# Justiça torna 12 réus por queda de avião da Voepass que matou 62 em Vinhedo

- Seção: Itatiba e Região
- Fonte: Tribuna de Jundiaí (https://tribunadejundiai.com.br/policia/justica-reus-queda-aviao-vinhedo/)
- Publicado em: 2026-10-21T20:48:18.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1291332-justica-torna-12-reus-por-queda-de-aviao-da-voepass-que-matou-62-em-vinhedo

> A Justiça Federal tornou réus 12 pessoas ligadas à Voepass pela queda de um avião em Vinhedo , no interior de São Paulo. O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024 e deixou 62 mortos . A decisão acolheu a denúncia do Ministério Público…

Os réus responderão pelos crimes de atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro em transporte aéreo. Segundo o MPF, falhas na manutenção e na gestão da segurança operacional contribuíram para a tragédia.

A decisão da 9ª Vara Federal de Campinas permite o início do processo criminal. No entanto, o recebimento da denúncia não significa que os acusados sejam culpados.

Queda de avião em Vinhedo: quem são os 12 réus?

Entre os acusados estão integrantes da alta administração, diretores, gerentes e funcionários da Voepass. Eles ocupavam funções estratégicas na época do acidente.

De acordo com o MPF, os dirigentes tomavam decisões que influenciavam diretamente a segurança das operações. A denúncia aponta que a empresa priorizava a redução de custos e os resultados financeiros em detrimento da manutenção preventiva.

Além dos ocupantes de cargos de chefia, dois funcionários sem funções de comando também responderão criminalmente. Segundo a acusação, ambos contribuíram diretamente para as circunstâncias que levaram ao acidente.

Outras quatro pessoas indiciadas pela Polícia Federal (PF) firmaram acordos de não persecução penal. Por isso, o MPF não apresentou denúncia contra elas.

A investigação também identificou riscos em três voos anteriores , realizados com a mesma aeronave. Segundo os procuradores, passageiros e tripulantes enfrentaram situações de insegurança antes da tragédia.

Para o Ministério Público Federal, o acidente não foi um episódio isolado. A acusação sustenta que houve omissões na manutenção, descumprimento de normas e falhas contínuas na gestão da segurança operacional.

Voepass afirma que colaborará com a Justiça

Em nota divulgada à CNN Brasil, a Voepass informou que continuará colaborando com o Poder Judiciário e outras autoridades.

A companhia também declarou que manteve a segurança operacional como princípio fundamental durante mais de três décadas de atuação.

Segundo a empresa, suas atividades de manutenção, operação e treinamento seguiram normas aeronáuticas e diretrizes internas de segurança.

A defesa de José Luiz Felício Filho , integrante do Conselho da Voepass na época do acidente, também se manifestou.

Os advogados afirmaram que o executivo estava afastado da gestão cotidiana da companhia quando ocorreu a queda. Ele teria retomado a administração executiva após a tragédia.

A defesa informou ainda que apresentará sua manifestação no momento adequado, durante o processo judicial.

Felício reafirmou sua confiança no devido processo legal e manifestou solidariedade aos familiares das vítimas.

Famílias das vítimas comemoram decisão judicial

O advogado Leonardo Amarante , que representa famílias de 37 vítimas , avaliou positivamente a abertura da ação penal.

Em entrevista à CNN Brasil, ele destacou o caráter inédito do processo em relação à responsabilização criminal por um acidente aéreo no país.

Segundo Amarante, as famílias receberam a decisão com satisfação e esperam que o processo avance até a definição das responsabilidades.

O advogado também demonstrou expectativa de que a Justiça conduza o caso com efetividade.

Cenipa apontou que avião da Voepass não deveria ter decolado

O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) identificou uma sequência de falhas relacionadas à tragédia.

Os investigadores encontraram problemas na operação da aeronave, na atuação da tripulação e na supervisão da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Segundo o documento, o avião não deveria ter decolado nas condições em que se encontrava.

A aeronave apresentava falhas no sistema Airframe De-Icing , responsável pela proteção contra o acúmulo de gelo em suas superfícies.

O avião, um ATR-72 de matrícula PS-VPB , fazia o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) .

Durante o voo, a aeronave encontrou condições severas de formação de gelo. O acúmulo prejudicou seu desempenho e provocou perda de velocidade.

Em seguida, o avião entrou em estol aerodinâmico, perdeu o controle e caiu em uma área residencial de Vinhedo.

Todos os ocupantes morreram: 58 passageiros e quatro tripulantes .

O Cenipa concluiu que a operação contrariou requisitos de segurança. Isso porque o sistema de proteção contra gelo estava indisponível.

Nessas condições, a aeronave não deveria ter realizado o voo diante da possibilidade de encontrar formação de gelo.

A investigação apontou, porém, que a companhia autorizou a operação mesmo com a falha conhecida.

Investigação identificou erros da tripulação e falhas de segurança

Além dos problemas na manutenção, o Cenipa identificou falhas na atuação dos pilotos durante o voo.

Segundo os investigadores, a tripulação demorou a perceber a gravidade da perda de desempenho causada pelo gelo.

Os pilotos também não executaram, no momento adequado, os procedimentos recomendados pelo fabricante.

Essas medidas poderiam ajudar a aeronave a deixar a região de formação severa de gelo e preservar a velocidade de segurança.

Apesar disso, o relatório destacou que os dois profissionais tinham habilitação regular e treinamento específico para situações de formação de gelo.

A análise também revelou problemas na cultura de segurança operacional da Voepass.

Os investigadores examinaram registros de mais de 1.200 voos da aeronave. Nesse levantamento, encontraram ocorrências semelhantes às identificadas antes do acidente.

Entre os problemas estavam falhas recorrentes no sistema de degelo, perda de desempenho e reinicializações do equipamento de proteção.

Além disso, a investigação apontou situações nas quais tripulações não trataram adequadamente os alertas operacionais.

O relatório reforçou a necessidade de aprimorar a manutenção, os procedimentos operacionais e a fiscalização da aviação.

O Cenipa realiza investigações técnicas com foco na prevenção de novos acidentes. A responsabilização criminal, por sua vez, cabe à Justiça.

Com a abertura da ação penal, a Justiça analisará as provas e os argumentos das defesas para determinar a responsabilidade de cada acusado.

Reportagem completa: https://tribunadejundiai.com.br/policia/justica-reus-queda-aviao-vinhedo/

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