O levantamento, apresentado nesta quarta-feira (21) em congresso em São Paulo, reúne entidades que somam R$ 461 bilhões em ativos, cerca de um terço do sistema, e compara a posição de dezembro de 2025 com as edições de 2013 e 2023. Segundo a pesquisa, a intenção de aumentar a exposição a ações é maior no horizonte de três anos, de 26 pontos percentuais (pp), do que no de um ano.
Na fotografia de dezembro de 2025, a renda fixa concentrava 86% dos ativos das entidades, e a grande maioria desse volume estava em títulos públicos, com as NTN-Bs (Tesouro IPCA+), papéis atrelados à inflação, à frente. Dentro da renda variável, a gestão passiva e indexada mais que dobrou sua participação.
Para João Ferreira, diretor de Investimentos da Abrapp, a concentração em renda fixa reflete tanto os juros elevados quanto a maturidade do sistema. “Os juros reais elevados ofereceram uma excelente oportunidade para que os fundos de pensão adquirissem títulos públicos indexados à inflação, com rentabilidade superior aos seus compromissos atuariais. Além disso, temos um sistema maduro, em que o pagamento de benefícios supera o ingresso de contribuições, o que reforça a necessidade de investimentos com maior estabilidade e menor volatilidade”, explica.
Segundo Ferreira, uma retomada mais expressiva dos ativos de maior risco depende principalmente de uma mudança estrutural no cenário de juros.
“À medida que os juros reais de mercado se aproximarem das taxas dos compromissos atuariais das entidades, os fundos de pensão terão maior necessidade de buscar alternativas de investimento que ofereçam retornos superiores aos dos títulos públicos. Mas, para isso, é fundamental que exista previsibilidade de manutenção dos juros em patamares mais baixos por um período prolongado”, afirma.
Exterior à frente
“Ao avaliar as perspectivas para os horizontes de 12 e 36 meses, os investimentos no exterior lideram a intenção de aumento de exposição”, diz Carlos Garcia, sócio-fundador da Itajubá.
A presença do exterior passou de metade das políticas de investimento em 2013 para 84% em 2026, com mandatos globais ganhando espaço sobre os focados nos Estados Unidos. Diversificação e baixa correlação são os principais motivos apontados pelas entidades para investir fora do país.
Na outra ponta, imóveis e Fundos de Investimento em Participações (FIPs) concentram as maiores intenções de redução. Na comparação entre os horizontes, o exterior mantém a liderança, mas a distância em relação às ações diminui no prazo mais longo.
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