# Lula x Flávio: os erros e acertos das campanhas no 2º turno, segundo analistas

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/politica/lula-x-flavio-os-erros-e-acertos-das-campanhas-no-2o-turno-segundo-analistas/)
- Publicado em: 2026-10-21T17:06:25.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1288155-lula-x-flavio-os-erros-e-acertos-das-campanhas-no-2-turno-segundo-analistas

> A três dias do segundo turno, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam à reta final da campanha eleitoral empatados tecnicamente na maioria das pesquisas. A proximidade entre os candidatos aponta para a eleição à Presidência da República…

De acordo com a pesquisa Meio/Ideia , divulgada nesta quarta-feira (21), Flávio aparece com 51,1% dos votos válidos, contra 48,9% de Lula. Uma diferença de 2,2 pontos percentuais.

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A proximidade entre os dois candidatos é reforçada pela pesquisa Quaest , também divulgada nesta quarta. Na projeção, o senador agrega 45% das intenções de voto, enquanto o petista registra 44%.

Para a professora de Ciência política da UFRJ, Mayra Goulart, a vantagem de Flávio nas urnas no 1º turno, quando conquistou 47% dos votos válidos ante 45% de Lula, reforça a consolidação da candidatura de direita nestas eleições, mas não representará, necessariamente, que o resultado se repete no 2º turno.

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&#8220;O histórico de vitórias de quem liderou o primeiro turno nas eleições presidenciais brasileiras é relevante, mas não constitui uma regra capaz de determinar o resultado seguinte. Trata-se de um conjunto pequeno de eleições, realizadas em condições diferentes. Em suma o resultado está completamente em aberto&#8221;, destaca Mayra.

O cientista social e professor de Políticas Públicas da UFABC, Ivan Filipe Fernandes, reforça o alerta de que a vitória no domingo (25) não está garantida para nenhum dos candidatos.

O docente também destaca que o resulto do 1º turno acendeu um alerta ao petista de que bons indicadores econômicos no governo não são mais suficientes para sustentar uma vantagem na eleição.

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&#8220;O Brasil tem uma taxa de desemprego baixa e inflação razoavelmente controlada. O governo estava muito confiante que os resultados econômicos garantiriam o apoio ao presidente da república, dado o efeito do voto econômico, importante sobretudo nas eleições presidenciais, mas essa não foi a resposta das urnas. Então o petismo entendeu que precisa ir às ruas e fazer campanha novamente&#8221;, destaca Fernandes.

Fernandes também pontua que, do outro lado, Flávio saiu confortável das urnas com a inesperada vantagem, o que pode ser prejudicial para a campanha do Partido Liberal caso mantenha a postura de que a eleição já foi ganha.

Do outro lado, segundo o pesquisador, a campanha de Lula compreendeu o fenômeno que norteia a disputa na reta final, baseado em um grupo seleto de eleitores indecisos poderá definir o próximo presidente da República.

A nova rodada Quaest corrobora com a leitura de que a campanha petista conseguiu reagir à derrota no 1º turno. Além da aproximação, Lula conseguiu o feito de diminuir o índice da rejeição de 53% para 47%, enquanto Flávio oscilou dentro da margem de erro, saindo de 54% para 52%.

Embora a diminuição na rejeição não implique diretamente no voto, pode sinalizar uma mudança de humor do eleitorado indeciso ou &#8220;neutro&#8221;, que não se considera nem lulista ou bolsonarista, mas pode passar a ver o petista como uma opção válida no 2º turno.

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Os erros e acertos das campanhas

Mayra destaca que mudança de tom na campanha petista e prioridade dada ao ambiente digital pode ter sido um dos fatores responsáveis pela aproximação nas pesquisas, mas tentativa de Lula de rejuvenescer a campanha eleitoral pode levar mais tempo que o disponível para a conversão de votos.

&#8220;Vídeos curtos e humor podem ampliar a atenção, mas visualizações não equivalem automaticamente a convencimento. Ainda há tempo para produzir efeitos, especialmente numa eleição em que deslocamentos pequenos podem ser decisivos, mas o limite é que uma rede pode aumentar a circulação das mensagens e recuperar disposição para votar, sem necessariamente eliminar toda a desvantagem digital anterior&#8221;, explica.

A analista também projeta que a mudança de postura de Flávio sobre pautas sensíveis ao eleitorado mais vulnerável, como o apoio ao fim da escala 6&#215;1 e a manutenção de programas sociais em um eventual governo em 2027 são acertos, mas que &#8220;curvar&#8221; ideias a agenda do governo reforça dificuldade da campanha em progredir além da base bolsonarista.

&#8220;O problema central é a credibilidade: como compatibilizar essas promessas com as demais propostas econômicas e com declarações de integrantes da própria coalizão? A aproximação pode ser eleitoralmente vantajosa, mas também abre espaço para cobrança sobre financiamento, prioridades e coerência&#8221;, alerta.

&#8220;Flávio acerta ao buscar pautas mais interessadas à base eleitoral de Lula, porque o eleitor bolsonarista já está com ele, independente do que ocorra. Talvez isso não garanta mais votos para o Flávio, mas pode reduzir perdas caso ele adotasse uma postura mais agressiva contra essas propostas&#8221;, complementa Fernandes.

Para Fernandes, Flávio conta com múltiplas vitórias de aliados no 1º turno das urnas para reforçar a campanha eleitoral com maior presença de governadores e parlamentares eleitos, mas ausência de grandes novidades reforça falta de dinamismo ao buscar eleitores além da base.

Migração de votos

A nova rodada Quaest mostrou um avanço da distribuição de votos dos candidatos derrotados no 1º turno à Lula e Flávio nesta reta final.

Apesar de nenhum candidato ter declarado voto explícito em Lula, o petista conquista uma parcela significante de eleitores mesmo em casos que o presidenciável declarou voto à Flávio, como Augusto Cury.

Entre os eleitores do escritor, 48% pretendem votar em Lula no dia 25. Na rodada anterior, publicada em 14 de outubro, somente 34% confirmava a transferência de voto. Os que declararam voto em Flávio passaram de 30% para 33%.

Por outro lado, o apoio do eleitorado de Ronaldo Caiado (PSD) para Flávio, a quem o ex-governador de Goiás declarou voto, saltou de 40% para 51%, enquanto os que votarão em Lula subiu de 15% para 25%.

Para Mayra, a ausência de uma migração direta de votos ao &#8220;eleito&#8221; pelos presidenciáveis reforça a diferença entre o voto de 1º turno e 2º. Para a especialista, no primeiro turno, pessoas podem escolher o mesmo candidato por razões diferentes: identificação ideológica, avaliação pessoal, rejeição aos favoritos ou desejo de renovação.

&#8220;A maior afinidade com a direita ajuda a formular uma hipótese para a migração dos eleitores de Caiado. Já o voto em Cury pode ter reunido motivações mais heterogêneas e uma identificação pessoal que não se converte em adesão ao candidato que ele apoia. A pesquisa informa o destino declarado desses votos, mas não demonstra essas motivações&#8221;, conclui.

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