André Oliveira DB já está na Suíça, onde vai representar o Brasil, pela segunda vez, na final mundial do Red Bull Dance Your Style.
Com 27 anos, o dançarino, coreógrafo e educador, que nasceu e cresceu no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, é um dos maiores representantes do Passinho.
A dança, que começou nos bailes funks cariocas e mistura diversos estilos, como o break, a capoeira, o frevo e até o ballet clássico, foi declarada patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro, em 2024.
Em 2023, André venceu o Red Bull Dance Your Style no Brasil e representou o país na final mundial do evento na Alemanha.
Em maio, ele se tornou bicampeão da etapa nacional. O concurso reúne 16 dançarinos em batalhas nas quais o público presente escolhe quem se saiu melhor. Os participantes improvisam os passos dentro de seus gêneros de dança em cima de músicas que são anunciadas apenas no momento da batalha.
Na final nacional, que aconteceu em maio, em Campinas (SP), por exemplo, uma das faixas escolhidas para André foi "Beat It", de Michael Jackson. O dançarino roubou a cena fazendo suas tradicionais pontas de pé (imitando os passos de bailarinas de ponta, mas sem as sapatilhas), além de demonstrar seu conhecido estilo que mistura o passinho com o afro e o vogue.
"Significa muita coisa ir para a Final Mundial, principalmente por estar representando minha dança e o Brasil. Tenho muita gente como referência aqui e vou poder representá-los lá. Estou treinando diariamente, trazendo minha experiência, vivência e essência. E vou levar o gingado brasileiro para a Suíça, principalmente o passinho e o funk”, afirmou André antes da final.
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André começou a dançar na sala de casa na Vila Cruzeiro e gravava sua performance com um celular pendurado na porta de casa.
"A dança está comigo desde que eu nasci, não sei quando comecei a dançar o passinho", afirmou ele no documentário "Passinho Foda - O corre por trás da dança". O filme, que foi indicado ao Emmy Internacional, mostra a trajetória de André até a final do evento de 2023, além de contar a história do passinho.
Com espírito competitivo, o dançarino já participou de diversas batalhas. Na primeira, ficou em terceiro lugar e ganhou R$ 300 pela participação. Hoje, também trabalha como coreógrafo na Europa e no Brasil.
"Meus movimentos são basicamente todos executados através das pernas. Faço movimento de ponta de pé, no balé, utilizam uma sapatilha de ponta, mas ele faz descalço. É contato com o chão e com a ancestralidade", conta André, ao falar sobre sua forma de dança.
André Oliveira DB com Mariah carey no Rock in Rio 2024
"É comum me machucar dançando passinho. Já treinava no asfalto. Então nunca tive um local tão adaptado pra treinar. O dedo machuca. Se não sangrar, não é passinho. Tem que sangrar", contou André, que sofre com uma lesão no joelho por repetição nos treinos.
No início, a mãe de André não gostava que ele dançasse. "Eu tinha medo. Se você ia ficar na rua, se misturar com as coisas que não deve", revelou ela no documentário.
Em sua trajetória, além das batalhas e workshops, André também já participou de clipes e subiu ao palco de festivais e estrelas nacionais e internacionais, como Mariah Carey, no Rock in Rio 2024.
"O Passinho abriu muitas portas pra mim. Ele te tira de um lugar que a sociedade te vê mal olhado. Devo tudo ao passinho."
A final mundial do Red Bull Dance Your Style acontece em 24 de outubro, na Suíça.
André Oliveira DB com a mãe

