Os países precisarão reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO₂) em quase um quinto até o fim da década, na comparação com os níveis de 2025, para alcançar a menor ultrapassagem possível desse limite, informou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em seu relatório anual sobre a lacuna de emissões, publicado nesta quarta-feira.

O PNUMA definiu esse cenário como aquele em que a temperatura global fica entre 1,7°C e 1,8°C acima dos níveis pré-industriais e retorna a 1,5°C até o fim do século. O órgão descreveu os cortes necessários nas emissões como “imediatos, profundos, rápidos e sustentados”.

Menos da metade das economias do G20 está no caminho para cumprir suas metas atuais para 2030, segundo o relatório, que projeta um aquecimento de 2,6°C até 2100 com as políticas atualmente em vigor.

“Não é hora de jogar a toalha”, disse a diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen, a jornalistas. “Pelo contrário, trata-se de encontrar o caminho de volta.”

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O relatório apresenta possíveis caminhos após a ONU informar, no mês passado, que ultrapassar o limite de 1,5°C previsto no Acordo de Paris de 2015 é agora praticamente inevitável.

Cada fração de grau adicional de aquecimento acima dos níveis pré-industriais aumenta o risco de eventos climáticos extremos, prejudica a produção global de alimentos e acelera a inflação.

A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris foi particularmente prejudicial aos esforços globais de combate às mudanças climáticas. Embora o relatório aponte que o crescimento coletivo das emissões dos países do G20 desacelerou no ano passado, o aumento das emissões americanas, de 133 megatoneladas de CO₂, superou com folga o de qualquer outro país. A Turquia, anfitriã da COP31, ficou em segundo lugar, com aumento de 24,4 megatoneladas.

Uma meta climática dos Estados Unidos anunciada nas últimas semanas do governo Biden, que tinha potencial para reduzir as emissões em 1 gigatonelada até 2030, foi retirada dos cálculos do PNUMA. Uma gigatonelada equivale aproximadamente às emissões anuais de toda a frota de veículos do país.

Embora as emissões globais de gases de efeito estufa no ano passado tenham ficado próximas dos níveis de 2024, o relatório alerta que “ainda é cedo para concluir que as emissões globais atingiram um platô ou seu pico”. As emissões provenientes do uso de combustíveis fósseis aumentaram, mas foram compensadas pela queda das emissões relacionadas ao uso da terra e às florestas.

Líderes mundiais e negociadores climáticos devem se reunir no início de novembro em Antália, na Turquia, para a COP31, onde discutirão formas de conter o aquecimento global e adaptar as economias aos seus impactos.

Embora a Turquia esteja buscando um compromisso global para elevar a eletrificação a 35% do consumo de energia até 2035, a guerra em curso com o Irã e as eleições que se aproximam em países como Brasil e França reduziram a prioridade política da agenda climática.

Os negociadores da COP31 também enfrentam a possibilidade de não contar com relatórios científicos importantes sobre o clima após uma reunião do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), realizada na semana passada em Adis Abeba, ser suspensa sem acordo sobre cronogramas.

“A lacuna de emissões agora é uma lacuna de liderança”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres. “Ultrapassar a meta não significa rendição. Ainda podemos fazer com que essa ultrapassagem seja a menor e mais breve possível e trazer as temperaturas de volta para abaixo de 1,5°C antes do fim do século.”

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