A passagem de Marcelo Paz pelo Corinthians se encerrou nesta terça-feira (20), em meio ao intensificação da crise esportiva e ao aumento da cobrança nos bastidores. Depois de uma reunião com o presidente Osmar Stabile, o executivo decidiu se afastar do cargo em concordância mútua com o clube. A decisão foi tomada após uma série de resultados desfavoráveis, saídas de competições e um ambiente que se tornava cada vez mais tenso no departamento de futebol.

Embora a diretoria inicialmente sinalizasse a intenção de manter o profissional até o encerramento da temporada, a combinação de cobranças externas e problemas internos tornou a permanência mais difícil. Entre os fatores que contribuíram para a saída estão a pressão da torcida organizada Gaviões da Fiel, as críticas a decisões da gestão e a piora da relação com os jogadores.

Pressão da Gaviões da Fiel aumentou o desgaste

Dias antes da demissão, a Gaviões da Fiel havia cobrado publicamente a saída de Marcelo Paz. A manifestação ampliou a pressão sobre a presidência, que já enfrentava questionamentos pelo desempenho da equipe e pela proximidade da zona de rebaixamento.

O Corinthians atravessava um período de instabilidade, com nove partidas sem vitória e eliminações nas copas. Diante desse cenário, a manutenção do executivo passou a ser questionada, e a diretoria acabou optando por uma mudança no comando do futebol.

Contratação de Seedorf gerou críticas internas

Outro ponto de desgaste foi a avaliação interna sobre a contratação de Seedorf. Segundo apuração, setores ligados à presidência consideraram inadequada a escolha do profissional para o momento vivido pelo Corinthians.

O ex-jogador estava sem trabalhar como treinador desde 2019 e apresentava aproveitamento considerado baixo nas equipes que comandou. A avaliação de que faltava experiência recente no futebol brasileiro para lidar com uma situação de emergência provocou críticas nos bastidores.

Desabafo de Gabriel Paulista expôs crise no elenco do Corinthians

O relacionamento entre a diretoria e os jogadores também teria se deteriorado. Após a derrota por 4 a 1 para o Palmeiras, no domingo (11), o zagueiro Gabriel Paulista fez um desabafo contundente, criticou a falta de respaldo da cúpula alvinegra e revelou atrasos salariais.

“Tem muita gente aqui dentro que não respeita esse clube”, afirmou o defensor. A declaração evidenciou o nível de insatisfação no ambiente corintiano e aumentou a pressão sobre os responsáveis pela gestão do futebol.

O episódio reforçou a percepção de que a crise não estava restrita aos resultados dentro de campo, mas também envolvia a relação entre os atletas e a administração.

Mudança busca reorganizar o departamento

Marcelo Paz chegou ao Corinthians no início da temporada, após a saída de Fabinho Soldado. Antes de assumir o cargo, ganhou destaque como presidente do Fortaleza, período em que o clube cearense alcançou campanhas importantes no cenário nacional.

No Timão, participou de decisões relacionadas à montagem do elenco e à condução do departamento de futebol. Entre as contratações realizadas durante sua passagem estão Lingard, Allan, Labyad, Kaio César, Milans, Matheus Pereira e Gabriel Paulista.

A saída do executivo abre uma nova etapa para a gestão de Osmar Stabile. Até o momento, o Corinthians não anunciou um substituto definitivo, e Julio Cesar, atual gerente de futebol, aparece como uma alternativa para conduzir o setor durante o período de transição.