos, que surgem em células produtoras de hormônios.

Pazopanibe: indicado para câncer de rim do tipo células claras em estágio metastático. Nesses casos, a doença já atingiu outras partes do corpo.

Rituximabe: utilizado em casos específicos de leucemia linfocítica crônica, linfoma folicular e linfoma difuso.

Abiraterona: destinada a pacientes com determinados tipos de câncer de próstata metastático ou resistente ao tratamento hormonal.

Gefitinibe: indicado como tratamento inicial para pacientes com tipos específicos de câncer de pulmão de não pequenas células.

TSH recombinante (alfatirotropina): utilizado no tratamento de câncer diferenciado da tireoide, em pacientes com indicação de iodo radioativo.

Sunitinibe: indicado para câncer de rim metastático e tumores gastrointestinais avançados ou metastáticos. Neste último caso, pode atender pacientes que não responderam ao imatinibe.

Apesar da ampliação, nem todas as pessoas com esses tipos de câncer poderão receber os medicamentos. A liberação depende do diagnóstico, do estágio da doença e da avaliação médica.

Além disso, os tratamentos apresentam mecanismos diferentes. Alguns combatem a multiplicação das células cancerígenas. Outros interferem na ação hormonal ou no funcionamento do sistema imunológico.

Assim, os medicamentos podem ajudar a controlar a doença, prolongar a sobrevida ou reduzir o risco de retorno do câncer.

Quando os medicamentos contra o câncer estarão disponíveis no SUS?

A distribuição começou em 20 de outubro de 2026, com unidades de saúde contempladas nas cinco regiões brasileiras.

Nesta primeira etapa, os medicamentos chegam aos seguintes estados e ao Distrito Federal:

Norte: Amazonas, Pará, Rondônia e Tocantins.

Nordeste: Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Sergipe.

Centro-Oeste: Distrito Federal e Goiás.

Sudeste: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Sul: Paraná e Rio Grande do Sul.

O Ministério da Saúde pretende ampliar a distribuição até o final de dezembro. Entretanto, a pasta não apresentou um calendário completo para cada hospital.

Por isso, pacientes que já realizam tratamento oncológico devem procurar a equipe médica responsável. O profissional poderá verificar se o medicamento atende aos critérios clínicos e se já está disponível na unidade.

Em São Paulo, a expansão também integra as ações federais para fortalecer os serviços de oncologia.

Na região de Jundiaí , a ampliação da assistência oncológica já integra outras iniciativas do SUS. Em agosto, por exemplo, a cidade recebeu novos recursos para exames e tratamentos.

Governo prevê ampliar tratamentos contra o câncer até dezembro

A chegada dos nove medicamentos faz parte de uma estratégia maior do Ministério da Saúde.

Até dezembro de 2026, a previsão é disponibilizar 23 novos tratamentos ou indicações terapêuticas na rede pública. Segundo o governo, isso representa um aumento de 35% nas alternativas de tratamento oncológico.

Para garantir a oferta, o ministério adotou diferentes medidas de financiamento e compra.

O governo assumiu a negociação direta de dez medicamentos. Além disso, organizou mecanismos de aquisição por preços negociados para outros nove e ampliou o financiamento de quatro produtos.

Ao todo, o conjunto das medidas terá impacto estimado de R$ 4 bilhões anuais. O objetivo é ampliar o acesso aos tratamentos e reduzir dificuldades enfrentadas por pacientes com câncer em diferentes regiões brasileiras.

SUS também terá novo exame para detectar sinais de câncer de intestino

Além dos medicamentos, o Ministério da Saúde anunciou a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT).

O exame identifica pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes. Esse sinal pode estar relacionado a pólipos, lesões pré-cancerígenas ou tumores intestinais.

A proposta inicial contempla homens e mulheres entre 50 e 75 anos, sem sintomas da doença. A distribuição começará gradualmente em novembro de 2026. Primeiro, o governo pretende atender capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes.

O teste funciona como uma triagem. Portanto, um resultado positivo não significa necessariamente que o paciente tenha câncer. Nesses casos, a pessoa deverá passar por avaliação médica. Dependendo do resultado, o profissional poderá solicitar uma colonoscopia para investigar a origem do sangramento.

Segundo o ministério, o exame pode alcançar precisão de até 92%. No entanto, o comunicado não especificou qual indicador de desempenho corresponde a esse percentual.

Tratamento do câncer de pulmão também terá novos investimentos

Outra medida anunciada pelo governo envolve o financiamento de cirurgias videotorácicas, utilizadas principalmente no tratamento do câncer de pulmão.

A técnica permite realizar procedimentos por pequenas incisões, com auxílio de câmeras e instrumentos cirúrgicos. Como resultado, pacientes selecionados podem apresentar menor tempo de internação e menos complicações após a cirurgia.

O investimento previsto é de R$ 46 milhões por ano. Além disso, o Ministério da Saúde anunciou reajustes nos valores destinados a procedimentos oncológicos.

Entre as mudanças está a ampliação dos recursos para iodoterapia, utilizada em determinados casos de câncer de tireoide. O financiamento anual passará de R$ 5,2 milhões para R$ 18 milhões, aumento aproximado de 246%.

Os repasses para procedimentos com medicamentos intravenosos serão quadruplicados. Já os valores destinados aos medicamentos orais serão duplicados.

O governo também prevê ampliar o financiamento de biópsias, exames de biologia molecular e sequenciamento genético. Esses procedimentos ajudam a identificar características dos tumores e orientar decisões sobre o tratamento.

Governo prepara novas medidas para diagnóstico do câncer infantil

O Ministério da Saúde também anunciou a criação de um grupo de trabalho dedicado ao retinoblastoma.

Esse tipo de câncer atinge a retina, estrutura localizada no fundo do olho, e ocorre principalmente em crianças pequenas. A iniciativa pretende elaborar a primeira linha nacional de cuidado para a doença.

Dessa forma, o SUS poderá padronizar etapas de diagnóstico, encaminhamento e tratamento. O foco será facilitar a identificação precoce e melhorar o atendimento das crianças. Enquanto as medidas avançam, o Ministério da Saúde reforça a ampliação da rede pública de tratamento oncológico.

Mais informações estão disponíveis no comunicado oficial do Ministério da Saúde