Começou na manhã desta quinta-feira (22), no Fórum de Santana, o julgamento de Delson Júnior Cardoso Carvalho, acusado de matar a facadas a esposa, Rivone Pereira dos Santos, no dia 1º de janeiro deste ano. O crime aconteceu na casa da mãe da vítima, no bairro do Hospitalidade, e foi presenciado pela filha do casal, uma adolescente de 17 anos. O réu foi preso horas depois.
Segundo relatos de testemunhas à época do crime, o relacionamento de 19 anos era marcado por episódios de violência física, moral e psicológica. As agressões, de acordo com os depoimentos, aconteciam com frequência na presença dos filhos, principalmente quando o acusado consumia bebida alcoólica.
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A abertura do júri foi acompanhada por familiares e amigos de Rivone, que realizaram um ato pedindo justiça em frente ao fórum. Vestidos com camisas com o rosto da vítima e segurando cartazes, eles acompanharam o início do julgamento.
Para a família, a dor da perda ainda é uma realidade diária. A irmã da vítima, Rivanilde Pereira, lembra Rivone como uma mulher trabalhadora e dedicada aos filhos.
Segundo ela, um dos aspectos mais difíceis de enfrentar é o sofrimento deixado para os três filhos. Rivone deixou uma adolescente de 17 anos, um menino de 12 e uma menina de 6 anos.
"Ela sempre foi batalhadora e trabalhadora. Sempre cuidou muito bem dos filhos e ajudava no que podia. [...] É uma dor imensurável, pois ela era, basicamente, o pilar de todos nós. Estamos sentindo muito essa perda, e para os filhos tem sido muito difícil", lamentou.
A principal testemunha da tragédia foi a própria filha do casal. Aos 17 anos, Sadria Santos presenciou a morte da mãe e carrega desde então as marcas do trauma.
Nove meses após o crime, a jovem afirma que a expectativa é de que o julgamento represente uma resposta do Estado diante da violência sofrida pela família.
"Eu nunca imaginei na minha vida que perderia minha mãe para um feminicídio e que fosse o meu próprio pai quem tiraria a vida dela. Eu espero que a justiça seja feita. Eu sei que isso não vai trazer a minha mãe de volta, mas quero saber se ele será condenado ao tempo que a lei determina", disse a adolescente.
Sadria Santos, filha da vítima
Giovane Brito/Rede Amazônica
De acordo com o Ministério Público, Delson Júnior possui condenações anteriores por tráfico de drogas e homicídio qualificado, pelas quais cumpriu pena no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen).
Para a acusação, a reincidência deve ser considerada na definição da pena.
"Estamos lutando por uma pena próxima dos 40 anos para o réu. Ele é reincidente e, embora tenha alegado incapacidade em razão do consumo de álcool, durante o interrogatório conseguiu detalhar toda a dinâmica dos fatos, o que afasta essa alegação. Inclusive, não há laudo que a comprove. Esperamos que, desta vez, ele cumpra a pena integralmente. Na condenação anterior, recebeu pena de 13 anos, chegou ao regime aberto e acabou cometendo esse crime bárbaro", afirmou o promotor de Justiça Manoel Edi de Aguiar Jr.
A defesa do réu foi procurada, mas informou que não concederia entrevista.
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Julgamento ocorre nesta quinta-feira (22) em Santana
Giovane Brito/Rede Amazônica
Relembre o crime
No dia do crime, a vítima havia saído para passear com os filhos, o que teria despertado ciúmes no autor.
À noite, ela se escondeu na casa da mãe dele, acreditando que estaria segura. O suspeito, no entanto, descobriu o local, discutiu com a vítima e a atacou com uma faca, na presença da filha mais velha. Em seguida, fugiu.
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