Os peritos querem explicações sobre os critérios usados pela empresa, as restrições relatadas e os mecanismos de contestação disponíveis. A preocupação é que decisões das plataformas prejudiquem a liberdade de expressão e o equilíbrio entre as campanhas.

Relatos citados pelos especialistas incluem quedas de alcance, restrições a publicações e suspensões temporárias de contas. – Imagem: kckate16/Shutterstock

Relatos apontam diferenças no funcionamento das plataformas

Os problemas relatados envolvem Instagram , WhatsApp e Facebook . Segundo os especialistas, informações de monitoramento e relatos atribuídos a funcionários da própria Meta sugerem que contas ligadas a um dos lados da corrida presidencial foram afetadas de maneira desproporcional.

Entre os episódios mencionados estão interrupções temporárias no perfil de campanha de um candidato, diferenças na contagem de visualizações e restrições a publicações no Instagram. Os observadores também apontaram possíveis disparidades na geração de imagens por inteligência artificial , nos resultados de busca por canais do WhatsApp e na distribuição de Stories.

“Informações, inclusive de funcionários da Meta, sugerem que contas vinculadas a um dos lados da disputa presidencial foram afetadas de forma desproporcional”, afirmam os peritos.

O comunicado também cita uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que determinou que a Meta aplique as mesmas regras às duas campanhas até o segundo turno, sem tratamento desigual nas buscas, recomendações ou no alcance das publicações.

O que a ONU quer esclarecer

A cobrança vai além de bloqueios individuais. Os especialistas querem que a Meta verifique se seus sistemas automatizados estão tratando conteúdos políticos de maneira desigual e explique como essas decisões são tomadas.

Entre as questões que precisam ser esclarecidas estão:

Moderação: quais critérios justificam bloqueios, suspensões ou restrições a publicações políticas?

Recomendação: como os algoritmos determinam o alcance de conteúdos de diferentes campanhas nos feeds dos usuários?

Inteligência artificial: os recursos de geração de imagens apresentam diferenças no tratamento de solicitações relacionadas aos concorrentes?

Buscas e distribuição: por que canais do WhatsApp e Stories de candidatos podem ter resultados ou alcance diferentes?

Contestação: como usuários e campanhas podem questionar decisões e obter respostas em tempo hábil durante a eleição?

Os especialistas defendem que a empresa reavalie seus sistemas de moderação, recomendação e inteligência artificial, explique os motivos das restrições e corrija eventuais desigualdades. As perguntas não significam que o favorecimento de uma campanha esteja comprovado, mas indicam a necessidade de investigar os problemas relatados.

“Perder alcance pode significar perder voz no debate público e a capacidade de mobilizar comunidades. Algoritmos, sistemas de IA e decisões de moderação de conteúdo não devem se tornar árbitros invisíveis da discussão política”, afirmam os especialistas.

A cobrança envolve sistemas de recomendação que ajudam a definir quais publicações aparecem nos feeds dos usuários. Os peritos também questionam possíveis diferenças na geração de imagens por inteligência artificial. – Imagem: gerada por IA

Transparência e respostas rápidas durante a eleição

Os peritos reconhecem a importância de combater a desinformação, mas ressaltam que esse objetivo não deve justificar restrições indevidas a manifestações políticas legítimas. Também defendem mecanismos eficazes para contestar decisões, com respostas rápidas o suficiente para que eventuais correções ainda tenham efeito durante a campanha.

A manifestação foi assinada por relatores especiais da ONU que atuam em áreas como liberdade de expressão, independência judicial, liberdade de reunião e associação e direitos humanos, além de integrantes do Grupo de Trabalho sobre Empresas e Direitos Humanos.

A Meta precisa esclarecer quais critérios orientam a moderação e a recomendação de conteúdo político, como seus sistemas identificam possíveis diferenças de tratamento e quais medidas podem corrigir eventuais problemas. As respostas também devem explicar como a empresa permite que campanhas e usuários contestem restrições. A questão central é verificar se as regras são aplicadas de forma consistente durante o processo eleitoral, sem presumir que as suspeitas relatadas já tenham sido comprovadas.

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