De acordo com os dados, as importações recuaram para 10,9 milhões de m³ (-13,5% a.a.) no período, reflexo principalmente da menor oferta pela Rússia, que recuou de 6,9 para 5,0 milhões de m³ (-28%).
Os Estados Unidos e os Emirados Árabes Unidos compensaram apenas parcialmente essa redução, com alta conjunta de cerca de 0,9 milhão de m³, diz a StoneX.
Em sentido oposto, a produção interna de diesel avançou 4,5%, para 34,5 milhões de m³, sustentada pelo maior FUT (fator de utilização total, que é o volume de petróleo efetivamente processado em relação à capacidade máxima) das refinarias brasileiras, com destaque para Replan (+21%), Rnest (+60%) e Refap (+14%).
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Com isso, o balanço acumulado de 2026 foi positivo ao longo do primeiro semestre, com pico de cerca de 837 mil m³ em maio, comenta a StoneX. A partir de junho, entretanto, o indicador passou a se inverter, encerrando setembro em déficit de 961 mil m³.
“Parte desse recuo é explicado pela menor oferta do produto importado e pelo fato de que, sazonalmente, as vendas crescem no segundo semestre, com os preparativos para a safra de soja culminando nesse cenário”, diz a consultoria.
Ainda assim, a StoneX diz que não se espera uma falta sistêmica de produto. “O risco está concentrado em restrições localizadas e temporárias nas regiões com maior déficit de oferta, como Centro-Oeste e Norte, mais dependentes de transferências e do escoamento logístico em períodos de demanda aquecida.”
Estimativa de demanda de diesel em 2026
O relatório também trouxe novas estimativas de demanda de diesel B e biodiesel em outubro. A projeção de diesel B para 2026 foi mantida em 70,6 milhões de m³ (+1,6% a.a.), com diesel A em 60,3 milhões (+0,9%) e biodiesel em 10,3 milhões (+5,6%).
As principais revisões para cima vieram do Centro-Oeste, com 10,7 milhões de m³ (+2,0%), puxado pelo Mato Grosso (+4,4%), e do Nordeste, com 11,4 milhões (+2,2%), com destaque para o Ceará (+7,0%). O Norte deve crescer 2,6%, com Pará e Rondônia em alta.
“As vendas no Centro-Oeste seguem surpreendendo, puxadas tanto pelo plantio da soja como pelo avanço da produção e escoamento de etanol de milho, que vem ampliando a demanda por fretes na região”, comenta a consultoria.
Em sentido oposto, Sudeste (+1,2%) e Sul (+1,0%) foram revisados para baixo. São Paulo deve recuar 0,25%, parcialmente compensado pelo Rio de Janeiro (+7,5%), enquanto o Paraná avança apenas 0,4%.
No caso de São Paulo, explica a Stone X, os baixos resultados refletem principalmente a queda das importações de fertilizantes, que diminui o escoamento de insumos agrícolas do estado para importantes regiões produtoras de grãos, como o Centro-Oeste e o Sul. “Soma-se a isso a desaceleração das atividades industriais no estado, que também contribui para uma diminuição da demanda por fretes.”
Demanda regional de diesel B em 2027
Em 2027, a demanda por diesel B deve atingir 71,4 milhões de m³ (+1,2% a.a.), com crescimento mais homogêneo entre as regiões do que em 2026.
O Sul passa a liderar a alta (+1,4%), com o Rio Grande do Sul (+2,0%) refletindo a recuperação esperada da soja. “É importante lembrar aqui que o El Niño resulta, normalmente, em uma melhora das condições para produção no Sul do Brasil, favorecendo o aumento das safras”, diz a consultoria.
A projeção para Sudeste (+1,2%) e Nordeste (+1,1%) é de volta do crescimento em ritmo próximo à média, com São Paulo e Bahia revertendo as quedas de 2026. “Espera-se que uma eventual redução dos preços dos fertilizantes resulte em um aumento das importações do insumo pelos portos de São Paulo, resultando nesse melhor cenário para o estado.”
Já o Centro-Oeste desacelera para +1,1%, após o forte avanço deste ano, com o Mato Grosso subindo apenas 0,7%.
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