Após o forte rali das ações do setor impulsionado pelo cenário eleitoral, investidores voltam a concentrar atenções na evolução da inadimplência, da qualidade dos ativos e das despesas com provisões.

Calendário dos balanços

Bradesco ( BBDC4 ): 22 de outubro

Santander Brasil ( SANB11 ): 28 de outubro

Itaú Unibanco ( ITUB4 ): 3 de novembro

Banco do Brasil ( BBAS3 ): 11 de novembro

O mercado monitora especialmente o avanço da inadimplência em um momento em que o ciclo de crédito mostra sinais de deterioração, com efeitos distintos entre os bancos privados e as instituições com maior exposição ao agronegócio. Analistas avaliam que a qualidade da carteira de crédito e a capacidade de controlar o custo do risco serão determinantes para os resultados do trimestre.

No segundo trimestre deste ano, o Itaú ( ITUB4 ) permaneceu como a principal referência de rentabilidade do setor, enquanto o Banco do Brasil ( BBAS3 ) enfrentou pressões maiores ligadas ao crédito rural. Já Bradesco ( BBDC4 ) e Santander ( SANB11 ) seguiram em processos de recuperação gradual, mas ainda convivendo com níveis mais elevados de provisões.

Temporada de balanços de bancos começa com foco em inadimplência após rali eleitoral

No final de setembro, dados do BC mostraram que a inadimplência no segmento de recursos livres chegou a 6,6% em agosto, renovando o maior nível da série histórica iniciada em março de 2011

O Goldman Sachs observa que as preocupações com o ciclo de crédito cresceram significativamente nos últimos meses. Segundo a instituição, a inadimplência do sistema bancário subiu de 3,0% no fim de 2024 para 4,6% em junho de 2026, sendo que cerca de 60% da alta decorreu de deterioração efetiva da qualidade dos ativos.

Para o banco americano, o Itaú permanece como a principal escolha entre os grandes bancos brasileiros, enquanto o Bradesco recebe recomendação neutra e o Banco do Brasil segue como o nome que concentra os maiores riscos devido à exposição ao agronegócio e ao aumento das provisões.

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Itaú ( ITUB4 )

O Itaú deve chegar à temporada de resultados mais uma vez como o destaque entre os grandes bancos. O Bradesco BBI projeta lucro líquido de R$ 12,5 bilhões, praticamente estável na comparação trimestral e 12% superior ao registrado um ano antes.

A expectativa é de crescimento moderado da carteira de crédito, melhora dos resultados de tesouraria e controle da inadimplência, apesar de alguma pressão sobre as receitas de serviços.

O Goldman Sachs também vê o Itaú como o banco mais bem posicionado do setor. A casa estima lucro praticamente estável no trimestre, com ROE de 23,3%, ante 24,3% no trimestre anterior. Segundo os analistas, o banco combina a melhor qualidade de carteira entre seus pares, forte geração de capital e rentabilidade superior à concorrência.

Lucro líquido: R$ 12,6 bilhões

Receita: R$ 48,3 bilhões

Bradesco ( BBDC4 )

Para o Bradesco, a expectativa é de continuidade da recuperação operacional, mas ainda pressionada pelas despesas com provisões. Segundo o Goldman Sachs, a margem financeira deve avançar cerca de 3% na comparação trimestral, refletindo uma leve melhora do NIM.

Por outro lado, o aumento do custo do risco deve limitar o crescimento do lucro. O banco americano projeta ROE de 15,5%, queda de 70 pontos-base frente ao trimestre anterior. As receitas com tarifas devem seguir fracas, enquanto os negócios de seguros enfrentam uma base de comparação mais difícil.

Lucro líquido: R$ 7,1 bilhões

Receita: R$ 37,7 bilhões

Santander Brasil ( SANB11 )

O Santander divulgará seus dados dia 28 de outubro. O Bradesco BBI estima lucro líquido de R$ 2,7 bilhões, 13% abaixo do trimestre anterior e 33% inferior ao registrado um ano antes.

A casa acredita que a receita será pressionada pela piora da margem financeira com clientes e por resultados mais fracos de tesouraria. Apesar disso, custos administrativos controlados e leve recuperação das receitas de tarifas devem ajudar a compensar parte dos impactos.

Já o Goldman Sachs adota uma visão um pouco mais construtiva. O banco projeta lucro recorrente de R$ 3,2 bilhões e ROE de 13%, acima dos 12,3% observados no segundo trimestre. Ainda assim, avalia que a recuperação segue limitada pelo elevado custo do risco e pela deterioração do crédito corporativo.

Lucro líquido: R$ 3,2 bilhões

Receita: R$ 21,3 bilhões

Banco do Brasil ( BBAS3 )

O Banco do Brasil continua sendo o banco que mais preocupa os analistas nesta temporada. O Bradesco BBI projeta lucro líquido de R$ 1,8 bilhão, mais de 50% inferior ao registrado no trimestre anterior e bem abaixo das expectativas do mercado.

Segundo o banco, o principal problema continua sendo o aumento das provisões para perdas com crédito, especialmente nas operações ligadas ao agronegócio. A instituição também destaca que a carteira deve permanecer praticamente estável no trimestre.

O Goldman Sachs compartilha a avaliação mais cautelosa. A casa estima queda de 5% do lucro recorrente na comparação trimestral e afirma que provisões continuam sendo o maior obstáculo para o desempenho do banco. Os analistas apontam deterioração adicional das carteiras rural e de cartões, além dos desafios associados à renegociação de dívidas.

Lucro líquido: R$ 3,7 bilhões

Receita: R$ 36,8 bilhões

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