Comerciantes e moradores estão recorrendo a lojas especializadas em armas e equipamentos de defesa diante do receio de novos ataques durante as manifestações convocadas para o próximo sábado (24).

Na Armurerie de la Bourse, loja de armas localizada no 2º arrondissement da capital francesa, as encomendas deram um salto desde o fim de semana, multiplicando-se por dez, segundo Yves Gollety, proprietário do estabelecimento e presidente da Câmara Sindical Nacional dos Armeiros, ouvido pelo jornal Le Parisien . A procura vem principalmente de comerciantes preocupados com a possibilidade de novos saques.

Segundo Gollety, o movimento reflete o temor de que estabelecimentos comerciais voltem a ser atacados. Assim como outras grandes cidades francesas, Paris enfrentou uma onda de saques que levou a implementação do toque de recolher em áreas de maior risco desde o início desta semana.

O aumento expressivo na procura por itens de proteção atinge sobretudo as áreas que foram palco dos maiores confrontos. No norte de Paris, o responsável por uma loja especializada relatou, também ao Le Parisien , que a busca já traz preocupação com a reposição dos estoques.

Em reportagem da BFMTV, o responsável por um site especializado em equipamentos de defesa afirmou que as vendas pela internet cresceram seis vezes desde o fim de semana.

Sprays lacrimogêneos e pistolas de defesa

Entre os produtos mais procurados estão sprays lacrimogêneos, bastões retráteis e pistolas de defesa. Alguns desses dispositivos lançam gel ou substâncias irritantes; outros disparam projéteis de borracha. Também há procura por equipamentos de choque elétrico.

Esses produtos se diferem das armas de fogo convencionais, que disparam munição real. Na França, as regras variam conforme o tipo e a classificação do equipamento. Algumas armas e dispositivos da categoria D podem ser comprados por maiores de idade sem autorização específica, enquanto determinadas pistolas de defesa estão sujeitas a outras exigências.

As armas de fogo convencionais, como pistolas que disparam munição real, estão submetidas a regras mais rigorosas. As armas da categoria B, por exemplo, exigem autorização prévia. Além disso, mesmo a compra legal de equipamentos de defesa não libera automaticamente seu porte em locais públicos: o transporte e o porte fora de casa dependem das regras aplicáveis e de um motivo legítimo.

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Comerciantes temem novos ataques

A procura por equipamentos ocorre às vésperas de uma nova mobilização prevista para sábado (24), depois dos saques e depredações registrados em Paris nos dias 17 e 18 de outubro. Parte dos comerciantes teme que novos confrontos voltem a atingir lojas e restaurantes.

Representantes do setor de hotelaria e restaurantes, porém, demonstraram preocupação com a reação de comerciantes que pretendem se defender por conta própria. Frank Delvau, presidente da seção Paris-Île-de-France da União dos Ofícios e das Indústrias da Hotelaria, pediu calma e respeito à lei e cobrou das autoridades medidas para evitar novos saques.

A Polícia de Paris recomenda que comerciantes evitem confrontar saqueadores, adaptem os horários de funcionamento quando necessário e reforcem a proteção dos estabelecimentos, inclusive com o fechamento de grades metálicas e a proteção de vitrines. A orientação é priorizar a segurança das pessoas e deixar a intervenção para as forças policiais.

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