# Petrobras terá que subir diesel em até 50%? Goldman aponta impactos em ações e preços

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/mercados/petrobras-petr3-petr4-pode-ter-subir-diesel-ate-cinquenta-porcento-goldman-sachs-quais-impactos-acoes-inflacao/)
- Publicado em: 2026-10-22T17:00:00.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1304430-petrobras-tera-que-subir-diesel-em-ate-50-goldman-aponta-impactos-em-acoes-e

> A defasagem entre o preço do diesel vendido pela Petrobras ( PETR3 ; PETR4 ) e as cotações internacionais pode resultar em um forte reajuste do combustível após o segundo turno das eleições presidenciais, segundo avaliação do Goldman Sachs.

Os analistas do Goldman apontam em relatório que o preço realizado do diesel pela Petrobras (incluindo subsídios do governo) esteja 21% abaixo da paridade internacional do diesel, mas sob uma assimetria de subsídios que atualmente favorece o diesel importado em detrimento dos volumes refinados internamente.

Caso essa assimetria termine após as eleições (subsídios adicionais de R$ 1,40/litro para importadores de diesel devem ser válidos até meados de novembro), a equipe de análise estima que a estatal teria que aumentar os preços do diesel para os distribuidores em cerca de 50% (aproximadamente R$ 1,50/litro) para se igualar à paridade internacional, com risco de alta caso a administração também busque compensar o período em que o diesel da companhia esteve abaixo da paridade até o momento neste ano.

Pelos cálculos do banco, o diesel realizado pela companhia equivale a R$ 5,43 por litro, ante um preço de paridade de importação próximo de R$ 6,89 por litro.

&#8220;Dada a nossa visibilidade limitada sobre se esse incentivo adicional para importadores de diesel expirará ou será renovado pelo governo, assumimos que a Petrobras manterá os preços do diesel inalterados até o final do ano e reconhecemos que um aumento de preço poderia trazer riscos de alta para nossas margens de refino no 4º trimestre&#8221;, avalia.

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Apesar disso, o Goldman não incorpora um reajuste em seu cenário-base. O banco argumenta que há incerteza sobre a continuidade dos subsídios concedidos aos importadores de diesel e, por isso, mantém a premissa de preços estáveis até o fim do ano. Ainda assim, reconhece que um aumento do diesel representa um risco positivo para as margens de refino da Petrobras no quarto trimestre.

Na avaliação do banco, uma eventual alta do diesel seria claramente positiva para a Petrobras, mas teria efeitos mistos sobre o restante da cadeia de combustíveis.

Segundo o relatório, distribuidoras como Vibra ( VBBR3 ) e Ultrapar ( UGPA3 ) poderiam ser prejudicadas, já que obtêm uma parcela relevante do diesel diretamente de refinarias locais. O Goldman manteve recomendação neutra para as duas companhias, argumentando que o setor já opera próximo do pico de rentabilidade e que os múltiplos não estão mais baratos.

Por outro lado, o banco reconhece que os papéis ficaram relativamente mais atrativos após o desempenho inferior ao mercado desde o primeiro turno das eleições. Enquanto o índice de small caps acumula alta de cerca de 18% e o Ibovespa sobe aproximadamente 7% no período analisado, Vibra recuou 4% e Ultrapar avançou apenas 4%.

Subsídios reduzem pressão por aumento imediato

O Goldman também chama atenção para uma peculiaridade da atual política de subsídios. Desde a escalada do conflito no Oriente Médio, o governo federal passou a compensar produtores e importadores de diesel para reduzir o impacto da alta do petróleo sobre os preços domésticos. Atualmente, os produtores locais recebem subsídio de R$ 2,12 por litro, enquanto os importadores contam com um incentivo ainda maior, de R$ 3,52 por litro.

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Essa diferença de tratamento reduz o espaço para um aumento imediato dos preços da Petrobras. Segundo os analistas, embora a estatal venda diesel a R$ 3,31 por litro para distribuidoras, os importadores conseguem oferecer produto importado a preços competitivos graças ao subsídio mais elevado, o que limita a capacidade da Petrobras de reajustar preços sem perder participação de mercado.

Por isso, o banco avalia que qualquer decisão relevante sobre preços provavelmente ficará para depois do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.

Impacto pode chegar à inflação

Além dos reflexos corporativos, um reajuste teria implicações macroeconômicas relevantes. O Goldman calcula que uma alta de aproximadamente 50% no preço cobrado pela Petrobras às distribuidoras poderia resultar em um aumento próximo de 20% nos preços do diesel nas bombas. Nesse cenário, o impacto direto sobre o IPCA seria relativamente pequeno, entre 5 e 6 pontos-base.

O problema estaria nos efeitos indiretos, uma vez que o diesel é um dos principais insumos do transporte de cargas no país, os custos logísticos mais elevados tenderiam a se espalhar pela economia. O banco estima um impacto indireto de cerca de 16 a 18 pontos-base, levando o efeito total sobre a inflação para algo entre 21 e 24 pontos-base.

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O relatório também aponta que tarifas de frete rodoviário poderiam subir, beneficiando alternativas ao transporte por caminhões. Nesse contexto, a operadora ferroviária Rumo ( RAIL3 ) é citada como uma possível beneficiária indireta do cenário.

Cenário extremo levaria diesel a R$ 9 ou R$ 10

O banco também desenhou um cenário mais agressivo, no qual todos os subsídios ao diesel seriam eliminados nos próximos meses.

Nesse caso, os preços nas bombas poderiam subir cerca de R$ 1,80 por litro, levando o diesel da faixa atual de R$ 7,34 para algo entre R$ 9 e R$ 10 por litro.

Por enquanto, porém, o Goldman considera mais provável a manutenção dos preços da Petrobras até o fim do ano, enquanto o mercado aguarda definições sobre a política de subsídios e o cenário político após o segundo turno.

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