# Milhares protestam em Paris após Justiça derrubar proibição de manifestação

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/10/22/milhares-protestam-em-paris-apos-justica-derrubar-proibicao-de-manifestacao.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-22T16:58:38.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1304367-milhares-protestam-em-paris-apos-justica-derrubar-proibicao-de-manifestacao

> Após caos em protestos, França vai decretar novos toques de recolher

Milhares de pessoas foram às ruas de Paris nesta quinta-feira (22), enquanto outras cidades francesas proibiram manifestações após confrontos e saques registrados no fim de semana. Os episódios foram considerados os mais violentos dos últimos anos no país.

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Organizadores do protesto em Paris disseram que um tribunal administrativo derrubou a proibição imposta pela polícia após um recurso. A prefeitura da capital havia justificado a medida pelo risco de novos confrontos, depois que grupos de jovens encapuzados entraram em choque com policiais, saquearam lojas e incendiaram carros.

A decisão judicial não havia sido divulgada publicamente até a manhã desta quinta. Os manifestantes, muitos deles jovens, se reuniram pacificamente na região sudeste da capital francesa, sob forte presença policial.

Uma faixa estendida durante o ato dizia que o futuro dos manifestantes já era sombrio sem a necessidade de gás lacrimogêneo.

Os organizadores assinaram um documento policial se comprometendo a manter o protesto em um local fixo, sem caminhada pelas ruas, devido ao risco de violência.

Novas proibições eram esperadas para os próximos dias. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que as medidas têm como objetivo proteger os centros das cidades, os estabelecimentos comerciais e os prédios públicos.

O direito à manifestação é protegido pela Constituição francesa. As proibições anunciadas para atos previstos nesta quinta em Paris, Lyon, Lille e Grenoble foram criticadas por pessoas que consideram as medidas uma restrição ao direito de protestar.

Grupos de estudantes do ensino médio e universitários afirmaram que continuarão mobilizados, apesar do início do recesso escolar de outono nesta semana.

Após uma reunião extraordinária de segurança no Palácio do Eliseu, sede da Presidência francesa, Macron disse que a estratégia para os próximos dias é proibir manifestações solicitadas por pessoas ou grupos sem autorização legítima.

"As regras são simples e acho que fazem parte do bom senso. A recomendação geral é que não haja manifestações nos próximos dias", afirmou o presidente. Segundo ele, sindicatos que desejarem organizar atos poderão receber propostas de trajetos alternativos das autoridades locais.

Macron atribuiu a violência do fim de semana a ações de grupos de extrema esquerda radical que, segundo ele, pretendiam derrubar a República, além de criminosos interessados em saquear estabelecimentos.

A onda de distúrbios em Paris e em outras cidades levou as autoridades a reforçar a segurança. Toques de recolher noturnos foram adotados em algumas regiões da capital e em outros municípios onde a situação já havia sido controlada.

Pessoas observam e tiram fotos dos trabalhos de limpeza em Paris após protestos contra o custo de vida, no fim de semana, terminarem em tumultos e saques em várias partes da França.

Teresa Suarez / AP

França prepara operação de segurança para novos protestos

As manifestações desta quinta-feira foram consideradas uma preparação para um grande ato previsto para sábado (24). A expectativa é que ativistas da Confederação Geral do Trabalho (CGT), uma das principais centrais sindicais poiufrancesas, se juntem ao movimento dos coletes amarelos, que organizaram protestos contra os preços dos combustíveis em 2018 e 2019.

Autoridades locais informaram que também pretendem proibir algumas manifestações em cidades como Lyon, Marselha e Montpellier.

Municípios fora da capital também foram atingidos pelos distúrbios. Em Limoges, um incêndio quase destruiu a prefeitura, um edifício do século XIX.

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, se reuniu na última quarta-feira (21) com representantes sindicais e afirmou que uma operação de segurança de grandes proporções será organizada para sábado. O objetivo é evitar a repetição dos episódios de violência provocados por pequenos grupos, que expuseram falhas nas medidas de segurança.

Os representantes dos sindicatos disseram que a reunião não resultou em propostas concretas. Agora, as entidades concentram esforços em outra jornada de mobilização, prevista para 5 de novembro, e convocaram trabalhadores dos setores público e privado a participar.

Protestos de estudantes se transformam em movimento social

As manifestações começaram no mês passado em uma escola de ensino médio em Créteil, nos arredores de Paris, em reação à falta de funcionários. Em seguida, paralisações de aulas, bloqueios e protestos se espalharam por outros subúrbios da capital e chegaram a diferentes regiões do país, incluindo cidades menores.

Os estudantes reivindicam mais recursos para as escolas, melhorias na infraestrutura e a contratação de funcionários, principalmente em bairros de menor renda. Parte dos manifestantes também pede mudanças no sistema de ingresso nas universidades, considerado complexo e injusto por críticos.

Diante da dificuldade do governo em atender às reivindicações estudantis, os atos e bloqueios escolares passaram a incorporar outras demandas, incluindo protestos contra o aumento do custo de vida.

A ampliação do movimento ocorre meses antes da eleição presidencial de 2027, que escolherá o sucessor de Macron.

Reportagem completa: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/10/22/milhares-protestam-em-paris-apos-justica-derrubar-proibicao-de-manifestacao.ghtml

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