Cinco pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), nesta terça-feira (20), por envolvimento no caso de uma plantação com 290 mil pés de maconha descoberta em junho, em Acopiara, no interior do Ceará.

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O g1 teve acesso à denúncia. Os denunciados são:

João Holanda Neto: proprietário de fato e possuidor indireto do imóvel;

Cristiano Rodrigues de Lima: arrendatário formal e gestor direto da lavoura;

Francisco Augusto Alves da Silva: comprador e transportador dos insumos;

Manoel Clenio Mendonça Leal Filho: responsável pelas encomendas, pagamentos e retirada dos insumos;

Geraldo Dário Soares: especificador, orientador e financiador dos insumos.

Segundo a denúncia, os cinco são acusados de tráfico de drogas, cultivo de maconha e associação para o tráfico. João Holanda Neto e Cristiano Rodrigues de Lima também devem responder por permitir o uso de um imóvel para atividades relacionadas ao tráfico.

O g1 procurou a defesa de João Holanda Neto, que informou que não vai se pronunciar sobre o caso. As defesas dos demais denunciados não foram localizadas.

O Ministério Público também pediu à Justiça a manutenção das prisões preventivas de quatro dos cinco denunciados: Cristiano Rodrigues de Lima, Francisco Augusto Alves da Silva, Manoel Clênio Mendonça Leal Filho e Geraldo Dário Soares.

A propriedade contava com sistema de irrigação por gotejamento, barracas de apoio e até maquinário importado da Espanha para o processamento do entorpecente.

O material foi encontrado em um sítio na cidade de Acopiara.

De acordo com a denúncia, o grupo era organizado em dois eixos de atuação:

Núcleo do Campo: composto por João Holanda Neto, apontado como proprietário de fato da fazenda, e Cristiano Rodrigues de Lima, arrendatário formal que geria o cotidiano da lavoura e os trabalhadores locais.

Núcleo de Suprimento: formado pelo advogado pernambucano Geraldo Dário Soares, Francisco Augusto Alves da Silva e Manoel Clenio Mendonça Leal Filho, responsáveis pela especificação, compra, retirada e transporte dos insumos de irrigação, fertilização e defesa da lavoura.

As análises da Perícia Forense e as imagens de satélite confirmaram o desmatamento de cerca de 28 mil m² de vegetação nativa no final de 2025 para dar lugar à plantação, estimada em 23 mil pés remanescentes durante a operação.

Polícia Civil chegou a divulgar um vídeo de parte da plantação de maconha sendo derrubada por um trator e incinerada.

Polícia Civil/ Divulgação

A Polícia Civil encontrou uma plantação com cerca de 290 mil pés de maconha em Acopiara, no interior do Ceará. A descoberta foi feita durante uma operação das forças de segurança no município em 25 de junho de 2026.

A apreensão foi descrita como uma das maiores já realizadas no estado do Ceará. A Polícia Civil chegou a divulgar um vídeo da plantação de maconha sendo derrubada por tratores e incinerada no próprio local. (Veja no vídeo abaixo)

Acampamento no Ceará continha toneladas de maconha e estrutura de trabalho

De acordo com a polícia, os agentes identificaram aproximadamente 160 mil pés de maconha plantados e outros 130 mil já colhidos, somando cerca de 290 mil pés.

Na época, a família de João Holanda Neto, proprietário do terreno, negou o envolvimento no esquema criminoso. Conforme Fabrício Holanda, sobrinho do denunciado, João Holanda arrendou o terreno para outra pessoa após o diagnóstico de câncer e estava afastado das atividades.

A Polícia Civil informou em 3 de julho de 2026 que concluiu a destruição e incineração dos pés de maconha. Segundo a corporação, a operação foi finalizada no dia anterior e utilizou uma técnica do Corpo de Bombeiros que consiste em cavar valas, queimar as plantas com gasolina e óleo diesel e depois cobrir o material com terra para evitar que o fogo se espalhe.

A operação gerou polêmica depois que o deputado federal André Fernandes publicou um vídeo mostrando restos de plantas enterrados na propriedade e questionou se a droga havia sido realmente incinerada. A Polícia Civil afirmou que o material encontrado pelo parlamentar era composto por restos da plantação e de outras plantas destruídas. O governo estadual também informou que apuraria possíveis irregularidades na condução e na guarda do material apreendido.