O Bradesco BBI avaliou o acordo como ligeiramente positivo, destacando que a associação com a marca Einstein pode fortalecer a demanda e ampliar o poder de precificação da Inspirali.
Em relatório assinado pelos analistas Marcio Osako e Henrique Colla, porém, o banco afirmou que ainda espera maior clareza sobre os benefícios financeiros da parceria para avaliar se eles justificarão o investimento no longo prazo. A recomendação para as ações da Ânima foi mantida em neutra.
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Já o JPMorgan destacou o potencial de contribuição positiva para o resultado operacional desde o primeiro ano de funcionamento da parceria. Após reunião com os diretores financeiros da Ânima e da Inspirali e com a equipe de Relações com Investidores (RI), o banco relatou confiança da administração de que o acordo aumentará o EBITDA, sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, já no primeiro ano.
Marca Einstein pode elevar mensalidades
Uma das principais oportunidades está no aumento dos preços cobrados pelos cursos de medicina. A administração da Ânima avalia que reajustes de 10% a 15%, ou até superiores, são possíveis diante da melhora percebida na qualidade da formação.
Segundo o JPMorgan, o Einstein terá participação efetiva na estrutura acadêmica da Inspirali. A instituição indicará o diretor acadêmico, participará das decisões curriculares e designará profissionais para acompanhar a implementação das mudanças. Durante as negociações, também realizou avaliações físicas e acadêmicas dos cursos, que deram origem a um plano de ação já em execução.
Para ilustrar o potencial de valorização da marca, a administração citou o curso de gastronomia da Anhembi Morumbi associado à Le Cordon Bleu. Segundo a empresa, a mensalidade, anteriormente em torno de R$ 1.500, passou a variar entre R$ 2.500 e R$ 3.000 após a incorporação da marca, da tecnologia e dos padrões de qualidade da escola francesa.
Os reajustes na Inspirali poderão ocorrer em etapas, com uma primeira elevação no início da parceria e novas oportunidades à medida que os estudantes reconheçam a qualidade do produto. A avaliação inicial também não apontou necessidade de grandes investimentos imediatos ou de mudanças drásticas no modelo acadêmico, segundo as informações apresentadas pela administração.
Menos financiamento e maior ocupação podem melhorar margens
Além do aumento das mensalidades, o JPMorgan identificou oportunidades de ganho com a redução da dependência de financiamento estudantil e o preenchimento de vagas ociosas.
Atualmente, cerca de um terço das vagas é ocupado por alunos que utilizam alguma modalidade de financiamento. A substituição desses estudantes por alunos que paguem diretamente as mensalidades pode melhorar a rentabilidade, reduzindo os custos associados a essas operações.
Segundo os dados apresentados pela administração, as deduções relacionadas ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) correspondem a 27,5% da receita bruta, além de uma comissão de 2% do agente financeiro. O financiamento privado, como o Pravaler, também gera custos, embora menores.
Outra frente é elevar a ocupação das unidades. A administração afirmou que algumas instituições já operam com todas as vagas preenchidas, enquanto outras ainda têm espaço para crescer. A meta é atingir 100% de ocupação em todas as unidades, apoiada pelo fortalecimento da marca e pela percepção de maior qualidade dos cursos.
As matrículas já começaram, mas a maior parte ocorre após a divulgação dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Parceria pode beneficiar outras áreas da saúde
Embora o acordo e os royalties estejam restritos aos cursos de medicina, a Ânima também vê potencial para que a associação com o Einstein melhore a reputação de outras graduações da área da saúde, como biociências e fisioterapia.
O JPMorgan considera essa possibilidade uma fonte adicional de criação de valor, embora reconheça que seus efeitos são mais difíceis de mensurar e devem levar mais tempo para aparecer.
Apesar do potencial de melhora operacional, o JPMorgan manteve recomendação neutra para as ações da Ânima e reiterou preferência por Afya (cuja ação é negociada nos EUA) e YDUQS ( YDUQ3 ) entre as empresas de educação sob sua cobertura.
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