O grupo também solicita 8 anos de inelegibilidade para Flávio, Pablo Marçal e Tallis Gomes. A ação atribui à campanha de Flávio possíveis irregularidades relacionadas ao uso de inteligência artificial, à distribuição de conteúdo nas redes e a pagamentos à empresa Elytron.
Segundo a ação, os sistemas de recomendação, as ferramentas de inteligência artificial e a revisão de anúncios da Meta (dona de Instagram, Facebook e WhatsApp) e do X favoreceram repetidamente a candidatura do PL e prejudicaram a de Lula. As duas empresas são citadas como terceiras interessadas, mas o pedido de cassação não é dirigido a elas.
A ação foi distribuída ao corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. O 2º turno é no domingo (25.out.2026).
O que diz a ação
A coligação afirma que o caso não trata do que um candidato disse, mas de quem decide o que o eleitor vê.
A petição cita:
rede de 255 perfis com conteúdo sintético, que fez 1.204 publicações e somou 58,6 milhões de visualizações em um mês;
perfil de Flávio com 2,96 vezes mais interações por publicação do que o de Lula na 1ª semana do 2º turno, apesar de ter 17,2% menos seguidores;
ferramentas de inteligência artificial da Meta e do X que produzem peças com “Flávio 22” e ;
conta de anúncios da campanha de Lula desativada antes do 1º turno, e 1.121 relatos de restrição de alcance ou banimento de perfis de apoio;
1.613 anúncios eleitorais pagos em moeda estrangeira, com até R$ 2 milhões recebidos pela Meta e até 171,1 milhões de impressões, segundo relatório do NetLab, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
A petição também cita pagamento de R$ 600 mil da campanha de Flávio à empresa Elytron . Segundo reportagem do site Intercept Brasil, a empresa de cibersegurança tentou vender fora do país um sistema que utiliza inteligência artificial para manipular eleições.
A coligação quer decisões provisórias antes do 2º turno, em 5 blocos:
preservação de registros da Meta e do X, com multa diária de R$ 100 mil por empresa;
proibição de tratamento desigual entre os candidatos até as 23h59 de domingo (25.out.2026), com multa diária de R$ 1 milhão por plataforma;
esclarecimentos técnicos das empresas em 48 horas;
novas medidas, a serem analisadas depois dessas respostas;
recomposição do alcance pago que a campanha de Lula diz ter perdido em 9 e 10 de outubro, até as 23h59 de sábado (24.out.2026). Uma das alternativas é a concessão de créditos de impulsionamento de R$ 7 milhões.
Ao final do processo, a coligação pede a cassação do registro ou do diploma de Flávio e de Gaspar. Pede também 8 anos de inelegibilidade para Flávio, Pablo Marçal e Tallis Gomes. Para Gaspar, a inelegibilidade só seria aplicada se a investigação mostrar que ele contribuiu para os fatos.
Marçal integra a equipe de campanha de Flávio desde o fim de setembro. Tallis Gomes é ligado a um grupo empresarial parceiro da Elytron, empresa que recebeu R$ 600 mil da campanha do PL. Os 2 não são investigados na ação.
O governo Lula vê a atuação de empresas de tecnologia também como uma questão de influência geopolítica. Em janeiro de 2025, Sidônio Palmeira, ministro da Secom e marqueteiro da atual campanha de Lula, afirmou que medidas da Meta afrontavam a soberania nacional . Isso foi depois que a empresa mudou suas regras de moderação.
Recentemente, o marqueteiro ligou a suspeita aos Estados Unidos . Disse que a Meta sempre beneficiou a “extrema-direita” e que “estão objetivamente interferindo nas eleições dos brasileiros” . Em julho, o Planalto já avaliava que a pressão dos Estados Unidos contra a regulação de plataformas digitais no Brasil tentava interferir no debate político do país.
A avaliação no governo é de que Donald Trump (Partido Republicano) tem interesse em um resultado favorável à direita brasileira, em um contexto de aproximação entre o presidente norte-americano e Flávio Bolsonaro.
Na campanha, há outras iniciativas relacionadas à atuação de plataformas digitais na eleição. Só no TSE, existem mais de 90 ações sobre redes sociais.
Em setembro, a coligação recorreu à empresa contra a restrição da conta de anúncios do presidente , desativada em 23 de setembro. Na ocasião, os advogados pediram o restabelecimento do perfil e questionaram a justificativa apresentada pela plataforma.
No 2º turno, a coligação também levou ao TSE questionamentos sobre a queda de alcance de publicações favoráveis a Lula e conteúdos considerados desinformativos.
Em outra frente, pediu investigação sobre um possível esquema de distribuição de criptomoedas para estimular a divulgação de propaganda favorável a Flávio Bolsonaro. Na 6ª feira (9.out), o TSE determinou a suspensão do site que oferecia as criptomoedas . A campanha de Flávio disse desconhecer a autoria do site.
A campanha também levou o caso à OEA (Organização dos Estados Americanos). E a manifestação da ONU veio depois que o time de Lula chamou observadores internacionais do TSE para apresentar um relatório sobre o suposto favorecimento a Flávio .
Nesta 3ª feira (20.out), o PT lançou um site para reunir queixas de “censura” e “restrições” de alcance nas redes.
O OUTRO LADO
O Poder360 procurou representantes da Meta e da chapa de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar para perguntar se gostariam de se manifestar a respeito da Aije. A equipe de Tallis Gomes também foi procurada. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
A equipe de Pablo Marçal e da empresa Elytron também foi procurada e informou que vai verificar.
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