Alpiste e meias finas apareceram sobre uma mesa de oficina em Poá com uma finalidade pouco habitual. Os materiais foram utilizados na confecção de próteses mamárias externas destinadas à doação para mulheres que passaram por mastectomia.

A atividade ocorreu em 14 de outubro de 2026, na Secretaria da Mulher, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação e a ONG Mamas do Amor. A prefeitura divulgou o resultado no dia seguinte.

Seis mulheres participaram do aprendizado, e foram produzidos mais de 20 pares de peças em tamanhos diferentes. A iniciativa também estabeleceu a secretaria como ponto de distribuição para Poá e outros municípios do Alto Tietê.

O acontecimento integra a programação do Outubro Rosa, mas seu resultado tem uma função concreta para além do calendário: ampliar uma rede de confecção e entrega de peças externas, com apoio de entidades locais.

O que significa uma prótese externa

Uma prótese mamária externa é utilizada fora do corpo, junto à roupa ou ao sutiã, conforme o modelo e a orientação recebida. Ela é diferente de um implante colocado em procedimento cirúrgico de reconstrução mamária.

Essa distinção é importante para compreender a oficina realizada em Poá. A atividade tratou de peças artesanais externas; não envolveu cirurgia e não apresentou uma técnica de reconstrução da mama.

O Instituto Nacional de Câncer inclui o uso de prótese externa entre as possibilidades consideradas após cirurgia de mama, conforme o interesse da paciente. A decisão se relaciona às necessidades e às preferências de cada mulher.

Conhecer essa possibilidade não significa que todas devam utilizá-la. A escolha de uma peça e o momento apropriado para seu uso precisam respeitar a condição individual e a orientação da equipe responsável pelo acompanhamento.

Representação de pequenas sementes claras num recipiente de vidro e meias finas novas estão organizadas numa bancada de oficina. Imagem gerada por IA.

Uma experiência pessoal deu origem ao projeto

Segundo a prefeitura, a ONG surgiu a partir da experiência de Fernanda Aguiar, que passou por mastectomia e encontrou dificuldades de adaptação a próteses externas de silicone. Dessa vivência nasceu a proposta do modelo artesanal.

O relato ajuda a compreender como uma necessidade pessoal pode se transformar numa iniciativa coletiva. A experiência de uma mulher provocou a busca de uma alternativa e, depois, uma organização voltada a compartilhar o trabalho.

Isso não torna a mesma solução adequada para todas as pessoas. Um material pode ser bem recebido por algumas usuárias e exigir outra avaliação em situações diferentes, especialmente quando há sensibilidades ou cuidados específicos em andamento.

O valor do projeto está em oferecer uma possibilidade dentro de uma rede de apoio. A experiência que motivou sua criação continua sendo um ponto de partida, sem substituir as escolhas e o acompanhamento de cada destinatária.

A oficina ampliou quem sabe confeccionar

A atividade foi conduzida por Jeruza Reis, representante da ONG e secretária municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação. As seis participantes aprenderam a técnica para contribuir com a produção e com a continuidade das doações.

Ensinar uma atividade a outras pessoas muda a capacidade de um projeto comunitário. O trabalho deixa de depender apenas de quem já dominava a confecção e passa a contar com participantes que podem colaborar em novas etapas.

Essa ampliação exige organização para que o aprendizado se transforme em rotina de produção. Materiais, tamanhos e acabamento precisam ser acompanhados dentro da proposta da entidade que orienta e distribui as peças.

A notícia documenta o resultado daquela oficina, mas não informa uma meta mensal de produção ou o número de mulheres que já receberam os novos pares. A confecção registrada e o atendimento posterior são momentos diferentes do projeto.

Tamanhos e conforto precisam considerar a usuária

As peças foram confeccionadas em diferentes tamanhos, de acordo com numerações de sutiã. Essa variedade reconhece que uma única medida não representa as necessidades de todas as mulheres que procuram uma prótese externa.

A prefeitura apresenta o modelo como leve e flexível. Essas são características descritas pela iniciativa, e não uma garantia de adaptação individual ou uma comparação clínica que demonstre superioridade em relação a outros materiais.

O contato com a pele e a utilização junto à roupa tornam a orientação sobre o uso especialmente relevante. Uma peça externa continua fazendo parte de uma experiência corporal que pode exigir ajustes e atenção durante a recuperação.

Em serviço de saúde de Maceió, por exemplo, a oferta de prótese externa foi descrita junto da avaliação e da orientação profissional. A referência ajuda a compreender por que acesso ao objeto e acompanhamento devem ser pensados em conjunto.

O ponto de distribuição aproxima a rede

Além da confecção, a ação de Poá estabeleceu um endereço institucional para a entrega das peças. A Secretaria da Mulher passa a atuar na distribuição, com participação do conselho municipal e da Rede Feminina na articulação das doações.

Um ponto de atendimento pode ajudar a organizar o caminho entre quem produz e quem procura o recurso. A destinatária passa a ter uma referência local para buscar informações sobre a iniciativa e sobre as condições de recebimento.

A divulgação não apresenta endereço completo, horários, documentação ou estoque disponível para essa distribuição. Quem desejar conhecer o atendimento deve confirmar esses detalhes nos canais oficiais da prefeitura antes de se deslocar.

O alcance regional mencionado inclui mulheres de outros municípios do Alto Tietê. Essa proposta amplia a possibilidade de articulação entre grupos, embora a disponibilidade das peças continue dependendo da organização e da produção realizadas pelo projeto.

O cuidado também inclui a possibilidade de fazer perguntas e relatar dificuldades de adaptação. Uma rede de distribuição ganha utilidade quando a destinatária encontra informações sobre o recurso e sobre quem pode orientá-la, mantendo sua preferência como parte da conversa.

A escolha da mulher permanece no centro

Uma iniciativa de acolhimento não precisa estabelecer uma única maneira de viver o período depois da cirurgia. Interesse por reconstrução, uso de recurso externo e preferências pessoais podem compor percursos diferentes de uma mulher para outra.

O INCA descreve o tratamento do câncer de mama conforme as características de cada caso e apresenta a reconstrução entre as possibilidades consideradas após mastectomia. Essa orientação individual não deve ser substituída por uma solução artesanal ou por uma campanha.

Por isso, a história da oficina pode ser contada pelo que efetivamente aconteceu: pessoas aprenderam uma técnica, produziram pares de peças externas e organizaram um ponto de distribuição para fortalecer uma rede de apoio.

Na mesa de trabalho, materiais comuns ganharam uma função específica. O resultado mais importante da ação de Poá é aproximar essa possibilidade de mulheres que desejem conhecê-la, respeitando suas decisões e o cuidado que cada situação exige.