Representantes da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), da Prefeitura de Campos dos Goytacazes e de setores empresariais se reuniram, nesta terça-feira (20), para discutir alternativas para a retomada dos voos comerciais no Aeroporto Bartolomeu Lisandro.

A reunião contou com a participação do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Felipe Knust; do especialista em estudos de competitividade da Firjan, Rafael Lanusse Poubel; do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campos, Fábio Paes; e do gerente de Relações Institucionais Locais do Porto do Açu, Wanderson Souza.

O encontro foi fechado, mas os representantes atenderam a imprensa após a reunião. Uma nova rodada de discussões está prevista para o início de novembro, para dar continuidade às tratativas.

Firjan, Prefeitura e empresários discutem retomada de voos comerciais em Campos

As últimas operações aconteceram em março de 2025. Segundo participantes da reunião, a ausência desses voos prejudica o desenvolvimento econômico e a competitividade do Norte Fluminense.

Prefeitura aponta custo do combustível como obstáculo

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Felipe Knust, contou que as companhias aéreas apontam o aumento do preço do querosene de aviação como um dos fatores que dificultam a implantação de rotas regionais.

“Eles alegam que esses valores estão muito altos e que dificulta a vinda dessas empresas aéreas pra operar em Campos”, afirmou.

De acordo com o secretário, a Prefeitura pretende reunir dados técnicos com a concessionária responsável pelo aeroporto para apresentar as informações aos governos estadual e federal. A intenção é buscar alternativas para atrair empresas interessadas em operar no município, inclusive com a possibilidade de subsídios públicos.

Knust afirmou que a mobilização reúne diferentes representantes da região em torno da retomada dos voos comerciais, considerados importantes para o deslocamento de profissionais e para o turismo de negócios.

Lideranças discutem estratégias para retomada de voos comerciais em Campos

Firjan destaca impacto na competitividade regional

Para a Firjan, a ausência de voos comerciais não afeta apenas Campos, mas toda a região Norte Fluminense, que concentra atividades ligadas aos setores de petróleo e gás, energia, indústria metalmecânica, logística e comércio.

O especialista em estudos de competitividade da entidade, Rafael Lanusse Poubel, explicou que a falta de conexões aéreas obriga os passageiros a recorrer a aeroportos de outras cidades, aumentando o tempo e o custo das viagens.

“Isso gera a necessidade de deslocamento por estrada até outros aeroportos, o que aumenta o tempo de viagem, eleva os custos e, consequentemente, reduz a competitividade da região”, afirmou.

A entidade defende uma atuação coordenada entre o poder público, a concessionária e as empresas locais para demonstrar a viabilidade técnica e econômica das operações, além da existência de demanda suficiente para sustentar a retomada dos voos.

Lanusse também citou a retomada da aviação regional em cidades como Cabo Frio e Macaé como uma oportunidade para recolocar Campos no debate sobre a oferta de voos no estado do Rio de Janeiro.

CDL cobra resultados da concessionária

O presidente da CDL de Campos, Fábio Paes, destacou os prejuízos causados pela falta de voos para o comércio, o setor de serviços e o turismo. Ele também cobrou uma maior articulação da concessionária com as companhias aéreas.

“A gente está pressionando essa empresa para que ela realmente apresente os estudos e os resultados, para que Campos e toda a região possam voltar a ter voos, como sempre tiveram, com muita demanda”, declarou.

Paes argumentou que a ausência de conexões aéreas dificulta a atração de investimentos e a realização de eventos empresariais no município. Segundo ele, a necessidade de percorrer longas distâncias por estrada pode desestimular empresários e profissionais interessados em visitar a cidade.

O presidente da CDL também questionou a capacidade de articulação da concessionária com as companhias aéreas. A avaliação foi feita pelo representante do setor empresarial.

Porto do Açu aponta necessidade de infraestrutura

O gerente de Relações Institucionais Locais do Porto do Açu, Wanderson Souza, afirmou que o transporte aéreo integra a infraestrutura necessária para acompanhar o crescimento econômico do Norte Fluminense.

Segundo ele, a falta de um aeroporto com operações comerciais prejudica o deslocamento de pessoas e empresas e pode comprometer o ritmo de desenvolvimento da região.

“Possibilitar e viabilizar esse deslocamento faz parte da infraestrutura oferecida às empresas que estão se instalando na região”, disse.

Para o representante do Porto do Açu, a oferta de transporte aéreo é um dos fatores que contribuem para tornar Campos e os municípios vizinhos mais competitivos na atração de novos negócios.

O que diz a concessionária

Em nota, a INFRA Aeroportos informou que mantém tratativas e busca alternativas para viabilizar o retorno dos voos comerciais em Campos.

A concessionária afirmou que o Aeroporto Bartolomeu Lisandro dispõe de estrutura para receber operações aéreas, mas ressaltou que a retomada dos voos comerciais depende do interesse e da decisão operacional das companhias aéreas.

A empresa também reafirmou o compromisso com o desenvolvimento da aviação regional e declarou que cumpre as obrigações previstas no contrato de concessão. Por fim, informou que permanece empenhada em contribuir para que Campos dos Goytacazes volte a contar com voos comerciais regulares.

Uma nova reunião está prevista para o início de novembro, quando os participantes darão continuidade às discussões sobre alternativas para a retomada das operações comerciais no aeroporto.