As ações registravam queda de 13,65% às 11h54 (horário de Brasília) desta quarta-feira, a 14,07 euros.
O Carrefour gera cerca de metade de suas vendas na França, o que torna o grupo particularmente vulnerável a qualquer perturbação prolongada em seu mercado doméstico.
A empresa reduziu sua previsão de lucros para o ano inteiro na terça-feira, citando custos mais altos e interrupções nas lojas relacionadas aos recentes distúrbios na França. O diretor financeiro, Matthieu Malige, afirmou que o impacto total poderia chegar a entre 80 milhões e 200 milhões de euros no lucro operacional.
Analistas afirmaram que a revisão para baixo levantou dúvidas sobre se os desafios do grupo se limitavam à França.
O JPMorgan afirmou em relatório que a atualização destacou “uma falta de dinamismo subjacente” nos principais mercados do Carrefour, apontando para volumes fracos na França, Espanha e Brasil.
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O banco acrescentou que a revisão para baixo das projeções parecia mais abrangente do que a administração indicou, observando que o Carrefour não havia reduzido suas perspectivas durante os protestos ocorridos na França entre 2018 e 2019 e que, nos últimos anos, vinha repetidamente ficando aquém das expectativas.
Nesta quarta, o Morgan Stanley rebaixou a recomendação das ações do Carrefour para de recomendação equivalente à compra ( overweight ) para equivalente à neutra ( equal-weight ) após o alerta sobre lucro para 2026 em meio aos impactos dos distúrbios sociais na França. O banco também reduziu o preço-alvo dos papéis de 20,10 euros para 18,35 euros.
Segundo os analistas, o Carrefour cortou sua previsão de EBIT (lucro antes de juros e impostos) na França entre 7% e 17% e a do grupo entre 3% e 9%, citando perdas relacionadas a saques, danos a lojas, restrições de funcionamento e enfraquecimento da confiança dos consumidores. O Morgan Stanley incorporou o ponto médio dessa revisão em suas estimativas e reduziu suas projeções de lucro por ação em 5% para 2026.
Para o banco, o principal problema não é apenas o impacto imediato dos protestos, mas a menor visibilidade sobre a recuperação das operações francesas e sobre a geração de caixa nos próximos anos. Apesar de destacar que as ações continuam negociando a múltiplos atrativos, os analistas avaliam que a volatilidade dos lucros e a incerteza sobre a retomada do consumo limitam o potencial de valorização no curto prazo.
No Brasil, porém, a instituição vê uma perspectiva mais favorável. O Morgan Stanley afirma que uma eventual valorização do real após as eleições poderia beneficiar o consumo e os volumes do negócio local, além de gerar efeitos positivos para os resultados consolidados do grupo. Ainda assim, o banco considera que os potenciais ganhos no mercado brasileiro não são suficientes para compensar, neste momento, os desafios enfrentados na França.
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