A Associação Nacional de Restaurantes (ANR) entrou com uma ação civil pública contra a Keeta, plataforma de delivery da chinesa Meituan, na Justiça de São Paulo. A entidade contesta o modelo de “compra intermediada” adotado pela empresa no Brasil.
A associação pede a suspensão imediata da prática nos restaurantes que não autorizaram sua inclusão no aplicativo, além da proibição desse modelo de operação no país.
Segundo a ANR, na “compra intermediada”, restaurantes são incluídos no aplicativo da Keeta sem autorização prévia. Quando um cliente faz um pedido, um entregador ou comprador vai ao estabelecimento, compra os produtos no balcão e os leva ao consumidor.
“Quando a Keeta coloca uma operação dessa, o vendedor nem sabe o que está acontecendo na operação dele. Os gestores de restaurantes não sabem que uma venda presencial de balcão, na verdade, seria uma venda para a Keeta”, disse Erik Momo, presidente do conselho da ANR, em entrevista à Reuters.
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Segundo a ANR, a compra intermediada pode limitar a liberdade comercial dos restaurantes, gerar concorrência desleal e prejudicar a relação dos estabelecimentos com os clientes.
“Recorrência é algo fundamental para um restaurante sobreviver. O proprietário tem que ter gestão sobre aquilo que está no cardápio, do item que está vendendo, do preço que está praticando, da qualidade da entrega etc. Se eu, como proprietário, passo tudo para esse intermediário e perco esse controle, estou correndo o risco de meu negócio deixar de existir sem eu saber”, disse Momo.
Além de pedir a suspensão da prática, a ANR defende maior diálogo da Keeta com o setor. A entidade cita como exemplo suas parcerias com o iFood, controlado pelo grupo Prosus, e a 99, da chinesa DiDi Global.
"Nosso pedido é que eles suspendam essa prática. Ela é prejudicial para o consumidor, porque ele não entende o que está acontecendo; e é prejudicial para o restaurante, porque ele acaba vendendo algo que não está na previsão dele", disse Momo.
Procurada pela Reuters, a Keeta, que iniciou operações no Brasil em 2025, informou que não tinha recebido nenhuma notificação judicial sobre o assunto.
Sobre a modalidade de compra intermediada, a empresa disse que é uma "ferramenta local desenvolvida como um piloto para ampliar o acesso dos consumidores a opções de restaurantes que ainda não estão integrados à plataforma da Keeta, em um contexto em que o mercado está bloqueado por contratos de exclusividade que impedem muitos estabelecimentos de escolher livremente sua plataforma de delivery".
"A compra intermediada...trata-se de uma iniciativa desenvolvida especificamente para o Brasil e que opera em conformidade com todas as leis e regulamentações locais aplicáveis", disse a Keeta em nota.
A Keeta iniciou suas operações no Brasil há pouco mais de um ano. E a 99, da também chinesa DiDi Global, retomou sua operação no setor de delivery em 2025. Desde então as empresas têm expandido velozmente suas operações no país, embora a líder do setor siga sendo a iFood.
Em setembro, o Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou necessidade de mais investigação da autoridade concorrencial sobre o setor de delivery no Brasil.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)

