A Tesla atribuiu a redução da rentabilidade ao aumento dos gastos com pesquisa e desenvolvimento de inteligência artificial e outros projetos, às despesas com remuneração em ações e à queda das receitas com créditos regulatórios. O desempenho também foi pressionado pela redução do lucro bruto da divisão de energia e armazenamento. Esses efeitos foram parcialmente compensados pela melhora das margens do setor automotivo.

A receita da companhia ficou praticamente estável, em US$ 28,05 bilhões. O lucro operacional recuou 56%, para US$ 718 milhões, enquanto as despesas operacionais cresceram 39%, para US$ 4,78 bilhões.

Já o lucro líquido ajustado, que desconsidera determinados efeitos contábeis, foi de US$ 1,7 bilhão, queda de 4% na comparação anual.

A receita da Tesla com a venda de créditos regulatórios caiu 73%, de US$ 417 milhões para US$ 113 milhões na comparação anual. Esses créditos são obtidos pela companhia em razão da produção de veículos de baixa emissão e vendidos a outras montadoras que precisam cumprir metas ambientais. A redução dessas operações diminuiu uma fonte de receita do segmento automotivo e contribuiu para pressionar o lucro da empresa.

A receita com veículos caiu 3%, para US$ 20,56 bilhões, acompanhando a redução de 2% nas entregas. Apesar disso, a margem bruta do segmento automotivo subiu de 17% para 18,5% na comparação anual. Sem considerar as receitas com créditos regulatórios, a margem avançou de 15,4% para 18,1%.

A divisão de geração e armazenamento de energia registrou receita de US$ 2,88 bilhões, queda de 16% em relação ao mesmo período de 2025. O recuo ocorreu apesar do aumento de 10% no volume de armazenamento implantado, que atingiu 13,7 GWh.

A companhia atribuiu parte da redução da receita a reembolsos a clientes relacionados a tarifas comerciais. A Tesla também anunciou o início da produção de baterias Megapack em uma nova fábrica no Texas, com capacidade instalada de 50 GWh por ano, e afirmou esperar maior demanda por sistemas de armazenamento para abastecer data centers.

INVESTIMENTOS E CAIXA

Os investimentos da Tesla mais que dobraram no trimestre, com alta de 110%, para US$ 4,73 bilhões. O avanço dos gastos com infraestrutura, inteligência artificial e expansão da capacidade produtiva reduziu a geração de caixa livre, que caiu 62%, de US$ 3,99 bilhões para US$ 1,53 bilhão na comparação anual. O indicador representa o dinheiro que resta depois de descontados os investimentos do caixa gerado pelas operações.

Apesar da redução, a empresa não apresentou queima líquida de caixa no período. A Tesla gerou US$ 6,26 bilhões em caixa operacional, suficientes para cobrir seus investimentos, e reverteu o fluxo de caixa livre negativo de US$ 1,09 bilhão registrado no trimestre anterior. A companhia encerrou setembro com US$ 45,45 bilhões em caixa, equivalentes e investimentos de curto prazo, aumento de US$ 1,9 bilhão em relação ao registrado no trimestre anterior.