As emissões de gases de efeito estufa do Brasil caíram 6% em 2025 e chegaram ao menor nível em oito anos, segundo dados divulgados nesta terça-feira (20) pelo Observatório do Clima.

O país lançou na atmosfera 2,06 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, medida que reúne os diferentes gases responsáveis pelo aquecimento global.

Em 2024, esse volume havia sido de 2,19 bilhões de toneladas.

Os números fazem parte da 14ª edição do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa) e mostram que a redução foi puxada principalmente pela queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado.

Com o resultado, o Brasil também ficou mais perto de cumprir sua meta climática para 2025, estabelecida no Acordo de Paris.

🌡️ ENTENDA: O Acordo de Paris é um tratado internacional firmado em 2015 para combater o aquecimento global. A meta é limitar o aumento da temperatura a bem menos de 2°C, buscando não ultrapassar 1,5°C. Para isso, os países assumem compromissos de redução das emissões de gases de efeito estufa.

Emissões do Brasil.

As chamadas emissões líquidas, que descontam o carbono absorvido pelo crescimento da vegetação e pelas florestas em áreas protegidas, também diminuíram 9%, e chegaram a 1,41 bilhão de toneladas, o menor valor desde 2012.

A meta brasileira era limitar essas emissões a 1,32 bilhão de toneladas até o fim de 2025. Segundo o SEEG, o país ficou 85 milhões de toneladas, cerca de 6%, acima desse compromisso.

🌡️ ENTENDA: Os gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono e o metano, retêm calor na atmosfera. O aumento de sua concentração, provocado principalmente pela queima de combustíveis fósseis e pelo desmatamento, intensifica o aquecimento global.

Apesar de não ter alcançado a meta, o relatório aponta que o Brasil conseguiu reduzir suas emissões brutas em cerca de um quarto nos últimos quatro anos.

A expectativa é que o compromisso seja superado em 2026, diante de uma nova redução do desmatamento.

Cálculos preliminares do SEEG indicam que as emissões líquidas podem chegar a 1,23 bilhão de toneladas neste ano, valor próximo da meta prevista para 2030, de 1,20 bilhão.

“Preocupa que nosso desempenho climático ainda dependa tanto de um só setor, o de uso da terra”, afirmou David Tsai, coordenador do SEEG e pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema).

Segundo ele, será necessário ampliar a redução das emissões em outras atividades econômicas para que o país consiga cumprir os compromissos de 2030 e 2035.

Agora no g1

Desmatamento em queda

Mais uma vez, a diminuição do desmatamento foi a principal responsável pela redução das emissões brasileiras.

Em 2025, as emissões brutas associadas à mudança de uso da terra, categoria que inclui principalmente a derrubada de florestas, caíram 15%, passando de 957 milhões para 814 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.

Foi o segundo ano consecutivo de queda do desmatamento em todos os biomas brasileiros.

As emissões ligadas à destruição da vegetação diminuíram 20% na Amazônia, 5% no Cerrado e na Mata Atlântica, 21% no Pampa, 18% na Caatinga e 45% no Pantanal.

Mesmo com a melhora, o desmatamento continua sendo a maior fonte de emissões do país, responsável por 39% do total registrado em 2025 (veja no GRÁFICO abaixo).

Em seguida aparecem a agropecuária, com 30%, e a energia, com 21%. Resíduos e processos industriais representam cerca de 5% cada.

A pesquisadora Bárbara Zimbres, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), atribui os resultados às políticas de combate ao desmatamento adotadas nos últimos anos.

“A redução das emissões observada nos últimos três anos no setor de mudança do uso da terra reflete os resultados positivos das políticas de controle do desmatamento no Brasil”, afirmou.

O relatório também aponta uma diminuição das emissões provocadas por queimadas não relacionadas diretamente ao desmatamento, depois do recorde registrado em 2024.

Essas emissões são calculadas separadamente pelo SEEG e não entram na metodologia oficial do Inventário Nacional de Emissões.

Emissões por setor.

Agropecuária e energia ainda pesam

Enquanto as emissões ligadas ao desmatamento diminuíram, os demais setores registraram pouca mudança ou continuaram em alta.

Na agropecuária, as emissões ficaram praticamente estáveis, com uma queda de apenas 0,1% em relação a 2024, totalizando 626,3 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.

O resultado combina uma redução de 1,68% nas emissões da pecuária e um aumento de 6,45% nas atividades agrícolas.

O gado de corte continua sendo a principal fonte de emissões diretas do setor, responsável por cerca de 66% do total.

Parte dessa poluição vem do metano liberado durante a digestão dos bovinos, principalmente por meio dos arrotos.

Em 2025, o rebanho brasileiro diminuiu 1,7%, chegando a 234,2 milhões de animais, enquanto o abate de bovinos atingiu um recorde.

Considerando também o desmatamento para abertura de pastagens, a pecuária emitiu 721 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. Se fosse um país, seria o 11º maior emissor do planeta, à frente da Austrália.

No setor de energia, as emissões aumentaram 1,2%, alcançando 427 milhões de toneladas. A alta foi provocada principalmente pelo maior consumo de combustíveis nos transportes.

O desmatamento continua sendo a maior fonte de emissões do país, responsável por 39% do total registrado em 2025.

O consumo de diesel cresceu 3% em 2025, enquanto o de gasolina aumentou 4%. No total, o transporte de cargas e passageiros respondeu por 228 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.

Na geração de eletricidade, as emissões aumentaram 6%, apesar da expansão das fontes renováveis. Pela primeira vez, a produção de energia solar ultrapassou a geração conjunta das fontes fósseis, mas o país ainda precisou acionar termelétricas a gás.

Já o setor de resíduos registrou o maior crescimento percentual, com alta de 3,6%, chegando a 95,7 milhões de toneladas.

O aumento está relacionado principalmente à destinação de lixo para aterros sanitários, aterros controlados e lixões, que respondem por 65% das emissões do setor.

Segundo o SEEG, menos de 3% dos resíduos brasileiros foram recuperados por reciclagem em 2025.

Para os pesquisadores, os resultados mostram que a redução do desmatamento tem sido decisiva para aproximar o Brasil de suas metas climáticas, mas o cumprimento dos próximos compromissos também dependerá de cortes nas emissões da agropecuária, dos transportes e de outras atividades econômicas.

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