Na avaliação do Safra, o banco segue em trajetória de recuperação gradual, sustentada principalmente pelo desempenho da operação de seguros, pela disciplina na gestão de custos e por uma estrutura de capital mais robusta.

Balanços do 3T26: O que esperar de Santander, Bradesco, Itaú e Banco do Brasil?

Após o forte rali das ações do setor impulsionado pelo cenário eleitoral, investidores voltam a concentrar atenções na evolução da inadimplência, da qualidade dos ativos e das despesas com provisões

O Safra projeta lucro líquido de aproximadamente R$ 7,1 bilhões, praticamente estável na comparação trimestral e cerca de 13,6% superior ao observado no mesmo período do ano passado.

A expectativa é de que a margem financeira com clientes continue avançando, com crescimento estimado de cerca de 3,6%, refletindo a melhora gradual dos spreads e o desempenho das operações de crédito. No entanto, o aumento das despesas com provisões permanece como o principal fator de pressão sobre os resultados.

Os analistas avaliam que o balanço deve continuar mostrando evolução operacional, embora ainda sem uma melhora mais expressiva da rentabilidade em razão do ambiente de crédito mais desafiador.

Seguros como amortecedor

A área de seguros deve voltar a funcionar como um importante amortecedor para os resultados. Além de apresentar crescimento superior ao de outras linhas de negócios, o segmento continua gerando receitas recorrentes e ajudando a compensar a pressão provocada pelo aumento do custo do risco e pela desaceleração das receitas de serviços.

O Safra também destaca que as receitas com tarifas devem continuar mostrando estabilidade, enquanto as despesas operacionais permanecem sob controle, reforçando os ganhos de eficiência buscados pela administração desde o início do processo de reestruturação do banco.

Outro ponto positivo apontado pela casa é a posição de capital. A reorganização da operação de saúde do Bradesco e o aumento de capital anunciado em outubro fortalecem os indicadores de solvência e ampliam a flexibilidade da instituição para atravessar o atual ciclo de crédito.

Recuperação mais forte

A leitura é semelhante à do Goldman Sachs, que vê avanços operacionais no banco, mas ainda identifica desafios relevantes para uma recuperação mais robusta dos lucros. O banco americano projeta que a receita líquida de juros avance cerca de 3% no trimestre, mas acredita que o aumento do custo do risco deve limitar os ganhos obtidos na atividade bancária.

Segundo o Goldman, a receita ajustada ao risco deve atingir R$ 10,7 bilhões no trimestre, enquanto as receitas com tarifas permanecem pressionadas pelo ambiente competitivo. Já o segmento de seguros continua sendo um dos principais destaques positivos da operação.

Para o banco americano, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) deve recuar para 15,5%, ante 16,2% no trimestre anterior, refletindo principalmente o aumento das provisões. Ainda assim, o indicador permanece acima do nível observado há um ano e reforça a percepção de que a recuperação operacional segue em curso.

Para os analistas, três pontos devem concentrar a atenção dos investidores: o comportamento das provisões, a evolução da inadimplência e a capacidade da operação de seguros e das iniciativas de eficiência de compensarem a pressão sobre os resultados da atividade bancária tradicional.

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