"Entendo o grito de Mengo como um mantra, uma oração"
Cinco letras e uma palavra que é quase um chamado: Mengo. Combustível para os torcedores e os jogadores, é a maneira como o grito sai na hora da emoção ou na identificação com outro rubro-negro pelo Brasil e mundo afora. É também o mantra que voltou a ecoar forte na arquibancada nos jogos do Flamengo na Libertadores. Nesta quinta-feira, o Maracanã promete ser tomado mais uma vez por esse canto para carregar o time na semifinal contra o Estudiantes, às 21h30 (de Brasília).
+ Flamengo x Estudiantes: onde assistir ao vivo, horário e escalações
+ Jardim tem um retorno e uma dúvida para o jogo
Para algumas pessoas, o canto de Mengo ficou um pouco adormecido nas arquibancadas nos últimos tempos. O preço alto do ingresso, o público em constante mudança e as novas músicas tomaram conta do espaço. Mas nesta edição da Libertadores, a campanha invicta teve o som das cinco letras que a torcida mais gosta de gritar.
— Me incomodava o sumiço desse grito. Sempre uma música comprida e depois outra, que são ótimas, mas faltava o mantra. Aquilo que encurrala o adversário. Tem dois momentos em que o "Mengo" pura e simples vai sendo imperativo. Primeiro, depois do ataque promissor que quase é gol. Aí vem aquele "Mengo" em tom maior. Tem outro momento, que é o que eu mais gosto. Flamengo é o time que tem a bola, está encurralando o adversário e vem aquele "Mengo" ininterrupto, geralmente em tom menor, que ecoa sem parar. Abandonaram isso durante um tempo, agora voltou com força. Time e torcida são conectados. Se o time não vai bem, a torcida empurra e o time vai. Quando vai bem, impulsiona mais ainda. Quando há essa conexão é muito difícil o Flamengo ser batido. A volta do "Mengo" é um êxtase — afirmou o rubro-negro e compositor André Diniz
— O "Mengo" sempre foi o principal da torcida. Estamos felizes que voltaram a cantar, como realmente é o canto do Flamengo. O jogador já espera aquilo, de ficar cantando "Mengo" sem parar. Acho que parou um pouco de cantar o que cantavam naquele tempo. Mudou, agora está voltando. Leva o time, como levou no jogo da Libertadores. O time precisou, estava na dificuldade. Na alegria está bem e todos cantam, mas no momento ruim é que precisa levar o time. Aquilo mexeu com a torcida do Flamengo. Esse canto nunca pode se afastar. Tem que estar o "Mengo" — disse Evandro Bocão, ex-diretor de bateria de torcida do Flamengo.
Leonardo Jardim: "Quando o Jorginho saiu, entrou a torcida do Flamengo. Foi fantástica"
A sinergia entre arquibancada e campo é uma marca da campanha do Flamengo nesta Libertadores. A última impressão foi a prova disso: em um confronto difícil e de pressão contra o Independiente del Valle, Jorginho foi expulso e complicou a vida do time. Veio da torcida o canto de Mengo. No campo, gol de Arrascaeta e mais uma semifinal.
— A torcida foi fantástica, o Jorginho saiu mas entrou o 12º jogador, a torcida. A gente nem sentia a falta dele - declarou Leonardo Jardim após a partida.
Paulo Tinoco, escritor e autor do livro "Flamengo — O Fenômeno Nacional", explica a origem do termo e a importância para a formação da arquibancada rubro-negra. A obra investiga a relação do clube com a música, o carnaval e outros aspectos culturais e políticos ao longo dos anos.
— É uma redução do nome Flamengo, uma corruptela, que é fazer a redução de um nome sem perder o contexto. Ocorre em 1951 com a Rádio Nacional no programa Balança Mas Não Cai, que é humorístico. Um dos quadros era do Peladinho, um personagem do Flamengo alucinado. A cada jogo, se perdia, ele detonava todos. Se ganhasse, o time era o máximo. Era o "rumo a Tóquio" dos anos 50. O bordão dele era "Mengo, tu é o maior". Há todo um contexto de dizer que a torcida do Flamengo é plural e engloba pessoas de menor poder de estudo — explicou.
— No final dos anos 70 o grito era diferente, nos anos 80 mudou. Esse grito de Mengo tem esse poder de oração, como um mantra realmente que deveria ser cantado mais tempo. Você entoar esse grito, entendo como oração — completou.
Jogadores do Flamengo aplaudem torcida após jogo da Libertadores
Gilvan de Souza/Flamengo
Paulo Tinoco, André Diniz e Evandro Bocão têm histórias diferentes nas arquibancadas. O primeiro tem catalogadas 1.560 músicas relacionadas ao clube e resolveu transmitir esse vasto universo Flamengo na literatura. O segundo é o maior vencedor de disputas de samba-enredo da Vila Isabel e rubro-negro de berço. O pai chegou a ser vice-presidente de patrimônio e, portanto, foi dentro de casa que tudo começou. O terceiro também é ligado à escola de samba e foi presidente da Raça Rubro-Negra no início dos anos 90.
Em comum, o amor pelo clube e a unânime vontade de ver o canto de Mengo ecoar forte pelo Maracanã. O Flamengo entra em campo às 21h30 (de Brasília), buscando uma vaga na final da Libertadores depois do empate por 0 a 0 na Argentina.
—Se o Mengo ecoar na hora certa, esse Mengo que encurrala, deixa o adversário zonzo e não para nunca, é muito difícil bater - disse André Diniz.
+ Leia mais notícias do Flamengo
🎧 Ouça o podcast ge Flamengo 🎧

