# Com Olivia Wilde dominatrix, 'I Want Your Sex' manda a geração Z transar mais e melhor; g1 já viu

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2026/10/22/com-olivia-wilde-dominatrix-i-want-your-sex-manda-a-geracao-z-transar-mais-e-melhor-g1-ja-viu.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-22T06:00:00.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1296703-com-olivia-wilde-dominatrix-i-want-your-sex-manda-a-geracao-z-transar-mais-e

> Cooper Hoffman e Olivia Wilde em 'I Want Your Sex' (2026)

O diretor Gregg Araki, do movimento New Queer Cinema ("novo cinema queer"), sempre pautou boa parte do seu trabalho em torno do sexo: traumas, experimentações, a seriedade e o ridículo das relações sexuais (e como, às vezes, os dois andam lado a lado).

Com décadas de carreira, ele ainda tem mais a dizer. Araki volta ao tema no filme "I Want Your Sex", que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta (22), com um olhar atualizado: desta vez, o diretor e roteirista quer falar sobre o sexo que a geração Z faz ou, muitas vezes, deixa de fazer.

Choque (sexual) de gerações

Em “I Want Your Sex”, o jovem Elliott (Cooper Hoffman) se torna assistente de Erika Tracy (Olivia Wilde), uma artista ousada, mais de dez anos mais velha que ele.

Ele tem um namoro sem paixão com Minerva (Charli XCX, sim, a cantora e agora atriz) e sua libido é direcionada para a chefe — rapidamente, Erika e Elliott passam a viver intensas experiências sexuais; ela dominante, ele, submisso.

Vale destacar a escolha de personagens de Olivia Wilde neste ótimo ano de carreira. A mesma atriz que interpretou, com excelência, uma mulher frígida em um casamento falido (“O Convite”) é aqui uma dominatrix bastante convincente.

No papel de Erika, Wilde alterna entre uma postura dominadora, frestas de emoção e um ótimo timing cômico para frases absurdas. Não sabemos tanto sobre Erika, mas a atriz mostra o suficiente do papel para manter o público entretido.

Olivia Wilde em 'I Want Your Sex', de Gregg Araki

Já Hoffman fica responsável por mostrar a confusa relação entre jovens e a sexualidade nos tempos atuais. O filme argumenta que a geração Z (principalmente a parte hétero) é reprimida por suas próprias preocupações, e precisa transar mais (e melhor).

Afinal, para que o sexo aconteça, algumas regras precisam ser quebradas — e quem estimula Elliott a fazer isso é justamente uma mulher mais velha, que questiona os limites do que é permitido na cama.

Como o próprio nome já diz, este é um filme com um bocado de sexo. Mas não é exatamente sensual: na verdade, trata a relação sexual como um encontro muitas vezes desajustado e inevitavelmente vulnerável, ainda que sempre transgressor de alguma forma.

Enquanto filmes eróticos costumam ser escuros e misteriosos, tudo aqui é bem colorido e pop, uma estética comum nas obras mais ácidas de Araki. Por isso, a história nunca deixa de ser leve e até estapafúrdia, mesmo quando entra em um ponto mais "dramático".

Para o bem e para o mal, “I Want Your Sex” foi claramente escrito por roteiristas mais velhos do que a geração que quer analisar. Por um lado, isso permite que o filme faça a sua crítica (construtiva, digamos) à gen Z. Mas por outro, o roteiro nem sempre entende seus personagens, e alguns diálogos expõem uma visão um pouco caricata sobre os jovens.

A condução da trama também é meio "freestyle", sobretudo na reta final. Parece que o filme sabe as questões que quer levantar, não necessariamente onde quer chegar com elas, ou como resolvê-las.

Na escala dos filmes de Gregg Araki, ele está levemente com o pé no freio na maluquice, mas o suficiente para impressionar qualquer espectador desacostumado.

Charli XCX e Cooper Hoffman em 'I Want Your Sex' (2026)

Mas nada disso impede o filme de ser uma divertida viagem. Até porque o tom pop, despretensioso e exagerado consegue tirar sarro de todos os envolvidos: quando o assunto é sexo, nem a pessoa mais bem-resolvida consegue escapar totalmente do ridículo.

Não é um filme para se levar a sério demais, mas deixa seu recado. Há momentos chocantes, muitos engraçados e também suficientes para provocar boas discussões sobre sexo. Em meio a um mar de reboots e filmes megacomerciais, "I Want Your Sex" é uma história original e irreverente — o que é sempre bem-vindo.

Reportagem completa: https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2026/10/22/com-olivia-wilde-dominatrix-i-want-your-sex-manda-a-geracao-z-transar-mais-e-melhor-g1-ja-viu.ghtml

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