O governo federal reconheceu a situação de emergência em Santarém, no oeste do Pará, em razão da estiagem que afeta o município e agrava as dificuldades de acesso à água potável e de deslocamento de comunidades ribeirinhas. O reconhecimento foi oficializado pela Portaria nº 3.652, de 21 de outubro de 2026, publicada nesta quinta-feira (22), no Diário Oficial da União (DOU), e abre caminho para o avanço dos procedimentos de solicitação de recursos federais para atender à população afetada.
✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp
A medida reconhece o decreto municipal nº 774/2026, assinado pelo prefeito José Maria Tapajós em 15 de outubro. A decisão considera a redução das chuvas e a baixa dos níveis dos rios Amazonas e Tapajós, condições que prejudicam a navegação, o transporte de mercadorias e o acesso a localidades isoladas.
Segundo a Defesa Civil de Santarém, 171 comunidades precisam de assistência durante a estiagem. Entre as medidas previstas estão a distribuição de água potável e cestas básicas, mas a logística de atendimento depende das condições dos rios e da possibilidade de acesso por embarcações.
Ribeirinhos enfrentam falta de água
Na região do Canal do Jari, no distrito de Arapixuna, moradores das comunidades de Alto Jari e Jari do Socorro pedem ajuda para instalar uma rede de abastecimento de água. Com a estiagem, o acesso ao poço comunitário ficou comprometido, dificultando o fornecimento às famílias, especialmente a idosos e crianças.
Estiagem deixa cerca de 25 mil famílias isoladas em Santarém, no oeste do Pará
Os moradores buscam doações de mangueiras e canos para instalar uma rede que atenda às duas comunidades.
A Defesa Civil considera essas localidades prioritárias devido às dificuldades de acesso. Em algumas regiões, embarcações maiores não conseguem chegar perto das comunidades, obrigando os moradores a utilizar barcos menores para transportar mantimentos e outros materiais.
Estiagem e queimadas agravam preocupação ambiental
Além da seca, Santarém e municípios vizinhos enfrentam os impactos das queimadas. Imagens divulgadas pelo 4º Grupamento de Bombeiros Militar mostram animais mortos e áreas de vegetação destruídas pelo fogo na região do assentamento Chapadão, em Santarém, e em Belterra.
Segundo os bombeiros, os incêndios prejudicam a fauna, destroem sementes, matam árvores jovens, empobrecem o solo e dificultam a regeneração da floresta. A fumaça também compromete a qualidade do ar e pode agravar problemas respiratórios.
Na terça-feira (20), a plataforma IQAir classificou a qualidade do ar em Santarém como moderada, com concentração de partículas finas PM2.5 de 13,2 microgramas por metro cúbico, equivalente a 2,6 vezes a diretriz anual da Organização Mundial da Saúde.
Já às 9h desta quinta-feira (22), o índice de qualidade do ar era de 42, classificado como bom, com concentração de PM2.5 de 7,6 microgramas por metro cúbico.
Atendimento depende de recursos e condições dos rios
Com o reconhecimento federal da situação de emergência, o município poderá avançar nos procedimentos para solicitar recursos destinados às ações de resposta à estiagem. O atendimento, porém, continua condicionado à organização das operações e às dificuldades de transporte nas áreas mais isoladas.
A Defesa Civil já alertou que, em 2024, a assistência a algumas comunidades chegou a levar três meses devido aos obstáculos de acesso. Neste ano, a redução do nível dos rios continua exigindo planejamento para que água potável e alimentos cheguem às famílias.
O nível do Rio Tapajós chegou a 1,30 metros nesta quinta-feira, em Santarém, segundo dados divulgados pela Defesa Civil. A marca está 1,55 metros abaixo da registrada em 2025 e 92 centímetros acima neste mesmo período em 2024. No comparativo com o ano de 2023, o registro de hoje está acima 86 centímetros.
A cota de alerta é de 2,10 metros.
Para os moradores das regiões mais afetadas, a prioridade é garantir o acesso à água e reduzir os efeitos da seca sobre a rotina das comunidades. O reconhecimento federal representa uma etapa importante para viabilizar a assistência, enquanto ribeirinhos seguem enfrentando dificuldades de abastecimento e locomoção.

