A companhia agora espera gastar entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões (cerca de R$ 729 bilhões a R$ 783 bilhões) em investimentos de capital ao longo de 2026. Antes, a previsão começava em US$ 130 bilhões (cerca de R$ 702 bilhões), mantendo o teto de US$ 145 bilhões.
Os números reforçam a aposta do CEO Mark Zuckerberg em infraestrutura de inteligência artificial (IA), incluindo centros de dados, chips e capacidade computacional. Ao mesmo tempo, a Meta busca ampliar as possibilidades de financiar essa expansão sem comprometer o controle acionário do executivo.
Receita supera expectativas, mas lucro sofre impacto de acordo judicial
A receita de US$ 64,6 bilhões superou as expectativas de Wall Street, que projetavam aproximadamente US$ 63,37 bilhões (cerca de R$ 342 bilhões). O crescimento anual de 26% foi impulsionado principalmente pelo negócio de publicidade, que continua sendo a principal fonte de faturamento da empresa;
O lucro por ação diluído ficou em US$ 3,83. O resultado, porém, foi afetado por uma despesa de US$ 9,89 bilhões (cerca de R$ 53,4 bilhões) relacionada ao acordo firmado em agosto para encerrar processos movidos por estados estadunidenses sobre alegações de que as plataformas da Meta foram projetadas para estimular o uso compulsivo entre crianças e adolescentes;
Sem essa despesa extraordinária, o lucro por ação teria chegado a US$ 7,40, segundo os cálculos divulgados pela companhia;
O acordo prevê pagamentos que podem chegar a US$ 18 bilhões (cerca de R$ 97 bilhões) ao longo de uma década, além de restrições relacionadas ao uso do Facebook e do Instagram por adolescentes. A resolução dos processos também afastou obstáculo jurídico que poderia resultar em julgamento prolongado e na divulgação de documentos internos da empresa.
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Receita de US$ 64,6 bilhões superou as expectativas de Wall Street – Imagem: Tada Images/Shutterstock
Meta eleva investimentos em IA
O aumento dos gastos previstos ocorre em meio à corrida das grandes empresas de tecnologia para construir infraestrutura capaz de treinar e executar modelos avançados de IA.
No terceiro trimestre, os investimentos de capital da Meta somaram US$ 34,91 bilhões (cerca de R$ 188,5 bilhões), acima dos US$ 31,08 bilhões (cerca de R$ 168 bilhões) registrados no trimestre anterior.
A expansão envolve centros de dados, chips e outros recursos computacionais necessários para desenvolver modelos e oferecer serviços de IA em larga escala. O ritmo dos investimentos, porém, tem pressionado o fluxo de caixa da companhia.
A Meta registrou fluxo de caixa livre negativo de US$ 2,2 bilhões (cerca de R$ 11,9 bilhões) no trimestre. Isso significa que, após considerar os investimentos de capital, a empresa gastou mais caixa do que gerou nesse indicador durante o período.
O cenário ajuda a explicar por que a companhia está buscando novas formas de financiar sua expansão. Embora o negócio de publicidade continue crescendo, a construção de infraestrutura de IA exige desembolsos elevados antes que todos os investimentos necessariamente se convertam em receitas adicionais.
Nova classe de ações pode financiar expansão da Meta
A Meta também anunciou planos para emitir nova classe de ações sem direito a voto a partir de janeiro de 2027.
A iniciativa poderá ajudar a companhia a financiar aquisições e atrair profissionais especializados, sem alterar o controle de Zuckerberg sobre as decisões da empresa. A estrutura permite levantar recursos ou utilizar ações em operações corporativas sem necessariamente ampliar o poder de voto de novos acionistas.
A medida surge em momento em que a Meta busca competir com empresas, como OpenAI e Anthropic, no desenvolvimento de modelos e agentes de IA.
O lançamento do assistente pessoal Muse e de uma nova geração de modelos da companhia tem contribuído para sustentar a aposta na IA. Ainda assim, a monetização dessas iniciativas e a capacidade de transformar os investimentos em crescimento duradouro permanecem questões importantes para o negócio.
Publicidade continua sustentando o negócio
Apesar do avanço dos investimentos em IA, a publicidade continua sendo a principal fonte de receita da Meta. A empresa utiliza IA para aprimorar a segmentação dos anúncios e as recomendações de conteúdo, buscando aumentar o engajamento dos usuários e melhorar os resultados dos anunciantes.
No mercado de vídeos curtos, o Reels compete com o TikTok e o YouTube Shorts. Já o Threads disputa espaço com o X, de Elon Musk.
Esses serviços ajudam a manter a atividade publicitária no centro da estratégia da companhia, enquanto a Meta desenvolve novas fontes potenciais de receita relacionadas à IA.
Os resultados do trimestre mostram, portanto, uma empresa que continua expandindo o faturamento, mas direciona volumes cada vez maiores de recursos à infraestrutura tecnológica. O desafio será demonstrar que essa aposta pode gerar retornos suficientes para compensar o custo crescente da corrida pela IA.
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