A cidade de São Paulo e a Grande São Paulo registraram 19 corpos encontrados desde 10 de setembro, segundo levantamento da TV Globo. Apesar da sequência de casos e dos boatos que circulam nas redes sociais, a Polícia Civil voltou a descartar que as mortes tenham sido cometidas por um "serial killer".

A principal hipótese dos investigadores é que a maior parte dos crimes esteja relacionada ao crime organizado, especialmente a execuções determinadas em julgamentos do chamado "tribunal do crime", atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

O caso mais recente foi registrado na manhã desta quinta-feira (22), quando o corpo de um homem foi encontrado na Marginal Tietê. Segundo o Corpo de Bombeiros, a vítima era do sexo masculino.

Corpo é encontrado em uma área de mata nesta quarta-feira (21),

Nos últimos dois dias, outros dois corpos também foram localizados na capital. Um deles foi encontrado em uma área de mata de difícil acesso próxima à Avenida Coronel Sezefredo Fagundes, no Tremembé, na Zona Norte. O outro caso envolve os restos mortais de uma mulher encontrados na Marginal Tietê. De acordo com a investigação, dois homens teriam abandonado o corpo no local.

Os casos fazem parte de uma estatística que vem sendo monitorada pelas autoridades. A TV Globo contabilizou cadáveres achados em ruas, rodovias, represas, áreas de mata e terrenos baldios da capital e outras cidades da região metropolitana.

Dos 19 casos, quatro ocorrências foram registradas na Zona Sul da capital, quatro na Zona Leste, três na Zona Norte e duas na Zona Oeste. Outros quatro casos ocorreram em municípios do ABC Paulista. Também houve registros em Embu das Artes e Santana de Parnaíba.

Polícia investiga 12º corpo encontrado na cidade de São Paulo

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), diversos corpos apresentavam sinais de violência extrema. Parte das vítimas foi encontrada amarrada, queimada ou esquartejada. Em sete casos, os cadáveres estavam dentro de sacos ou enrolados em cobertores.

Perfil das vítimas

Polícia Militar localiza corpo esquartejado em 19 de setembro, na Zona Norte de SP

As investigações também buscam identificar todos os mortos. Até agora, a polícia conseguiu determinar que 11 vítimas eram homens e três eram mulheres. Em outros cinco casos, o gênero ainda não foi identificado.

Segundo o diretor do Núcleo de Perícias da Polícia Civil, a identificação nem sempre pode ser feita pelas impressões digitais. Dependendo das condições em que o corpo é encontrado, os peritos precisam recorrer a técnicas de antropologia e odontologia forense.

Nesses casos, a comparação da arcada dentária da vítima com registros conhecidos e informações fornecidas por familiares pode ajudar na identificação. Exames antropológicos também auxiliam os investigadores a traçar características biológicas e reduzir o universo de possíveis desaparecidos.

Polícia descarta assassino em série

Secretário da Segurança descarta hipótese de 'serial killer' em São Paulo

Apesar da repetição de ocorrências em diferentes pontos da região metropolitana, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) afirma que não há elementos que indiquem a atuação de um assassino em série.

A avaliação dos investigadores é que os casos têm motivações distintas, embora muitos deles possam ter relação com disputas do crime organizado.

A principal linha de investigação se baseia no perfil das vítimas já identificadas. Segundo a polícia, todas tinham antecedentes criminais por delitos como sequestro, roubo, tráfico de drogas e estupro.

Os investigadores afirmam ainda que já identificaram suspeitos em parte dos casos e que pediram à Justiça a prisão de pelo menos um deles.

Para a polícia, o conjunto de evidências reunidas até o momento aponta que a maior parte das mortes está mais próxima de execuções ligadas ao crime organizado do que da atuação de um assassino em série, hipótese que segue descartada pelo DHPP.

Mapa mostra onde corpos foram encontrados na capital e Grande SP