O Ministério Público Eleitoral (MPE) reforçou o pedido de investigação por parte da Polícia Federal (PF) no caso das invasões à Universidade Federal de Roraima (UFRR) envolvendo políticos em Boa Vista. O órgão pediu oficialmente o interrogatório de Marcinho Belota (PL) e Athally Albuquerque (Republicanos), além da apuração de cinco possíveis crimes cometidos no campus Paricarana.
De acordo com o MPE, as condutas dos políticos e do grupo que invadiu o Centro de Ciências Humanas (CCH) no dia seguinte, podem configurar crimes. A lista inclui constrangimento ilegal, dano qualificado, perturbação do serviço público, possível porte ilegal de arma e usurpação de função pública (quando alguém age como autoridade de fiscalização sem ter o cargo para isso).
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Para avançar nas investigações, o promotor de Justiça Eleitoral Marco Antônio Bordin pediu que a PF interrogue Belota, Athally e os homens envolvidos na segunda invasão, que já foram identificados pela Polícia Militar.
Em nota, o deputado Marcinho Belota declarou estar "ansioso" pelo início das investigações. "Já que segundo ele [MPE] existiu destruição de panfletos, alguém fez. E se alguém fez é sinal que está assumindo a culpa de criar fake News", acrescentou o parlamentar em pronunciamento.
Os agentes também devem recolher imagens das câmeras de segurança e ouvir estudantes, professores e servidores que presenciaram os atos.
A reitoria da UFRR foi notificada pelo MPE. A universidade tem um prazo de cinco dias para explicar se havia autorização ou alguma regra interna que permitisse a distribuição e colagem dos panfletos feitos pelos alunos. O g1 solicitou um posicionamento à Universidade e aguarda resposta.
O MPE destacou que, antes da ação dos políticos, a UFRR já havia negado um pedido para retirar o material, por entender que a divulgação respeitava a legislação eleitoral.
Invasão na sexta-feira
Ação aconteceu no bloco de Direito da Universidade Federal de Roraima
Na sexta-feira, Marcinho Belota e Athally entraram no Centro Acadêmico de Direito e rasgaram informativos feitos por universitários. Eles alegaram que os panfletos contra o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) eram "fake news".
Em notas enviadas ao g1, o parlamentar e a blogueira negaram qualquer invasão e alegaram ter recebido orientação de um setor jurídico da universidade para verificar as denúncias no local.
Suspeita de grupo armado no sábado
Ocorrência envolveu um grupo de pessoas, policiais militares e servidores da UFRR, em Boa Vista.
No dia seguinte, sábado, um segundo grupo com cerca de cinco pessoas entrou nos blocos de Direito e do Centro de Ciências Humanas (CCH). Eles interromperam aulas, hostilizaram servidores e arrancaram cartazes e uma bandeira de um movimento estudantil antifascista.
Testemunhas relataram que integrantes desse grupo estariam armados, o que motivou o pedido do MPE para que a PF investigue a fundo o porte ilegal de armas no campus. À PM, os homens alegaram na ocasião que estavam na universidade para "fiscalizar propaganda político-partidária".
Devido às invasões, a UFRR repudiou os atos, classificados como intimidação e violência. Para proteger a comunidade acadêmica, a instituição solicitou reforço na segurança por parte da própria PF, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Força Nacional.
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