A cidade de Trento, no norte da Itália, vai retirar do Cemitério Monumental local cerca de 30 coelhos selvagens que há anos provocam reclamações de visitantes e familiares de pessoas sepultadas no local. Os animais serão capturados e transferidos para jardins de casas de repouso e áreas verdes cercadas administradas por associações locais.
A medida foi autorizada pela Junta Provincial de Trento e deverá ser implementada antes das celebrações do Dia de Finados, período em que o cemitério recebe um fluxo maior de visitantes.
Segundo os jornais italianos "L'Adige" e "Corriere del Trentino", a operação será executada pela Associação dos Caçadores Trentinos sob supervisão das autoridades veterinárias. Os animais serão capturados com o uso de redes verticais e gaiolas metálicas, em duas etapas.
A presença dos coelhos no cemitério voltou a ganhar destaque após novas denúncias encaminhadas pelo conselheiro provincial Claudio Cia. À imprensa italiana, ele afirmou que o problema pode parecer secundário, mas tem forte impacto emocional sobre quem visita os túmulos de familiares.
Os animais comem flores deixadas nas sepulturas, deixam fezes sobre lápides e corredores e escavam tocas sob os jazigos. Segundo moradores e visitantes, a atividade tem provocado afundamentos do terreno e risco de inclinação de algumas estruturas funerárias.
Agora no g1
De acordo com reportagem do Corriere del Trentino, o entorno é protegido por muros e telas enterradas, mas os animais continuam entrando e se deslocando livremente entre os túmulos.
Problema é antigo
O problema não é recente. A emissora pública Rai relatou que a presença dos coelhos já havia provocado protestos e mobilização popular entre 2014 e 2015, incluindo uma campanha que reuniu cerca de 600 assinaturas. Na época, as autoridades também discutiram medidas de captura e controle da população.
A história ganhou tanta repercussão há cerca de uma década que acabou inspirando um curta-metragem posteriormente premiado no Festival de Cinema de Trento.
Após a captura, os animais serão mantidos temporariamente em gaiolas individuais, com acesso permanente à água, em uma área reservada dentro do próprio cemitério. Na manhã seguinte a cada operação, veterinários da Agência Provincial de Serviços de Saúde realizarão exames clínicos para avaliar o estado geral dos animais, incluindo condição nutricional, presença de doenças, lesões e traumas.
Fêmeas em período de amamentação e filhotes ainda não desmamados serão imediatamente devolvidos ao ambiente para evitar a separação das crias.
Somente os exemplares aprovados pelos veterinários poderão ser transportados para os destinos definitivos. A prioridade será dada a casas de repouso, associações e entidades capazes de oferecer espaços externos amplos, cercados e adequados às necessidades dos animais. As autoridades também pretendem distribuir os coelhos de forma a reduzir o contato entre machos e fêmeas e limitar a reprodução.
As autoridades locais reconhecem, porém, que a medida tem caráter apenas paliativo. A captura dos animais presentes no interior do cemitério não resolverá o problema da população de coelhos na região, Segundo a prefeitura, existem centenas de coelhos vivendo em áreas vizinhas, especialmente nas proximidades do bairro de Albere e ao longo das margens do rio Ádige.

