# Energia mais barata deve frear prévia da inflação em outubro, apontam projeções

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/economia/projecao-ipca-15-outubro-previa-inflacao/)
- Publicado em: 2026-10-22T08:00:00.000Z
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> A prévia da inflação oficial do país, medida pelo IPCA-15 , deve apresentar uma desaceleração no mês de outubro, impulsionada pela queda nos custos de energia elétrica, segundo estimativas dos economias. Mas os preços dos alimentos in…

As projeções do mercado apontam um IPCA-15 variando entre 0,40% e 0,49%, percentual menor que o 0,70% registrado em setembro .

O Banco BV estima uma alta de 0,40% no IPCA-15 de outubro. A Warren projeta 0,41%. O banco Daycoval aguarda um avanço de 0,43%. O Bradesco prevê 0,45%, SulAmerica Investimentos estima alta de 0,46%, enquanto o ASA tem uma projeção de 0,49%. A Suno Research, embora não faça projeções fechadas para o índice, estima qualitativamente uma alta &#8220;possivelmente acima de 0,4&#8221;.

O peso da energia elétrica

A principal âncora para a inflação neste mês é o grupo Habitação. Segundo a Warren, o grupo contará com um alívio de 0,12%, viabilizado por um recuo de 1,10% na energia elétrica graças à vigência da bandeira tarifária verde.

O economista Leonardo Costa, do ASA, pontua que a inflação de energia elétrica está se normalizando após a aplicação do bônus de Itaipu, o que é a principal fonte de desaceleração. O banco Daycoval também cita a transição da bandeira amarela para a verde e o fim dos descontos de Itaipu como justificativas para a deflação do item.

El Niño encarece a feira

Se a luz traz alívio, a alimentação no domicílio deve sentir a alta de preços, puxada pelos itens in natura . De acordo com o Bradesco, os preços dos alimentos devem registrar a maior variação desde o mês de maio, devido aos efeitos do fenômeno climático El Niño.

Andréa Angelo, estrategista de inflação Warren Investimentos, projeta que o grupo Alimentação e Bebidas voltará a acelerar, com uma alta de 0,96%, sendo os itens in natura responsáveis por uma pressão de 6,10%.

“Em nossa avaliação, essa alta nos alimentos reflete a quantidade de chuva bem acima da normalidade, possivelmente influenciada pelo El Niño, impactando diretamente os alimentos frescos”, afirma Gabriel Pestana, economista da Genial. “Esse fator é amplificado pela forte aceleração do preço da arroba do boi nos mercados pecuários, diante de uma retração dos abates, maior retenção de fêmeas e possível queda nos estoques”, diz.

Transportes pesam no bolso

A despesa com locomoção é outro peso no bolso devido às flutuações do petróleo no mercado internacional. A Warren projeta alta de 0,44% em Transportes, influenciada pelo aumento de 3,50% nas passagens aéreas e pelos reajustes de combustíveis: gasolina (+0,35%), etanol (+3,80%) e diesel (+4,89%).

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, reforça que dinâmicas globais, como o conflito no Oriente Médio, continuam pressionando derivados de petróleo, a exemplo do diesel e do querosene de aviação.

Segundo Pestana, da Genial, o governo federal ampliou a redução dos impostos para tentar conter o repasse dos preços às bombas, mas, até setembro, a medida não tinha tido o efeito esperado. A alta dos combustíveis, especialmente o diesel, também impacta o custo do frete, que pesa na maioria dos setores de produção.

Cenário para os juros e meta de 2026

Apesar da trégua pontual no IPCA-15, o horizonte anual segue fora da meta. O acumulado em 12 meses deve se manter em patamar elevado, variando de 4,70%, segundo o Daycoval, e 4,71%, para Banco BV e Warren. O indicador pode subir até 4,80%, para o ASA, e 4,83%, na avaliação da Genial. A meta da inflação é de 3%, com tolerância de até 4,5%.

Com um balanço de riscos &#8220;assimétrico altista&#8221; e serviços subjacentes ainda pressionados, as estimativas para o IPCA fechado de 2026 superam esse teto da meta.

O ASA projeta que o ano terminará com inflação em 5,10%. O Daycoval, citando a probabilidade de eventos climáticos intensos no segundo semestre, revisou sua estimativa para 5,0%. Já a Suno projeta o indicador encerrando o ano entre 5,1% e 5,2%.

A persistência da inflação em itens intensivos em mão de obra e o cenário global trazem complexidade à política monetária. Segundo Sung, isso traz “pouca flexibilidade” para o Banco Central continuar o ciclo de corte de juros, atualmente em 13,75%.

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