O parecer também aponta indícios de tratamento desigual na inteligência artificial da empresa. A manifestação ocorreu após o ministro Marco Aurélio Bellizze, relator do caso, cobrar provas de que as regras impostas à plataforma foram cumpridas.
Ministério Público Eleitoral exige dados detalhados sobre o bloqueio e a reavaliação de anúncios políticos nas plataformas. – Imagem: Blossom Stock Studio / Shutterstock
Procuradoria aponta falhas na prestação de informações
Na avaliação da PGE, a Meta não comprovou o cumprimento de todas as obrigações determinadas pela Justiça Eleitoral . Entre os pontos questionados estão o processamento igualitário de denúncias, a apresentação de informações individualizadas sobre anúncios reavaliados e suspensos e a entrega de um relatório sigiloso em português.
A empresa afirmou ao TSE, na terça-feira (20), que cumpriu as determinações sobre a distribuição de conteúdos políticos e a veiculação de anúncios eleitorais. Também negou qualquer seletividade.
O parecer reconhece que algumas providências foram adotadas, mas cobra esclarecimentos sobre a apuração interna de 255 perfis considerados inautênticos. Embora a Meta tenha informado que concluiu o procedimento e individualizou as medidas para cada conta, a Procuradoria afirma que a documentação disponível não comprova integralmente essas ações.
Traduções e imagens geradas por IA entram na disputa
A campanha de Lula apresentou novos elementos que, segundo a PGE, podem indicar outro descumprimento da exigência de tratamento igualitário. Um dos casos envolve o tradutor automático das redes sociais.
De acordo com a representação, comentários críticos a Flávio Bolsonaro estariam sendo traduzidos com o sentido invertido. A frase “Flávio futuro presidiário!!”, por exemplo, teria sido convertida em “Flávio future president!!” (“Flávio futuro presidente”). Já “Nosso futuro presidiário” teria virado “Our future president” (“Nosso futuro presidente”).
Para a Procuradoria, diferenças nas respostas conforme a candidatura mencionada enfraquecem a hipótese de uma falha aleatória. O problema também pode afetar as manifestações espontâneas dos eleitores e as métricas associadas aos comentários.
A campanha acusa ainda a ferramenta Meta AI de gerar conteúdos favoráveis a Flávio Bolsonaro a partir de comandos genéricos sobre política. Segundo a representação, pedidos relacionados a termos como “presidente”, “presidência da República” e “eleições” poderiam resultar em imagens com o número 22, mesmo quando o contexto não justificasse essa associação.
A PGE pede que os episódios sejam incluídos na análise do cumprimento da decisão judicial e que a empresa apresente explicações técnicas específicas.
O caso reacende o debate nacional sobre a responsabilidade das big techs no controle de conteúdo gerado por inteligência artificial. – Imagem: Alejandro Zambrana/Secom/TSE
O que ainda está em discussão
Entre os pontos que precisam ser esclarecidos na apuração estão:
Como a Meta avaliou os 255 perfis considerados inautênticos;
Quais medidas foram efetivamente aplicadas a cada conta;
Como a empresa verificou o funcionamento da tradução automática e da geração de imagens;
Quais documentos e relatórios comprovam o cumprimento das determinações.
Em 15 de outubro, Bellizze determinou que a Meta não reduzisse a distribuição, excluísse recomendações ou restringisse buscas de conteúdos político-eleitorais de qualquer candidatura do segundo turno. A decisão também estabeleceu regras para os sistemas de recomendação e para a Meta AI.
A Procuradoria defende que a multa seja calculada desde o momento em que cada obrigação foi descumprida. O parecer não fixa um valor, mas o relator já indicou a possibilidade de penalidade de até R$ 1 milhão por dia. A análise do caso deverá considerar as medidas já adotadas pela empresa e as pendências apontadas pelo MPE.
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