# Britânica passa por transplante de fígado após usar ashwagandha; Anvisa alerta sobre proibição de erva no Brasil

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/10/21/britanica-passa-por-transplante-de-figado-apos-usar-ashwagandha-anvisa-alerta-sobre-proibicao-de-erva-no-brasil.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-21T19:25:51.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1290085-britanica-passa-por-transplante-de-figado-apos-usar-ashwagandha-anvisa-alerta

> Mulher de 44 anos tomou gomas da erva por cerca de um ano

A britânica Lois Kinder, de 44 anos, entrou em coma e precisou de um transplante de fígado depois de tomar, durante cerca de um ano, gomas de ashwagandha, erva vendida como calmante natural. Segundo a imprensa britânica, os médicos acreditam que o suplemento causou a falência do órgão.

Nativa da Índia, a planta vem sendo usada em cápsulas e gomas vendidas como remédio natural para estresse, sono e equilíbrio hormonal. Segundo a Anvisa, porém, a eficácia e a segurança do produto não foram comprovadas.

Especialistas alertam que muitas pessoas consideram esses produtos seguros por serem naturais e passam a usá-los sem orientação médica.

Mulher de 44 anos tomou gomas da erva por cerca de um ano

No Brasil, a ashwagandha é proibida desde novembro de 2022 por uma resolução da Anvisa. Mesmo assim, produtos à base dela ainda são encontrados à venda no país. Após a repercussão do caso, a agência divulgou uma nota reforçando a proibição e lembrando que o produto não tem qualidade, eficácia e segurança comprovadas.

Do perfil no TikTok à fila de transplante

Lois, que mora em Lymm, no condado de Cheshire, no noroeste da Inglaterra, não era apenas consumidora. Ela divulgava as gomas no TikTok e recebia produtos de empresas conhecidas do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Índia para revender aos seguidores.

O primeiro sinal de que algo estava errado foi a cor. A pele e os olhos ficaram amarelados, quadro chamado de icterícia.

Mulher de 44 anos tomou gomas da erva por cerca de um ano

Isso acontece quando o fígado deixa de dar conta da bilirrubina, um pigmento amarelo que se forma quando o corpo descarta glóbulos vermelhos velhos. Com o órgão doente, o pigmento se acumula no sangue e tinge os tecidos.

O fígado de Lois parou de funcionar e a única saída foi o transplante. Durante a cirurgia, ela sofreu três paradas cardíacas, provocadas por um coágulo que bloqueou a principal artéria dos pulmões, e ficou com danos cerebrais graves.

A literatura médica já registra outros casos de lesão no fígado associados à ashwagandha. Em 2020, médicos da Islândia e dos Estados Unidos descreveram cinco pacientes que tiveram icterícia intensa e coceira depois de usar suplementos com a erva. Na maioria deles, os exames voltaram ao normal entre um e cinco meses após a suspensão do produto.

Há também desfechos graves. Um caso publicado por médicos da Universidade de Minnesota, nos EUA, terminou em falência aguda do fígado e transplante. Uma revisão apresentada neste ano reuniu 37 casos descritos em artigos científicos e apontou que alguns deles resultaram em morte ou transplante.

Ingrediente fora da lista da Anvisa

No Brasil, suplemento alimentar não é um produto livre. As regras estão em uma resolução de 2018, a RDC 243, que só permite o uso de ingredientes autorizados pela Anvisa. A ashwagandha não está nessa lista.

A Anvisa informou que fiscaliza a venda desses produtos e que as pessoas podem denunciar a venda ilegal à agência ou na vigilância sanitária da sua cidade. O alerta que os consumidores devem saber que a comercialização é proibida.

A agência também reforça que, pela norma, suplementos alimentares não podem ser vendidos ou anunciados com a promessa de cura, tratamento ou prevenção de doenças.

Reportagem completa: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/10/21/britanica-passa-por-transplante-de-figado-apos-usar-ashwagandha-anvisa-alerta-sobre-proibicao-de-erva-no-brasil.ghtml

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